Paciente: Sexo feminino. Vinte anos.
Estresse pós-traumático. Alucinações visuais.
Avistamentos de um vulto, o "homem grande".
Cartas de tarô, de origem desconhecida.
Muda.
Mora só.
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sexta-feira, 8 de março de 2013

Todas as mulheres de Kassandra



Ano passado, nós já tínhamos rendido merecidas homenagens às mulheres maravilhosas que se dedicaram intensamente à realização de Kassandra. Porém, desde então, o time feminino aumentou -- e nunca é demais lembramos do envolvimento de pessoas tão incríveis neste projeto.

Até porque este filme trata de mulheres, tem uma mulher como sua heroína e, como eu comentei nestes dois textos, há algo de intrinsecamente feminino na narrativa de terror/horror -- uma vingança sobre os verdadeiros terrores do mundo masculino? Enfim, não vem ao caso.

A primeira pessoa convidada para o curta foi uma mulher, a própria Renata Stein, protagonista do filme; as últimas também foram mulheres: as musicistas Isadora Raymundo e Mariele Giovanaz, que deram a Kassandra a voz que a personagem não tinha. Um círculo tão perfeito que parece até que pensamos nisso.

Tenho as melhores memórias de cada uma das gurias do filme. Da Renata são inúmeras, mas gosto da nossa primeira conversa, ela comendo um cheescake e dizendo para mim: "Eu vou pensar, Uli, mas na verdade eu já topei". Da Ramona Barcellos, nossa "chefa", eu lembro de pensar que não haveria ogro que não tremesse na frente daqueles olhos praticamente sem fim de tão azuis. 

Depois vieram o grupo de ex-alunas minhas, todas meninas talentosíssimas de espírito único: a Giulia De Cesero da risada incontida, a Isabela Boessio dos olhos verdes imensos, a Marina Cardozo incansável que não arredava o pé do set por motivo nenhum do mundo. Marina, aliás, que proferiu ao final da segunda diária um "Eu amo muito essa equipe", resumindo o ambiente das filmagens. E a Suzana Witt, talvez a atriz mais generosa que eu conheci, nunca dizendo não quando chamada para dar jeito em abacaxis nos nossos projetos (mesmo quando não atua).

A menos de um mês antes de começarmos a rodar, completa a equipe a infalível Ana Gusson -- que, entre formatura e a finalização do seu próprio curta, conseguiu se dedicar a Kassandra de corpo e alma (invejo essa capacidade, juro). Para as filmagens, ajuda extra da linda Cristina Salib (que aceitou fazer claquete numa diária apenas porque gosta de nós) e da minha amiga de velha data, Elena Meneghetti, que topou a proposta indecente de estrelar o "filme dentro do filme" com um desprendimento que ninguém acreditava possível.

E, nos últimos meses, uma constelação de artistas incríveis e seus instrumentos divinos: a musa Ingrid Bonini e sua voz linda; a Mariele com seu canto perfeito; a Isadora e seu violino melancólico; a Lígia Tiemi Sumi e seus inacreditáveis brinquedos tecnológicos que estão transformando a imagem de Kassandra no sonho em preto-e-branco mais lindo que eu já tive. 

Hoje, o dia não é para dar parabéns a vocês; hoje é o dia de agradecer por tudo que vocês têm feito por este filme. Sem vocês, seríamos um bando de homens perdidos, achando que sabem o que estão fazendo (e rezando para não dar nada errado).

Então... Obrigado, gurias. Cês são foda!

Ulisses da Motta Costa

Legenda da foto: No alto, da esq. para a dir: Cristina Salib (claquete), Isadora Raymundo (violino), Giulia De Cesero (figurino), Ramona Barcellos (produtora), Ana Gusson (diretora de arte), Isabela Boessio (figurino).
Embaixo, da esq. para a dir: Mariele Giovanaz (voz), Marina Cardozo (2a assistente de direção), Lígia Tiemi Sumi (finalização de imagem), Suzana Witt (atriz), Ingrid Bonini (atriz), Elena Meneghetti (estrela do "filme dentro do filme")
Ao centro: Renata Stein (atriz)

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Entrevista: Suzana Witt, coadjuvante de luxo

Suzana Witt e o diretor Ulisses da Motta Costa se conheceram primeiramente como aluna e professor, na oficina de cinema que existe na escola em que a atriz cursou o Ensino Médio. A inclinação pelas artes, o talento e a força de vontade chamaram a atenção de Ulisses, que chamou-a para ser assistente de direção um ano depois dela sair da escola, no curta Ninho dos Pequenos. Desde então, ela tem atuado nesta função em outros trabalhos da Ampli Produtora, e foi "promovida" ao posto de atriz em Kassandra.

E de cara ela teria que fazer dois papeis: um usando apenas a voz (a mulher que telefona para Kassandra) e outro usando apenas o corpo (uma prostituta que acompanha o asqueroso vizinho que assedia a protagonista). No fim das contas, o resultado saiu um pouco diferente do imaginado. Leiam na entrevista:


Você faz um papel pequeno em Kassandra, praticamente uma coadjuvante de luxo. No entanto, você acompanhou boa parte do processo de pré-produção. Mesmo não aparecendo tanto no filme, ainda assim é importante acompanhar o seu desenvolvimento?

Suzana: "Coadjuvante de luxo" é ótimo! Hahaha. Eu concordo com essa denominação, porque acho que é bem isso... A figura da prostituta aparece pra incrementar a personagem do vizinho que o Leandro Lefa faz.  A prostituta e a regata suja de café são, na minha opinião, essenciais para o vizinho! 

Sobre acompanhar a pré-produção, sim; Para mim, especialmente no caso de Kassandra, foi importante acompanhar a equipe antes das gravações. Digo isso porque, além dos encontros facilitarem o entendimento de todo o roteiro -- que acredito que toda a equipe tenha que ter, independentemente de cargo que desempenhe na produção --, pude também conhecer o pessoal "novo" da equipe e sentir como seria estar do outro lado das câmeras, sendo gravada por gente que eu já conhecia. Por já ter trabalhado com vários dos integrantes da equipe de Kassandra anteriormente, porém fazendo assistência de direção, estava curiosa para ver como seria estar atuando em um dos "nossos" -- dá pra chamar de nossos? -- filmes. Ver todo mundo antes e estar com os outros atores tornou a coisa toda mais confortável. 

Entre a equipe, havia ex-colegas suas de escola: as figurinistas Isabela Boessio e Giulia De Cesero e a continuísta Marina Cardozo. Como é este reecontro num outro universo? O que muda?

Suzana: O reencontro é muito bom. A Isa e a Giulia eu não via fazia quase um ano, porque elas tinham ido pra Inglaterra fazer intercâmbio e eu ainda não tinha visto elas na volta. Mas tudo é muito diferente! Acho que por mais fatores do que apenas o ambiente e as funções que a gente tava desempenhando, mas com certeza esse é um dos motivos.

A Marina, que não era minha colega na escola, foi das três gurias a que eu mais vi depois de me formar, na verdade! Porque a gente se viu muito no Clarice/Tom, que fizemos no ano anterior*. Acho que a gente inclusive conversa mais agora do que na época da escola, porque estamos sempre nas tuas produções. Descobri várias identificações com a Marina depois dos trabalhos que fizemos juntas! Talvez a gente já tivesse todas essas coisas em comum na época da escola, mas aí cada uma tinha "sua turma", literalmente, sabe? O que eu acho mais legal da Marina é que o riso dela tem a capacidade de me deixar muito a vontade!

Ver a Isa e a Giulia também foi muito bacana; as gurias tão muito profissionais. Elas sempre foram as gurias mais estilosas da turma na escola, e o gosto por moda virou mesmo profissão. Aí, ao mesmo tempo, foi engraçado... a Isa é minha amiga de infância e adolescência, e as duas eram minhas amigas e companheiras de festas no ensino médio! Durante as gravações, a gente conseguiu conversar um pouco, mas no geral estávamos desempenhando -- lindamente, diga-se de passagem -- nossos papéis (risos). As relações são mais distantes do que nas festas e nas brincadeiras de Barbie, por exemplo... mas ao mesmo tempo o carinho continua, e dá pra sentir isso. No geral, acho que rever as gurias nas gravações fez com que eu me sentisse a vontade... e feliz.

Você inicialmente apareceria como a prostituta, que não teria falas, e gravaria os diálogos de uma pessoa que fala com Kassandra pelo telefone. Porém, você e Leandro Lefa acabaram improvisando diálogos na cena com a prostituta e outra atriz teve que gravar a voz no telefone. Conte como surgiu o improviso e como aconteceu esta substituição.

Suzana: Eu conheci o Lefa no dia da gravação, se não me engano. Se não tô louca, ele já me conheceu vestida com o figurino da prosti, até porque lembro que depois da gravação coloquei minha roupa mesmo, tirei a maquiagem e aí ele disse "Nossa, é muito diferente" (risos). Mesmo assim, a improvisação não teve muito mistério: quando o diretor nos pediu para improvisar, disse "combinem o preço de alguma coisa, algo assim"; foi o que a gente fez, e revendo a cena agora acho que deu super certo!

Com isso de a prostituta ter falas, achamos melhor que outra pessoa fizesse a a voz do telefone. A convidada para esse papel foi a Ingrid  Bonini. Com a Ingrid nós gravamos outro curta, o Luz Natural, em novembro do ano passado. Acho que é uma boa ela ter feito a voz do telefone por dois motivos: primeiro, não confundir com a minha voz (a dela é bem diferente da minha!); segundo, porque pelo que conhecemos da voz dela em Luz Natural, acho que ela vai conseguir dar um tom grave e pesado ao que é dito no telefone, o que vai ficar beeeem legal.

*Piloto de web série desenvolvido pela mesma equipe de Kassandra

domingo, 20 de janeiro de 2013

A voz que faltava em Kassandra

Kassandra recebeu nesta semana um reforço no elenco. É a atriz Ingrid Bonini, que foi chamada para fazer a misteriosa voz que fala com a protagonista por telefone -- ou, como se descreve no roteiro, a Voz ao Telefone. 

Ingrid Bonini contracena com o filme já montado
Inicialmente, quem faria esta voz seria Suzana Witt, que também faz o papel da prostituta que aparece rapidamente no filme. Incialmente, este acúmulo de funções era possível porque o roteiro planejava apenas uma fala para a garota de programa. Contudo, durante as filmagens Suzana improvisou alguns diálogos que permaneceram na montagem -- e, atualmente, a equipe de som formada por Roberto Coutinho e Leandro Lefa achou que a mesma voz em dois personagens poderia soar estranho, por mais que a atriz fizesse entonações diferentes.

Com a aprovação da própria Suzana, o diretor Ulisses da Motta Costa convidou Ingrid para então emprestar seu timbre grave e sedoso ao filme. Eles trabalharam recentemente no curta experimental Luz Natural, que será finalizado após o término de Kassandra. Junto com o terapeuta, interpretado por Maico Silveira, a Voz ao Telefone é o único personagem com falas em destaque na narrativa, o que representava um desafio a mais para a atriz: criar um interpretaçao vocal de um dia para o outro, e sem contracenar com ninguém a não ser com as imagens já filmadas há um ano atrás. 

A gravação foi feita num estúdio improvisado pelo engenheiro de som Roberto Coutinho dentro do próprio apartamento onde Kassandra foi rodado. Por mais que o resto do elenco não estivesse junto, manteve-se a tradição de levar todos os atores para dentro da casa da nossa heroína.