Paciente: Sexo feminino. Vinte anos.
Estresse pós-traumático. Alucinações visuais.
Avistamentos de um vulto, o "homem grande".
Cartas de tarô, de origem desconhecida.
Muda.
Mora só.
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terça-feira, 6 de agosto de 2013

Entrevista: Roberto Coutinho, Leandro Lefa e o som em Kassandra


Hora da dupla que fez o áudio de um filme quase mudo se manifestar. Roberto Coutinho (que também é produtor executivo) e Leandro Lefa (que também é ator) acumularam suas funções originais em Kassandra com a edição e mixagem do som.

Parece simples? Não quando 99% do filme teve seu áudio inteiramente criado em estúdio. Confira a entrevista!

Kassandra é um filme quase sem diálogos, baseado no visual. Como fica o papel do som num projeto assim? Vocês utilizaram som direto e depois recriaram elementos sonoros em estúdio? Comentem um pouco o processo do som de maneira geral.

Roberto Coutinho: No momento em que a narrativa não é conduzida pelo diálogo, o som ganha uma importância maior ainda. Cada elemento sonoro teve que ser pensado e discutido detalhadamente para ajudar o espectador no processo de imersão no universo de Kassandra. Como a protagonista transita entre o mundo real e o criado em sua mente, os sons não tem uma morfologia estanque. Alguns elementos se repetem nestes dois mundos, como objetos caindo ou portas batendo, por exemplo. Mas de uma forma onírica, estes sons se baseiam no mundo físico, sofrendo ligeiras distorções criadas pela mente. E isto os torna estranhos, desconfortáveis e até assustadores! 

Acredito que o maior desafio aqui foi recriar estes elementos sonoros com leves distorções psicoacústicas, convidando o espectador a experimentar a confusão de um desligamento parcial do mundo físico, perdendo-se entre o ambiente captado pelos sentidos e aquele criado pela imaginação.

Leandro Lefa: Como o filme não é conduzido por texto, por falas, as imagens - visuais e sonoras - assumem o primeiro plano da atenção do espectador. Com isso em mente, criamos praticamente todo o som do filme em estúdio. Como os sons são gravados individualmente (passos, respirações, cada objeto...), podemos dar a cada um deles uma característica que funcione no sentido criar o universo dos personagens. Esse objetivo ainda é potencializado pela liberdade total de mixar esses sons na proporção necessária. Assim pudemos criar momentos muito silenciosos de Kassandra, sozinha em seu grande apartamento, e momentos de sons abruptos, ríspidos, que invadem a tranquilidade da personagem - para exemplificar com um dos elementos propostos por Ulisses. Acredito que isso, a música e a montagem de vídeo fazem o filme fluir muito bem.

Leandro, você atuou e recebeu o convite para trabalhar no som depois. Você já tinha acumulado estas duas funções em outros trabalhos, certo? Qual a diferença que você vê em Kassandra em relação a estes projetos, nestas duas áreas?

Lefa: Já fiz isso outras vezes, como no longa Porto dos Mortos ou na websérie Desconectados, mas em Kassandra minha participação no som teve uma proporção maior. Eu sou artista de foley e editor de som, mas estive presente na mixagem do Roberto. Ele, claro, esteve presente em tudo no som e trabalhamos colaborando muito um com o outro o tempo todo. E acho que foi a primeira vez que atuei sem saber que ia trabalhar no som do filme.

O que vocês usaram de inusitado para criar sons no estúdio (os chamados foleys) durante a pós-produção do curta?

Lefa: Ruídos de sala ou foley (nome em inglês, em uma homenagem ao seu criador, Jack Foley), são sons gravados em estúdio e adicionados à banda sonora do filme na pós-produção. Em Kassandra, algumas das poucas falas vêm do som direto. Os demais sons são criados no estúdio.

A maioria deles é feita de maneira bem óbvia. Passos por exemplo: são passos. E o telefone tocando é um telefone tocando.

Mas alguns dos óbvios são divertidos: uma pessoa despencando em cima de um sofá, é uma pessoa despencando em cima de um sofá.

Tem alguns curiosos: o som do passarinho batendo asas na gaiola, é o som de feixes de elástico sendo agitados. Já as patas no poleiro, são baquetas do tipo vassourinha, de nylon, tocando outras baquetas, convencionais. 

Mas com certeza o mais engraçado é o som da brisa que entra pela porta do apartamento: somos eu e o Chico Pereira, compositor da trilha musical, fazendo um “dueto vocal” de som de vento. A execução é no mínimo cômica, mas embora seja usado com muita sutileza, o resultado é muito eficiente. 

Roberto, você também trabalhou com Chico Pereira na trilha sonora. Qual a importância de ter feito essa ponte direta entre o trabalho do som e o da música?

Roberto: É sempre muito prazeroso trabalhar com o Chico na trilha sonora. Ele consegue fazer a leitura dos conceitos no filme e criar um universo musical que complementa muito bem a narrativa. Uma qualidade que vejo em sua composição é que ele não fica na região de conforto do instrumento que domina, no caso a guitarra, ou dos estilos musicais que conhece mais profundamente. A cada novo trabalho, começamos fazendo uma pesquisa de instrumentos, timbres e estilos mais adequados. Depois, o Chico compõe os temas e então trabalhamos em cima disto para criar a música. 

Explique para nós o que é music sound design.

Music sound design é um termo contemporâneo que descende de um conceito antigo. A ideia básica do sound design é criar ou "desenhar" sonoridades novas através sons criados eletronicamente ou utilizando objetos reais de forma não convencional. Isto sempre foi muito explorado no cinema, principalmente em filmes de ficção científica, onde se inventa um som que não existe, como de uma arma laser ou um disco voador, por exemplo. 

Nos últimos anos, com a onipresença da tecnologia digital na produção musical, o conceito de sound design se ampliou e entranhou-se na música também. O uso de instrumentos eletrônicos nos anos 60 e 70 evoluiu para a música contemporânea, permitindo utilizar todo e qualquer som, produzido pelo mais diferente processo imaginável e amparado pela tecnologia digital. Estes timbres são "desenhados" a partir de elementos diversos, como sintetizadores ou sons orgânicos manipulados. Music Sound Design é o nome dado a este trabalho de criar timbres e efeitos sonoros para utilização como matéria-prima em uma composição musical.

quarta-feira, 20 de março de 2013

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Os efeitos visuais em Kassandra


A equipe de finalização de Kassandra acaba de ganhar mais um reforço. O artista de CGI Carlos Porto entrou no projeto para fazer correções e melhorias digitais, incluindo máscaras para ocultar objetos indesejados e elementos pontuais em computação gráfica.




Inicialmente, não havia efeitos visuais planejados para o filme. Tudo seria feito na frente da câmera. Porém, ao final do processo de montagem, surgiu a necessidade de se apagar alguns elementos que apareciam em cena e usar uma CGI sutil para dar mais dramaticidade às cenas. 

Carlos Porto é um velho conhecido da equipe de Kassandra. Ele dirigiu e escreveu em parceria com Ulisses da Motta Costa o curta-metragem O Gritador, onde trabalharam também os atores Leandro Lefa e Maico Silveira, além do músico Chico Pereira, do engenheiro de som Roberto Coutinho e do produtor de set Jackson Ritter. Na foto acima, Ulisses e Carlos (à direita) dirigindo o filme em São José dos Ausentes, região nordeste do Rio Grande do Sul, em 2005. 

Por sinal, O Gritador (veja aqui) foi um curta repleto de efeitos visuais e composições digitais, boa parte deles produzidas pelo próprio Carlos. Abaixo, dois vídeos de composição de cena que mostram o trabalho nas cenas do filme:

- Composição de cena: Werner Schunemman, Nydia Gutiérrez e o cavalo
- Composição de cena: Leandro Lefa e as bolas de fogo

E aqui, uma foto que reproduz o passo-a-passo do primeiro vídeo:

1. A cena bruta  - 2. O recorte do fundo e a aplicação do preto-e-branco
3. Inserindo o cenário desenhado a mão - 4. Colocando o cavalo em CGI
5. Aplicando uma sela real sobre o cavalo - 6. A imagem pronta, com filtro sépia

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Entrevista: Suzana Witt, coadjuvante de luxo

Suzana Witt e o diretor Ulisses da Motta Costa se conheceram primeiramente como aluna e professor, na oficina de cinema que existe na escola em que a atriz cursou o Ensino Médio. A inclinação pelas artes, o talento e a força de vontade chamaram a atenção de Ulisses, que chamou-a para ser assistente de direção um ano depois dela sair da escola, no curta Ninho dos Pequenos. Desde então, ela tem atuado nesta função em outros trabalhos da Ampli Produtora, e foi "promovida" ao posto de atriz em Kassandra.

E de cara ela teria que fazer dois papeis: um usando apenas a voz (a mulher que telefona para Kassandra) e outro usando apenas o corpo (uma prostituta que acompanha o asqueroso vizinho que assedia a protagonista). No fim das contas, o resultado saiu um pouco diferente do imaginado. Leiam na entrevista:


Você faz um papel pequeno em Kassandra, praticamente uma coadjuvante de luxo. No entanto, você acompanhou boa parte do processo de pré-produção. Mesmo não aparecendo tanto no filme, ainda assim é importante acompanhar o seu desenvolvimento?

Suzana: "Coadjuvante de luxo" é ótimo! Hahaha. Eu concordo com essa denominação, porque acho que é bem isso... A figura da prostituta aparece pra incrementar a personagem do vizinho que o Leandro Lefa faz.  A prostituta e a regata suja de café são, na minha opinião, essenciais para o vizinho! 

Sobre acompanhar a pré-produção, sim; Para mim, especialmente no caso de Kassandra, foi importante acompanhar a equipe antes das gravações. Digo isso porque, além dos encontros facilitarem o entendimento de todo o roteiro -- que acredito que toda a equipe tenha que ter, independentemente de cargo que desempenhe na produção --, pude também conhecer o pessoal "novo" da equipe e sentir como seria estar do outro lado das câmeras, sendo gravada por gente que eu já conhecia. Por já ter trabalhado com vários dos integrantes da equipe de Kassandra anteriormente, porém fazendo assistência de direção, estava curiosa para ver como seria estar atuando em um dos "nossos" -- dá pra chamar de nossos? -- filmes. Ver todo mundo antes e estar com os outros atores tornou a coisa toda mais confortável. 

Entre a equipe, havia ex-colegas suas de escola: as figurinistas Isabela Boessio e Giulia De Cesero e a continuísta Marina Cardozo. Como é este reecontro num outro universo? O que muda?

Suzana: O reencontro é muito bom. A Isa e a Giulia eu não via fazia quase um ano, porque elas tinham ido pra Inglaterra fazer intercâmbio e eu ainda não tinha visto elas na volta. Mas tudo é muito diferente! Acho que por mais fatores do que apenas o ambiente e as funções que a gente tava desempenhando, mas com certeza esse é um dos motivos.

A Marina, que não era minha colega na escola, foi das três gurias a que eu mais vi depois de me formar, na verdade! Porque a gente se viu muito no Clarice/Tom, que fizemos no ano anterior*. Acho que a gente inclusive conversa mais agora do que na época da escola, porque estamos sempre nas tuas produções. Descobri várias identificações com a Marina depois dos trabalhos que fizemos juntas! Talvez a gente já tivesse todas essas coisas em comum na época da escola, mas aí cada uma tinha "sua turma", literalmente, sabe? O que eu acho mais legal da Marina é que o riso dela tem a capacidade de me deixar muito a vontade!

Ver a Isa e a Giulia também foi muito bacana; as gurias tão muito profissionais. Elas sempre foram as gurias mais estilosas da turma na escola, e o gosto por moda virou mesmo profissão. Aí, ao mesmo tempo, foi engraçado... a Isa é minha amiga de infância e adolescência, e as duas eram minhas amigas e companheiras de festas no ensino médio! Durante as gravações, a gente conseguiu conversar um pouco, mas no geral estávamos desempenhando -- lindamente, diga-se de passagem -- nossos papéis (risos). As relações são mais distantes do que nas festas e nas brincadeiras de Barbie, por exemplo... mas ao mesmo tempo o carinho continua, e dá pra sentir isso. No geral, acho que rever as gurias nas gravações fez com que eu me sentisse a vontade... e feliz.

Você inicialmente apareceria como a prostituta, que não teria falas, e gravaria os diálogos de uma pessoa que fala com Kassandra pelo telefone. Porém, você e Leandro Lefa acabaram improvisando diálogos na cena com a prostituta e outra atriz teve que gravar a voz no telefone. Conte como surgiu o improviso e como aconteceu esta substituição.

Suzana: Eu conheci o Lefa no dia da gravação, se não me engano. Se não tô louca, ele já me conheceu vestida com o figurino da prosti, até porque lembro que depois da gravação coloquei minha roupa mesmo, tirei a maquiagem e aí ele disse "Nossa, é muito diferente" (risos). Mesmo assim, a improvisação não teve muito mistério: quando o diretor nos pediu para improvisar, disse "combinem o preço de alguma coisa, algo assim"; foi o que a gente fez, e revendo a cena agora acho que deu super certo!

Com isso de a prostituta ter falas, achamos melhor que outra pessoa fizesse a a voz do telefone. A convidada para esse papel foi a Ingrid  Bonini. Com a Ingrid nós gravamos outro curta, o Luz Natural, em novembro do ano passado. Acho que é uma boa ela ter feito a voz do telefone por dois motivos: primeiro, não confundir com a minha voz (a dela é bem diferente da minha!); segundo, porque pelo que conhecemos da voz dela em Luz Natural, acho que ela vai conseguir dar um tom grave e pesado ao que é dito no telefone, o que vai ficar beeeem legal.

*Piloto de web série desenvolvido pela mesma equipe de Kassandra

domingo, 20 de janeiro de 2013

A voz que faltava em Kassandra

Kassandra recebeu nesta semana um reforço no elenco. É a atriz Ingrid Bonini, que foi chamada para fazer a misteriosa voz que fala com a protagonista por telefone -- ou, como se descreve no roteiro, a Voz ao Telefone. 

Ingrid Bonini contracena com o filme já montado
Inicialmente, quem faria esta voz seria Suzana Witt, que também faz o papel da prostituta que aparece rapidamente no filme. Incialmente, este acúmulo de funções era possível porque o roteiro planejava apenas uma fala para a garota de programa. Contudo, durante as filmagens Suzana improvisou alguns diálogos que permaneceram na montagem -- e, atualmente, a equipe de som formada por Roberto Coutinho e Leandro Lefa achou que a mesma voz em dois personagens poderia soar estranho, por mais que a atriz fizesse entonações diferentes.

Com a aprovação da própria Suzana, o diretor Ulisses da Motta Costa convidou Ingrid para então emprestar seu timbre grave e sedoso ao filme. Eles trabalharam recentemente no curta experimental Luz Natural, que será finalizado após o término de Kassandra. Junto com o terapeuta, interpretado por Maico Silveira, a Voz ao Telefone é o único personagem com falas em destaque na narrativa, o que representava um desafio a mais para a atriz: criar um interpretaçao vocal de um dia para o outro, e sem contracenar com ninguém a não ser com as imagens já filmadas há um ano atrás. 

A gravação foi feita num estúdio improvisado pelo engenheiro de som Roberto Coutinho dentro do próprio apartamento onde Kassandra foi rodado. Por mais que o resto do elenco não estivesse junto, manteve-se a tradição de levar todos os atores para dentro da casa da nossa heroína. 

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Finalizando Kassandra

Terminar um filme é sempre um processo delicado -- normalmente mais demorado que o desejado e que precisa ser trabalhado em várias frentes simultâneas. Com Kassandra não é diferente, claro. E damos um tempo nas entrevistas com elenco e equipe para falar um pouco sobre o atual estágio de desenvolvimento do nosso filme:

Montagem: Os cortes do filme foram feitos pelo premiado e requisitado Alfredo Barros. Por conta de seu envolvimento na campanha eleitoral em Porto Alegre, ele só pôde se dedicar à edição a partir de outubro. Em encontros semanais com o diretor Ulisses da Motta Costa, Alfredo encerrou a montagem no dia 18 de dezembro de 2012 (na foto abaixo, os dois após o término dos trabalhos).

Ulisses da Motta Costa (esq) e Alfredo Barros terminando a montagem

O filme foi majoritariamente montado na ilha de edição da Atama Filmes, em Porto Alegre. No total, Kassandra teve sete cortes (são oito, na verdade, mas o último tem de diferente apenas tempo a mais para os créditos). O principal desafio era dar ritmo ao vasto material filmado (cerca de 150 planos diferentes), de forma que funcionasse em termos de drama e suspense, e fazer as adaptações necessárias na narrativa (incluindo a remoção de elementos que atravancavam o desenvolvimento e a compreensão do filme). Um dos cortes chegou a ter quase meia hora de duração; agora, Kassandra tem pouco mais de 21 minutos de duração, sem os créditos finais.

Som: Desde o início do projeto, sabia-se que o som seria um dos trabalhos mais exaustivos em Kassandra. Afinal de contas, o filme quase não tem diálogos e todos os ruídos e sons precisam ser produzidos do zero. Para a tarefa, o engenheiro de som Roberto Coutinho e Leandro Lefa (um dos atores do filme que também trabalha como foley artist) têm passado os primeiros dias de janeiro dentro do Ampli Studio, em São Leopoldo, deixando a criatividade fluir. 

A primeira etapa, a gravação dos foleys (os sons cotidianos produzidos pelos personagens, como passos, por exemplo) está quase concluída. Pode parecer fácil, mas achar o som correto para cada situação é sempre um desafio -- e os pés descalços de Kassandra (para ficar apenas nos passos) requerem sons sutilmente diferentes para cada cena. A segunda etapa, a gravação de ADRs (sigla em inglês para "substituição de diálogos", ou seja, os sons de fala e respiração dos atores) começa na semana que vem, junto com a edição de som, e envolvem todo o elenco do filme. 

Música: O compositor Chico Pereira há meses coleciona referências e grava ideias para a trilha de Kassandra. Inicialmente, ele fará demos com sons sintetizados e em arranjos simples (processo atualmente em andamento). Estas músicas preliminares serão colocadas no filme para ver quais funcionam e quais precisam ser melhoradas.

A partir daí, começa a se registrar a trilha valendo. Esta demanda começará ainda em janeiro, para estar pronta em fevereiro. As sessões serão gravadas também no Ampli Studio, em São Leopoldo. Falaremos mais detalhadamente sobre trilha sonora em posts futuros.

Finalização: Os mais novos participantes da equipe de Kassandra vêm para fazer um delicado trabalho: corrigir a luz e colocar, finalmente, a imagem do filme em preto-e-branco (os planos foram registrados em cores). A colorista Lígia Tiemi Sumi, da Galo de Briga Filmes, terá este encargo: fazer a marcação de luz do curta inteiro e, a partir daí, ressaltar os contrastes entre as áreas escuras e claras de cada take. O desafio é o mesmo que a fotografia, direção de arte e figurino tiveram que enfrentar anteriormente: pensar não em termos de cor, mas apenas em termos de luz. 

Com tudo isso pronto, o que falta? Juntar todos estes elementos. E Kassandra terá nascido.


sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Entrevista: Leandro Lefa, o vizinho

Leandro Lefa, antes de fazer Kassandra, já tinha uma larga experiência em TV e em cinema, tendo atuado em inúmeros curtas e também em longas -- fora, claro, no teatro. Ele já havia trabalhado com boa parte da equipe em O Gritador (2006), também dirigido por Ulisses da Motta Costa (assista aqui). 

Além de atuar, Lefa também está trabalhando no som de Kassandra, como folley artist. Confira a entrevista com o ator:

Alfredo Barros, o montador de Kassandra, considera você um dos melhores atores gaúchos para cinema. Você realmente tem este gosto especial de atuar para a câmera, mesmo que a formação de atores no Rio Grande do Sul seja orientada para o teatro?

Lefa: O Alfredo é muito lisonjeiro, mas acontece que meu trabalho depende muito do dele, assim que dividimos qualquer mérito. Sim, me relaciono muito melhor com a câmera e me identifico mais com a linguagem do cinema. Tenho muita dificuldade no teatro. E é uma coisa minha, porque de fato não tive uma formação voltada pra cinema (até porque não há, aqui). Começo a acreditar nas pessoas que dizem que eu sou do contra (risos).
Você já fez outros trabalhos de terror, como em Porto dos Mortos, e no teatro está vivendo o protagonista do Linguiceiro da Rua do Arvoredo, uma lenda urbana de Porto Alegre. Em Kassandra, seu personagem também vive num contexto sombrio. O que há nestes personagens repulsivos que te atrai a atenção?

Lefa: A bem da verdade, nesses três trabalhos fui convidado por pessoas de quem gosto. Poderiam ter me convidado pra fazer um vendedor de casquinha que eu teria topado. Mas o interesse pelos personagens vem na medida em que eles ajudam a compor a história e o universo do filme. No caso de Kassandra, por exemplo, o personagem é um tanto raso, mas é por isso que funciona dentro do filme. Ele contrasta com Kassandra, dando dimensão pro universo dela e mais complexidade à trama.
Do elementos que existem em Kassandra, qual é o que mais te chama a atenção como artista?

Lefa: Justamente, a trama e o universo dos personagens são alguns dos elementos que mais me fascinam no cinema. E em Kassandra eles estão muito presentes, pelo roteiro e pelas atuações. E isso é evidenciado pela fotografia. Enfim, é um conjunto harmônico. No teatro, um ator pode 'salvar a peça'. No cinema, ele pode se destacar. Se o filme funciona é mérito da equipe (onde se inclui o elenco), com destaque pro diretor, que faz todo mundo trabalhar no mesmo filme.
Como é refazer a parceria com a equipe com a qual você fez O Gritador? O que há de novo entre aquele trabalho e Kassandra?

Lefa: É muito bom por serem pessoas formidáveis, mas isso eu já sabia. É ótimo ver como todos cresceram. Os seis anos trouxeram experiência e agregaram outros bons profissionais. Me pergunta se eu quero fazer parte do próximo filme (risos).

terça-feira, 24 de julho de 2012

Mais Kassandra na TV


No dia 16 de julho, Kassandra foi mais uma vez destque na TV Unisinos. Neste dia, foi ao ar uma matéria sobre crowdfunding e, entre os entrevistados, estão a produtora Ramona Barcellos (foto acima) e o diretor Ulisses da Motta Costa. As imagens foram feitas no estúdio da Ampli Produtora, empresa que realiza o curta.

Confira no vídeo abaixo, entre 0:40 e 6:02 (a reportagem é de Priscila Gomes):

Detalhe: é possível ver na matéria alguns trechos (mesmo que sem muita qualidade) da primeira versão da montagem feita por Alfredo Barros, onde se pode vislumbrar um pouco das atuações de Renata Stein, Leandro Lefa e Suzana Witt. Vejam até o final da reportagem! ;-)


segunda-feira, 9 de julho de 2012

As imagens de Kassandra - 4

Viu a nova leva de fotos dos bastidores do curta? Então aqui vai mais algumas!

Fotos por Daniel Coutinho. Veja ainda mais fotos aqui, aqui e aqui.

You can also see the english version of this post!


Leandro Lefa e o diretor Ulisses passando uma cena
Uma cortina falsa para um plano subjetivo
Renata Stein e a boneca Blá-Blá
Imagem fantasmagórica no monitor
Leandro Lefa "entrando" no personagem



segunda-feira, 25 de junho de 2012

As imagens de Kassandra - 3

Enquanto as novidades não chegam, revelamos mais algumas fotos para vocês. Esperamos que gostem!

Fotos por Daniel Coutinho. Você pode ver a primeira parte aqui e a segunda parte aqui.

You can also see the english version of this post! 

 
Renata Stein e a câmera, uma relação de amor
Leandro Lefa, o vizinho asqueroso
Pablo Chasseraux (diretor de fotografia) e Ulisses Costa (diretor)
O "filme dentro do filme"
"Corta. Mais sangue"
 

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Preparando o elenco de Kassandra

Texto escrito pelo diretor Ulisses da Motta Costa sobre a preparação dos atores em Kassandra.

Ajude Kassandra a virar realidade! Participe e divulgue o nosso crowdfunding!!! 

A preparação de elenco virou coisa seríssima no Brasil. Há quem discorde ou concorde, há quem acha essencial, há quem defenda que isso tira a autonomia do diretor. Mas o certo é que ajudou a moldar a imagem atual do cinema nacional: atuações ao mesmo tempo naturais e viscerais.

Como Kassandra é um projeto pequeno, eu mesmo resolvi fazer junto com os atores um esboço de preparação de elenco (não é de longe a minha especialidade). O trabalho foi dividido basicamente em três partes (com os vídeos publicados anteriormente em outros posts ilustrando):


A - Ler e debater o roteiro:

Fazer leituras de roteiro e debater com os atores quais as impressões e compreensões que eles tiveram acerca do material é algo que eu sempre faço. Gosto de saber como eles enxergam as motivações e as ações do personagens (acima, uma leitura com Renata Stein, Maico Silveira e Suzana Witt).

Isso, não raro, muda detalhes do roteiro: não só as falas (descobrimos se realmente funcionam durante as leituras), como também características dos personagens. Por exemplo: no roteiro, havia menção de que o pulso de Kassandra tinha cicatrizes de tentativa de suicídio. Para Renata Stein, contudo, se a personagem tivesse tentado se matar, ela certamente conseguiria. No momento em que ela trouxe esta interpretação, pareceu fazer todo o sentido ela não ter as cicatrizes. Por conta da leitura que a atriz teve da sua personagem, um dos seus traços físicos foi modificado. 

A maneira como os atores captam o subtexto do roteiro é essencial também para saber o quanto que ele funciona. E é interessante ver como cada artista procura seu foco: na reunião vista no vídeo abaixo, as preocupações de Maico Silveira e de Luis Franke são diferentes: o primeiro quer entender melhor a protagonista, enquanto o segundo procura uma resposta mais clara para os elementos subjetivos da trama:


B - Preparação de atores

Nunca usei antes uma preparação de atores que envolvesse exercícios e trabalhos específicos para criar sensações e sentimentos nos atores. Mas em Kassandra achei que poderíamos fazer isso de forma intensa, especialmente para preparar Renata Stein para as várias camadas da personagem. No vídeo abaixo, um exercício de aquecimento em que ela e Maico Silveira não podiam se encostar.

Um dos nossos trabalhos desenvolvia reações ao medo: Renata tinha que ficar deitada num sofá no escuro (os ensaios aconteceram na locação, o que nos ajudou), com o rosto virado em direção ao encosto e as costas desprotegidas. Enquanto isso, eu caminhava lentamente em torno dela. Ela não poderia se mexer ou gritar: apenas mexer duas bolinhas de yin-yang nas mãos quando a tensão ficasse insuportável.

No início, cada estalido do chão de parquê desencadeava o tilintar das bolinhas na mão de Renata. Num dado momento, porém fiquei em silêncio por alguns minutos -- até que a própria ausência de som  fosse mais angustiante do que qualquer ruído.

Um exercício que usamos em vários momentos (inclusive minutos antes de filmar) foi sugerido por Maico: Renata não podia deixar que outra pessoa tocasse nela. Alguém tinha que tentar encostar nela com as mãos, as pernas e mesmo com o corpo. O que começava quase engraçado aos poucos virava uma espiral de desespero, em que a atriz tentava escapar do toque a qualquer preço.

O bom deste exercício é que podíamos mudar a pessoa que tentava tocar Renata (até mesmo eu fui um dos "agressores") conforme a situação -- foi particularmente dramático quando ela fez esta rotina com Leandro Lefa, poucos minutos antes de gravarmos uma cena em que o personagem dele tenta impedir Kassandra de passar por uma escadaria.

Com o mesmo Lefa elaboramos outra atividade: como seu personagem é uma ameaça a Kassandra, achei interessante eles trocarem de papeis e ela tentar subjugá-lo. A "brincadeira" era assim: Leandro ficava sentado no chão e tentava levantar, enquanto Renata impedia-o. Achei o exercício começaria leve, intensificando-se gradualmente. Que nada: ambos já tinham introjetado seus personagens de tal forma que se atracaram quase em luta corporal assim que eu disse "podem começar". 


C - Ensaios

Num certo ponto da pré-produção, os atores já conheciam muito bem o roteiro. Porém, o ensaio de pelo menos algumas das cenas era essencial para que começássemos a ver o ritmo interno delas, como seria a marcação do elenco e mesmo se os enquadramentos funcionariam.

É interessante ver o quanto que o resultado final da cena é diferente do que era no início dos ensaios em termos de atuação. Num primeiro momento, os atores ainda não estão totalmente confortáveis com o personagem. Por isso, abrimos espaço para improvisos e para ideias tolas -- num dos ensaios, pedi para que o elenco atuasse como se Kassandra fosse uma comédia, ao notar que o ritmo tinha se engessado num formato muito truncado. O resultado deu certo: limpou o excesso de reverência e pudemos voltar a algo mais contemplativo e ainda assim mais fluido.

No vídeo abaixo, a mostra de que o improviso funciona: o celular de Renata tocou  durante um ensaio. Ela, porém, não podia sair do personagem -- ou seja, não podia falar. Seu companheiro de elenco acompanhou o espírito e manteve-se no personagem durante o imprevisto.

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Alfredo Barros, o homem da montagem

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Dentre os principais nomes da equipe de Kassandra está o do montador Alfredo Barros. Assim como Pablo Chasseraux, Luis Franke e Leandro Lefa, ele é um dos profissionais consagrados que aceitou o convite para fazer parte desta pequena produção.

Barros é daqueles sujeitos que não tem "currículo", mas sim "filmografia". Foi editor assistente de Giba Assis Brasil em longas como O Homem que Copiava (2003) e tem atualmente um grande volume de trabalho que termina em prêmios (no Festival de Cinema de Gramado de 2011, ganhou melhor montagem na Mostra Gaúcha pelo curta Três Vezes por Semana). Será dele a tarefa de dar coerência e ritmo aos mais de 120 planos de câmera previstos na decupagem de Kassandra.

De acordo com o diretor Ulisses da Motta Costa, Alfredo topou entrar no projeto quando soube que Kassandra seria um terror psicológico. "Ele me perguntou: 'é um filme de horror?', e eu disse 'sim'", relata Ulisses. "Aí ele me disse: 'cara, que legal, sempre quis montar um filme de horror e nunca me ofereceram um'".

O processo inicial de montagem já está em andamento.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

O filme dentro do filme

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Um simples detalhe do roteiro de Kassandra acabou criando um monstro totalmente novo e de proporções únicas. Está lá no roteiro de Roger Monteiro, na cena 7: o vizinho, personagem de Leandro Lefa, está "em frente de uma televisão ultrapassada que exibe um filme pornográfico de gosto duvidoso".

Ao invés de simplesmente ocultar a televisão ou de usar um vídeo erótico qualquer, o diretor Ulisses da Motta Costa resolveu filmar algumas cenas eróticas -- todas soft, mudando um pouco o conceito original, sem sexo.

"Como referência, comecei a pensar numa pornochanchada nacional do final dos anos 70, início dos anos 80", conta ele "Até porque não dava para colocar ninguém em situação embaraçosa, mas sim deixar tudo num clima de diversão. Por isso, convidei uma amiga de longa data, a Elena Meneghetti, que na faculdade de publicidade fez um trabalho vestida de Tiazinha. Ela é despachada e super bem-humorada, perfeita para o que precisávamos".

Frame "roubado" do material já produzido para o filme dentro do filme
As cenas a serem usadas em Kassandra foram rodadas em pouco mais de duas horas na casa da própria protagonista, na distante Zona Sul de Porto Alegre. Maico Silveira fez uma participação relâmpago como um homem que é seduzido por Elena. A quantidade de diversão nesta filmagem foi tal que a diretora de produção Ramona Barcellos ligou para ver se o trabalho estava ok e tudo que ouviu foram sonoras gargalhadas.

A equipe foi improvisada: além de Ulisses dirigindo, o produtor Roberto Coutinho fez a direção de fotografia, o publicitário Daniel Coutinho foi produtor de set, o músico Chico Pereira montou o vídeo. A única em sua função foi a figurinista Giulia De Cesero, que também fez direção de arte.

Não demorou muito para o que era apenas uma cena rápida virasse um "projeto maior": um trailer falso de uma pornochanchada passada em Porto Alegre, aos moldes daqueles vistos no projeto Grindhouse. Nomes provisórios como "Deu Pra Ti, Zona Sul" ou "A Desinibida do Lami" pipocaram entre a equipe. Não só isso: até pseudônimos artísticos estão sendo inventados, para deixar num clima mais setentista -- fora ideias de mais cenas e personagens.

"Entendi porque o pessoal fazia pornochanchadas naquela época: é muito divertido", revela Roberto Coutinho. "É um desafio ter que fazer algo propositalmente ruim", reforça Ulisses. "Por isso a equipe improvisada foi essencial para não obtermos um resultado estético". Chico Pereira, responsável por montar a pequena "pérola", entendeu essa dificuldade. "Estava montando direitinho as cenas quando eu pensei: não, tenho que desaprender o que eu sei", conta ele.

Novas cenas serão feitas no intervalo das filmagens de Kassandra. Aguardem!

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Do elenco: Leandro Lefa


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Ele ficou para o final, mas é importantíssimo: Leandro Lefa faz um dos principais personagens de Kassandra, um bizarro vizinho sem nome que representa uma ameaça à protagonista. No entanto, foi o último ator escalado para o filme.

De acordo com o diretor Ulisses Costa, a dificuldade estava em encontrar alguém que se diferenciasse fisicamente dos outros homens do elenco. "Roger Monteiro, o roteirista, tinha uma ideia de alguém mais velho e possivelmente mais corpulento", lembra ele. "Mas eu tinha medo que se confundisse com a imagem do Homem Grande". 

Ulisses escolheu Leandro Lefa por também ser conhecido de longa data. Ele foi um dos atores de O Gritador, primeiro curta do diretor. A promessa de trabalharem novamente permaneceu e mais de um projeto foi pensado para reatar a parceria, mas nenhum foi para a frente. Pesou o fato também de Lefa já ter experiência no cinema de terror -- participou do quase lendário Porto dos Mortos, um filme de zumbi rodado em Porto Alegre e que permanece inédito no circuito comercial.

A caracterização do personagem precisava ser muito específica. Apesar da agenda apertada do ator, ele conseguia mandar fotos por e-mail para a equipe, dando ideias de figurino, maquiagem, expressão facial e corporal (como na foto abaixo). "Apesar de não termos tido tempo para ensaiar como fizemos com a Renata, por exemplo, a dedicação do Lefa foi essencial para que o personagem estivesse pronto quando precisássemos dele no set", conta o diretor. 

Teste de figurino e maquiagem feito pelo próprio ator e mandado por celular para a equipe.
"Mérito do Uli: com inteligência e sensibilidade, ele sabe dizer exatamente o que quer construir e a coisa flui", diz o ator por sua vez. "A partir do roteiro, bastaram um café e 3 minutos de exercício de improvisação pra eu me sentir plenamente seguro e a vontade com meu personagem e com toda a equipe, sobretudo o restante do elenco".

Café? Sim: nas primeiras cenas em que participou, Lefa precisava parecer imundo. A diretora de arte Ana Gusson sugeriu que uma camiseta tipo regata fosse suja com café, para deixar uma aparência molambenta na fotografia em preto-e-branco. No fim das contas, o ator ficou usando a roupa úmida e com forte cheiro de café por várias horas, o que rendeu dúzias de piadas por parte de Renata Stein.

Sobre trabalhar em mais um filme de terror, Leandro comenta: "busquei criar um cara sem profundidade, impulsionado pelo sexo e que acha divertido ser nojento e causar repulsa. Interessante que em Porto dos Mortos também fiz um cara intelectualmente limitado e que por isso não sabe se portar como indivíduo, mas são personagens completamente distintos".

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Do elenco: Luis Franke

 
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Em dado momento nas primeiras filmagens de Kassandra, ocorre o seguinte diálogo entre o ator Luis Franke e o diretor Ulisses da Motta Costa:

Ulisses: Sabe que eu sou um diretor sem-noção, né?
Luis: Não. Com um pouco de noção, um pouco.

Alguns minutos depois:

Ulisses: Luisão, sabe por que eu sou um sem-noção?
Luis: Por quê?
Ulisses: Porque só um sem-noção chamaria um ator vencedor de dois prêmios Açorianos para fazer um personagem que... Não fala.

Luis Franke vive o misterioso Homem Grande: um homem de proporções imensas cujo propósito permanece um mistério para a protagonista, já que costuma aparecer como uma ameaça. "Kassandra é um passeio que nos conduz ao encontro do real e do imaginário, da lucidez e da loucura, do enfrentamento e do encontro com o nosso verdadeiro 'eu'", define o ator.


Durante os ensaios, Luis era um dos mais mais preocupados em debater os significados dos personagens e das suas ações no decorrer da narrativa. Queria saber qual a função do Homem Grande em relação à protagonista. "Penso que meu personagem representa a coragem adormecida de Kassandra, que vai se manifestar quando for exigida", revela.

Ator requisitado em cinema, publicidade, televisão e, claro, teatro, Luisão ganhou dois prêmios Açorianos de Teatro, pelo seu trabalho nas peças O Sobrado (ator coadjuvante) e A Bilha Quebrada (melhor ator).

Ele faz elogios à equipe e a seus colegas de elenco: "Tenho um imenso prazer de participar do elenco de Kassandra. Uma equipe técnica de alto nível, sob a batuta do excepcional Ulisses Costa que com maestria conduziu o processo, possibilitando a todos os atores um aprofundamento na psiquê de seus personagens. Contracenar com a jovem Renata Stein e os amigos o amigo Maico Silveira e Leandro Lefa foi, antes de tudo, uma honra".

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Do elenco: Suzana Witt


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Renata Stein não é a única mulher no elenco de Kassandra. Ela é acompanhada por Suzana Witt, que faz nada menos que duas participações diferentes no filme.

Não é coincidência o fato das duas serem colegas de faculdade, no Departamento de Artes Dramáticas da UFRGS. Suzana já trabalhou como assistente de direção em duas produções dirigidas por Ulisses da Motta Costa, o curta Ninho dos Pequenos e o projeto de seriado Clarice/Tom. Para este último, Suzana convidou Renata para um teste de elenco em janeiro do ano passado. Renata fez teste para dois personagens e foi selecionada para um dos papeis principais -- conhecendo assim o diretor e parte da equipe que mais tarde fariam Kassandra.

De assistente de direção e produtora de elenco, Suzana foi promovida a atriz: "Nos trabalhos anteriores com o Ulisses eu estava acostumada a trabalhar atrás das câmeras", ela conta. "Em Kassandra foi diferente, mas nem tanto! No fim, equipe e elenco são um só grupo". Uma curiosidade: ela foi colega de escola das duas figurinistas de Kassandra, Giulia De Cesero e Isabela Boessio. A diversão das três foi pensar num figurino para uma prostituta (um dos papeis de Suzana).

Esta personagem tem uma aparição muito rápida, porém complicada. Suzana não teve tempo de ensaiar com Leandro Lefa, seu parceiro de cena, e as indicações de diálogo no roteiro eram vagas. Ambos os atores e o diretor Ulisses pensaram na hora da filmagem em como fazer o casal ter uma "discussão em termos chulos". 

No primeiro take, ambos vinham em direção à câmera, Leandro Lefa murmurando algo. Ao que Suzana responde com um sonoro:

- Ah, querido, assim é bem mais caro!

A equipe teve que segurar o riso até o "corta". "No dia em que eu participei, me diverti, como sempre costuma acontecer quando trabalho com essa gente! Confio muito no trabalho que foi (e está sendo) feito, e aguardo ansiosa para ver como ficou!", complementa a atriz.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

As imagens de Kassandra - 2

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Para aumentar a curiosidade, mais uma leva de fotos feitas por Daniel Coutinho das primeiras filmagens de Kassandra -- com Renata Stein mostrando várias faces (primeira parte das fotos aqui):

Claquete, ação!

Leandro Lefa entrando em cena.

Ulisses da Motta Costa fingindo que dirige. :D

"Calma, Kassandra. É só o mundo lá fora".

Tchau e até o próximo post!