Paciente: Sexo feminino. Vinte anos.
Estresse pós-traumático. Alucinações visuais.
Avistamentos de um vulto, o "homem grande".
Cartas de tarô, de origem desconhecida.
Muda.
Mora só.
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terça-feira, 28 de outubro de 2014

Três prêmios no CineSerra!



Kassandra fez bonito na premiação da segunda edição do CineSerra (Festival Audiovisual da Serra Gaúcha). Em premiação que ocorreu no dia 26/10, no último domingo, no Teatro do Sesc de Caxias do Sul, o curta recebeu três prêmios na categoria Ficção Estadual (acima).

Levamos para casa as seguintes categorias:

  • Melhor Fotografia para Pablo Chasseraux, Esse é seu segundo prêmio pelo preto-e-branco do filme -- o primeiro foi no Festival de Gramado.
  • Melhor Direção de Arte para Ana Gusson. Kassandra é apenas seu segundo curta assinando a função. O primeiro, o belo A Princesa e a Ervilha, pode ser visto aqui
  • Melhor Trilha Sonora para Chico Pereira, que trabalha com o diretor Ulisses da Motta Costa desde o primeiro curta de ambos, O Gritador (2006). Esse é o primeiro prêmio recebido pelo compositor pelo seu trabalho com trilhas. 
A lista de todos os vencedores pode ser vista aqui. Vale ressaltar que Kassandra está 100% de aproveitamento quando selecionado para mostras competitivas!

Abaixo, transcrevemos os textos escritos pelo diretor Ulisses da Motta Costa e pelo compositor Chico Pereira nos seus perfis de Facebook:

Ulisses:

Enfim, na ordem de recebimento: Melhor Trilha para Chico Pereira (e eu sei o quanto que esse prêmio é importante pra ti, meu amigo, e que ele te mostre que o caminho que tu optou seguir está certo), Melhor Direção de Arte para a Ana Gusson (e confesso, Aninha, que fiquei emocionado ao ouvir teu nome ser anunciado: lembrei quando tu me agradeceu dizendo "obrigado por ter acreditado em mim", porque tu achava que eu estava te convidando para ser tipo assistente de arte, e não a encarregada da área toda), Melhor Fotografia (o segundo que o Pablo Chasseraux recebe pelo filme -- e eu acho que ainda é pouco e que ele merece muito mais).
Junto, agradecimentos a todos que atuaram diretamente com os vencedores: Marcelo SantosLígia Tiemi SumiVictor Hugo FiuzaJack RitterRamona Barcellos, as gurias do figurino e maquiagem Isabela Montano Boessio e Giulia De Cesero -- e um super agradecimento ao Roberto Coutinho, por ter auxiliado não só o Chico na trilha em longas gravações no Ampli Studio, como também a Ana nas correrias da arte. Tu é o cara!

Chico:
Há quase 2 anos, tomei uma decisão importantíssima: larguei o jornalismo para me dedicar aos projetos de música. Trabalhos estes que foram aparecendo cada vez mais, até chegar em 2014 e eu poder me orgulhar de estar em duas bandas incríveis, dando aulas de guitarra e violão e compondo músicas para filmes, publicidade e games.

(...)

O resultado de toda esta parte do ônus é que cheguei no final de outubro esgotado, mental e fisicamente. Viver trabalhando com cultura e arte é uma luta infinita, uma briga na qual a gente entra sempre sem armas nas mãos, e um processo constante de ter que provar pra todo mundo que o teu trabalho é bom e merece atenção.

Pois eu havia chegado num ponto em que não estava convencendo nem a mim mesmo disso.

Daí ontem de noite recebo duas mensagens de celular, do Ulisses e do Lefa, me dizendo que eu havia ganho o troféu de melhor trilha sonora no Cine Serra, em Caxias do Sul. E este prêmio me deu uma enorme sensação de alívio.

Prêmios e troféus não são a garantia de que o teu esforço e trabalho são ótimos, maravilhosos e etc. Mas são um baita incentivo, e podem salvar uma carreira.

Por isso, por este prêmio, agradeço:

1 - Ao Ulisses, por sempre me chamar para fazer as trilhas dos filmes que ele dirige (e eu sei que tu não faz isso somente por gostar do meu trabalho, portanto, obrigado demais pela amizade, parceria e incentivo);

2 - Ao Leandro Lefa, pela amizade e afinidade de trabalho que construímos desde "O Gritador";

3 - Ao Roger Monteiro, por dizer as palavras certas nos momentos certos e deixar alguns momentos difíceis e de descrença um tanto quanto mais sarcásticos e divertidos;

4 - À Renata Stein, pela atuação inspirada e por me deixar criar uma voz para a tua personagem;

5 - À minha família, pelo incentivo sempre;

6 - À Cibele, por não me deixar desistir em nenhum momento e por ser minha parceira de vida, te amo;

7 - Ao Roberto, meu grande amigo nesta vida e principal companheiro de trabalho, por todo o esforço colocado na engenharia desta trilha sonora e em todos os trabalhos que fazemos juntos (aliás, eu não poderia estar em melhores companhias ontem à noite quando recebi a notícia do prêmio, Bel e Roberto). Este troféu vai ficar no Ampli Studio , como agradecimento e para nos lembrar, todos os dias, que somos capazes de fazer grandes coisas juntos.

Muito feliz, emocionado, agradecido, e pronto pra seguir este caminho. Mais do que nunca, sei que tô no rumo certo.

Ps: PARABÉNS, Ana Gusson e Pablo Chasseraux, vocês mereceram MUITO!

Ps2: Mariele e Isadora, muito obrigado por toparem meu convite para participar da trilha. Vocês foram DEMAIS, e acho que nunca agradeci vocês o suficiente.

sexta-feira, 8 de março de 2013

Todas as mulheres de Kassandra



Ano passado, nós já tínhamos rendido merecidas homenagens às mulheres maravilhosas que se dedicaram intensamente à realização de Kassandra. Porém, desde então, o time feminino aumentou -- e nunca é demais lembramos do envolvimento de pessoas tão incríveis neste projeto.

Até porque este filme trata de mulheres, tem uma mulher como sua heroína e, como eu comentei nestes dois textos, há algo de intrinsecamente feminino na narrativa de terror/horror -- uma vingança sobre os verdadeiros terrores do mundo masculino? Enfim, não vem ao caso.

A primeira pessoa convidada para o curta foi uma mulher, a própria Renata Stein, protagonista do filme; as últimas também foram mulheres: as musicistas Isadora Raymundo e Mariele Giovanaz, que deram a Kassandra a voz que a personagem não tinha. Um círculo tão perfeito que parece até que pensamos nisso.

Tenho as melhores memórias de cada uma das gurias do filme. Da Renata são inúmeras, mas gosto da nossa primeira conversa, ela comendo um cheescake e dizendo para mim: "Eu vou pensar, Uli, mas na verdade eu já topei". Da Ramona Barcellos, nossa "chefa", eu lembro de pensar que não haveria ogro que não tremesse na frente daqueles olhos praticamente sem fim de tão azuis. 

Depois vieram o grupo de ex-alunas minhas, todas meninas talentosíssimas de espírito único: a Giulia De Cesero da risada incontida, a Isabela Boessio dos olhos verdes imensos, a Marina Cardozo incansável que não arredava o pé do set por motivo nenhum do mundo. Marina, aliás, que proferiu ao final da segunda diária um "Eu amo muito essa equipe", resumindo o ambiente das filmagens. E a Suzana Witt, talvez a atriz mais generosa que eu conheci, nunca dizendo não quando chamada para dar jeito em abacaxis nos nossos projetos (mesmo quando não atua).

A menos de um mês antes de começarmos a rodar, completa a equipe a infalível Ana Gusson -- que, entre formatura e a finalização do seu próprio curta, conseguiu se dedicar a Kassandra de corpo e alma (invejo essa capacidade, juro). Para as filmagens, ajuda extra da linda Cristina Salib (que aceitou fazer claquete numa diária apenas porque gosta de nós) e da minha amiga de velha data, Elena Meneghetti, que topou a proposta indecente de estrelar o "filme dentro do filme" com um desprendimento que ninguém acreditava possível.

E, nos últimos meses, uma constelação de artistas incríveis e seus instrumentos divinos: a musa Ingrid Bonini e sua voz linda; a Mariele com seu canto perfeito; a Isadora e seu violino melancólico; a Lígia Tiemi Sumi e seus inacreditáveis brinquedos tecnológicos que estão transformando a imagem de Kassandra no sonho em preto-e-branco mais lindo que eu já tive. 

Hoje, o dia não é para dar parabéns a vocês; hoje é o dia de agradecer por tudo que vocês têm feito por este filme. Sem vocês, seríamos um bando de homens perdidos, achando que sabem o que estão fazendo (e rezando para não dar nada errado).

Então... Obrigado, gurias. Cês são foda!

Ulisses da Motta Costa

Legenda da foto: No alto, da esq. para a dir: Cristina Salib (claquete), Isadora Raymundo (violino), Giulia De Cesero (figurino), Ramona Barcellos (produtora), Ana Gusson (diretora de arte), Isabela Boessio (figurino).
Embaixo, da esq. para a dir: Mariele Giovanaz (voz), Marina Cardozo (2a assistente de direção), Lígia Tiemi Sumi (finalização de imagem), Suzana Witt (atriz), Ingrid Bonini (atriz), Elena Meneghetti (estrela do "filme dentro do filme")
Ao centro: Renata Stein (atriz)

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Entrevista: Ana Gusson, diretora de arte

Ana Gusson é uma jovem diretora de arte, mas já requisitada no mercado. Sua participação em Kassandra foi emendada antes e depois com variados projetos, incluindo o curta A Princesa e a Ervilha, realizado como parte do seu trabalho de conclusão em design pela ESPM Porto Alegre.

Confira como foi o trabalho da arte num filme preto-e-branco, repleto de elementos:




Qual o aspecto mais interessante que você vê em Kassandra? Especialmente na questão do conceito visual do filme?

Ana: Me admira a capacidade da história de transitar entre o sombrio e o delicado e inocente, de forma natural. Da mesma forma, o conceito visual do filme, centralizado no preto-e-branco, faz o mesmo movimento. Foi muito interessante trabalhar em torno dessa perspectiva. Um mesmo cenário/objeto, mostrado duas vezes, muda sua personalidade sem ter passado por uma transformação. Para que isso desse certo, direção, fotografia, arte, atuação, tudo teve que ser muito bem trabalhado e sintonizado.

Além disso, quando li no roteiro os objetos da história, sempre precisos, fizeram com que eu me apaixonasse pelo projeto. A história toda se conecta através deles, tanto na questão narrativa quanto na visual. Achei fascinante.

Qual era o maior desafio para a arte em Kassandra? Era o fato do filme ser em preto-e-branco?

Ana: Sim, o fator preto-e-branco foi um desafio e tanto. Geralmente, um dos maiores esforços da arte é a busca pela paleta de cores certa para cada filme, cada cena, cada sentimento. No caso de Kassandra, as cores deixaram de ser uma preocupação maior, para dar lugar às texturas e aos contrastes.

Trabalhar com preto e branco pode parecer muito fácil, quando na verdade é bastante complexo. Nem sempre as cores, quando transpassadas para os tons de cinza, reagem da forma como esperamos. O vermelho foi o nosso maior desafio, pois ao invés de se tornar um tom escuro e denso, virou um pobre e pálido cinza.

Ainda assim, acho que o maior desafio da arte de verdade foi tentar criar um conceito visual que refletisse a delicadeza e a fragilidade da personagem, sem negar o seu lado obscuro. O preto-e-branco foram extremamente cruciais pra construir essa imagem, mas tivemos de ter muita cautela pra não exagerar nos cenários ou peso visual dos objetos, de forma que eles não quebrassem a delicadeza e cair só no sombrio. 

Fale um pouco sobre a locação do filme: onde era, como foi trabalhar lá, as facilidades e dificuldades a respeito dela.

Ana: Trabalhar em locação não é fácil, todo o cuidado é pouco. Ainda mais tendo cenas com sangue, brigas e mortes (pode falar?) em meio a móveis e objetos emprestados (delicados, valiosos, frágeis, e a lista segue longe), cujos donos estão confiando no profissionalismo da equipe. Alguma coisa sempre acontece pra perturbar a paz. Se não é o sangue falso melequento escorrendo no sofá, é um tropeço no pé da mesa com tampo de vidro. Repito: todo cuidado é pouco! Haja produção de set pra segurar as pontas.

A nossa locação era ótima. Além de muito adequada às necessidades e ao conceito do filme, o espaço era amplo e muito do que havia no local foi utilizado na arte. Poucas foram as preocupações com relação à adaptação do apartamento. As dores de cabeça se concentraram mais no compromisso de manter o lugar em ordem da forma como nos foi emprestado.



Ana analisando o apartamento onde Kassandra foi filmado


Você estava recém-terminando sua graduação em design e assumiu a direção de arte de Kassandra. Como é ter essa responsabilidade assim, no início da carreira, junto com uma equipe que tem profissionais que estão há mais tempo no mercado?

Ana: Já havia trabalhado com o diretor Ulisses Costa e a equipe antes, mas em uma produção bem menor. A proposta de Kassandra era completamente diferente e bem mais desafiadora. Quando recebi o convite para participar da equipe de Kassandra como diretora de arte, confesso que duvidei no início, achei que fosse brincadeira (risos). Até achei que o Ulisses tinha se confundido e que eu ia ser assistente de arte. Isso sim parecia mais plausível. Mas quando percebi que a confusão era só da minha parte mesmo, não deu pra deixar de me sentir muito feliz, sinal de que gostaram do meu trabalho, né?

Li o roteiro e adorei, isso por si só me deu muita vontade de fazer um bom trabalho, estar em uma equipe repleta de profissionais competentes e mais experientes do que eu só me motivou a buscar um nível ainda mais alto. Além disso, as experiências anteriores dos outros membros da equipe me ajudaram e me ensinaram muito. Só tenho a agradecer por estar em meio à profissionais incríveis que me inspiraram e me apoiaram muito.

Você fez um curta-metragem para o seu trabalho de conclusão, A Princesa e a Ervilha, que também tem elementos de fantasia. O que você pôde aproveitar daquele projeto em Kassandra?

Ana: A Princesa e a Ervilha foi uma experiência e tanto, me ensinou muito sobre direção de arte e a realização audiovisual como um todo. Mas a atenção aos detalhes foi o que mais me marcou e que em seguida aproveitei em Kassandra. Ambas são histórias de suspense e suas narrativas são pontuadas por pequenos elementos determinantes ao destino dos personagens. Identificar e destacar esses elementos é o ponto de partida para a construção do visual do filme, esse “método”, digamos assim, me ajudou muito em Kassandra.

Durante o processo de crowdfunding, você foi uma das pessoas da equipe que mais divulgou e mobilizou pessoas para que a meta de arrecadação fosse atingida. Como foi a emoção deste processo e qual é a importância do financiamento coletivo para o projeto de Kassandra?

Ana: Foi muito emocionante ver meus familiares e amigos ajudando o projeto. Todos gostaram muito da proposta do filme e quiseram colaborar. E por mais contente que eu ficasse a cada contribuição, os próprios contribuintes é que eram os mais empolgados. Ver o envolvimento de pessoas queridas foi muito bacana, de verdade. O processo do. financiamento coletivo sempre esteve nos planos do curta, uma grande parte dos gastos seria coberta por ele. A maior evidência de que o sucesso do financiamento foi muitíssimo importante é que agora o lançamento de Kassandra já tá quase aí. ;)

domingo, 29 de julho de 2012

Um carioca em Kassandra


Victor Hugo Fiuza viveu uma experiência curiosa em Kassandra. Estudante de cinema na PUC-RJ e carioca da gema, foi convidado pelo diretor Ulisses da Motta Costa para vir ao Rio Grande do Sul ser assistente de direção. Ambos se conheceram no Festival de Gramado em 2009, quando fizeram parte do Júri Popular.

Além de ter trabalhado como primeiro assistente de direção durante as filmagens, Victor também assumiu a direção de fotografia adicional na terceira diária, devido a compromissos profissionais de Pablo Chasseraux -- o que só aumentou a resposabilidade e a importância dele dentro da equipe.

A seguir, as impressões do próprio Victor nos dias em que passou filmando em terras gaúchas. 


A Experiência de fazer Kassandra


Quando meu avião decolou de Porto Alegre, sentido Rio de Janeiro, a minha sensação era de deixar um território especialmente familiar para mim. Da janela, eu não via só uma paisagem que se afastava, perdendo sua definição; via elementos tão aleatórios quanto o chimarrão, uma cerveja Polar e a expressão “Bah”, agora tão próximos de mim, se afastando. Via lugares e principalmente, pessoas. Esse é um dos estranhos poderes do cinema: te permitir entrar em um lugar sem nenhuma fronteira do tempo (e sua duração), com uma intensidade muitas vezes fora de controle. O cinema é uma fábrica de laços. 

Sou do tipo de pessoa que acredita que uma câmera cinematográfica capta muito mais que aquilo que é encenado diante dela. Ela é capaz de captar seu entorno; a atmosfera que a envolve. Não creio que apenas os atores construam cada plano do filme; acho que dentro de cada imagem, estão as aspirações e sentimentos de toda uma equipe de pessoas. Nesse sentido, estou quase convicto em dizer que Kassandra será um filme invariavelmente especial, posto que o que se conseguiu construir em termos de relações humanas em direção e em torno do filme, foi de uma beleza realmente artística. 

Tudo isso não se trata apenas de uma competência técnica dos membros da equipe e do brilhante elenco, mas principalmente da capacidade de doação e de relacionamento interpessoal que envolveu o filme. Se ao descobrir que teríamos um número acima da média de planos por dia (geralmente são 15; fizemos mais que o dobro disso diariamente) e que teria bons motivos pra me preocupar (já que isso tornaria a filmagem muito mais difícil e complexa, além de arriscada, e meu trabalho envolve diretamente a gerência dessas questões no set), foi somente essa condição de equipe e elenco que permitiu a concretização de Kassandra de uma maneira profundamente eficaz. Isso não é tão comum, seja em curtas, longas ou na TV. 



Mérito do poder invejável de decisão e controle do diretor Ulisses da Motta Costa, que sempre soube como conduzir não só aquilo que deveria se apresentar diante da câmera (ou seja, a encenação do filme), mas também o grupo que estava por detrás dela; a agilidade nunca comprometedora da fotografia de Pablo Chasserraux e sua equipe, sempre acalcando resultados surpreendentes; Ramona Barcellos e Roberto Coutinho (produção), por simplesmente terem cuidado de tudo e de todos nós; Ana Gusson, a diretora de arte, que torna impossível um set não ser agradável – além de estar, mesmo com todos os cenários prontos, sempre por perto; à Marina Cardozo, muito mais que uma continuísta; ao elenco, nunca menos que preparado e excepcional (Kassandra conta realmente com grandes atores – e eu gostaria de fazer uma menção especial à Renata Stein, a Kassandra do título, uma atriz jovem assustadoramente madura e talentosa); em suma, graças a todos. 

Acho que as pessoas podem esperar de Kassandra um filme que, além de cumprir seus méritos cinematográficos por si só, também fale sobre um tipo de cinema importante de ser feito e que deve ser valorizado, inclusive remetendo, regionalismos à parte, ao próprio cinema gaúcho (seja o de outrora, o do agora ou o do porvir). 

Da minha parte, fica uma certa saudade e uma vontade de novas produções no Rio Grande do Sul. Principalmente se for para trabalhar com pessoas como essas que fizeram e fazem Kassandra

Obrigado. 

Victor Hugo Fiuza (primeiro assistente de direção)

PS: Gostaria de agradecer especialmente ao eletricista Jô, pela ajuda especial que ele deu a mim no nosso terceiro dia de filmagens.

terça-feira, 3 de julho de 2012

A outra estrela de Kassandra


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Durante as filmagens de Kassandra, uma estrela em ascenção surgiu. Teria uma aparição pequena e pontual, quase desapercebida. Mas encantou a equipe. De que forma? Com seu aspecto soturno e ameaçador, que lhe garantiu cada vez mais destaque.

Estamos falando de Blá-Blá, a boneca. A história já previa desde o argumento: "o quarto antigo de Kassandra -- lá se acumulam vários brinquedos com aspecto assustador"; e manteve-se assim no roteiro.

Quem conseguiu a boneca foi a diretora de arte Ana Gusson. Na primeira reunião da equipe de arte, ela mencionou que a sua mãe teria preservado uma boneca da sua infância -- considerada assustadora por quase todo mundo. No set, Blá-Blá rapidamente virou atração, graças à sua capacidade de pôr a língua para fora quando apertada. O diretor de fotografia Pablo Chasseraux apelidou-a de "bichinho do inferno".

No fim das contas, a boneca foi usada em duas cenas-chave do curta, em destaque. E virou a terceira menina do elenco junto com Renata Stein e Suzana Witt. Pensando bem, Kassandra não poderia ter um brinquedo melhor

terça-feira, 17 de abril de 2012

Trivia de Kassandra: mudanças, improvisos e gambiarras

Alguém poderia dizer que cinema é a arte de planejar um mundo ideal no roteiro, fazê-lo como puder na filmagem e tentar salvar tudo na montagem. Muitos detalhes do que é planejado originalmente acabam sendo modificados em cima da hora por causa de algum problema qualquer. É nessa hora que a criatividade da equipe é testada.

Não raro, as novas ideias acabam melhores do que as originais. Confiram algumas mudanças que aconteceram em Kassandra nas suas primeiras filmagens, em janeiro. E impeça que mais delas aconteçam nos ajudando no nosso financiamento coletivo! É fácil e ainda tem brindes!


- A dublê de Kassandra: Renata Stein já tinha sido liberada e não estava mais no set, enquanto a equipe filmava planos de detalhes de objetos e cenário. Até alguém lembrar que num plano de uma porta se fechando, Kassandra precisaria aparecer ao fundo, fora de foco. Sem a atriz no set, o jeito foi a continuísta Marina Cardozo (acima) colocar o figurino da personagem, tirar os sapatos e sair correndo em frente à câmera.

- O Achocolatado de Kassandra: Na primeira versão da história de Kassandra, a personagem só se alimentava de miojo. O roteirista Roger Monteiro (que tem implicância com miojo) substituiu a massa por garrafas de achocolatado -- que precisavam ser de vidro. O mais próximo disso que a diretora de arte Ana Gusson conseguiu foram garrafas de molho de tomate -- devidamente esvaziadas, lavadas e depois sujas com gotas de achocolatado. Ah, sim: o molho foi usando para alimentar a equipe. Não é à toa que um dos almoços foi cachorro-quente...

- Luzes e sombras: Numa determinada cena, uma luminária precisava projetar sombras no cenário. Como o abajur feito por Ana Gusson não tinha luz necessária para tanto, o eletricista Jô rapidamente recortou algumas estrelas em pedaços de papelão, no mesmo padrão da luminária. Os papelões formavam um círculo que era girado manualmente em torno de um holofote, projetando as sombras com perfeição na cena.

- Passarinhos em fúria: Havia dois passarinhos em cena, um manon preto e um periquito albino. No roteiro era previsto que Kassandra seguraria um deles na mão. Como o periquito era mais agitado, a cena seria feita com o manon. Entretanto, quando Renata Stein pegou o bichinho, ele a bicou e saiu voando pela locação, sendo recapturado de maneira relativamente fácil. O diretor Ulisses Costa tentou fazer o passarinho se acalmar, segurando-o por algum tempo, mas a ave continuava bicando furiosamente. A ideia foi abandonada e, no lugar do pássaro, Kassandra iria brincar com um bonequinho de Mozart -- uma ideia que funcionou tão bem que foi reprisada no vídeo do crowdfunding de Kassandra.

- Comprimidos de Tic-tac: Os remédios que Kassandra toma eram simples Tic-tacs (sabor menta). Eles aparecem em apenas duas cenas: numa, a personagem engole um; noutra, os comprimidos estão espalhados pelo chão. Algumas caixas de Tic-tac foram compradas e deixadas na sala de apoio. Contudo, elenco e equipe roubavam alguns sempre que podiam. Resultado: quando se foi rodar a segunda cena, as pastilhas tinham acabado. A solução foi pegar uma cartela de Dramin e usar comprimidos de verdade no cenário.

quarta-feira, 7 de março de 2012

As Mulheres de Kassandra

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Oito de março é o Dia Internacional da Mulher. Isso pede uma homenagem às meninas que estão trabalhando em Kassandra.

Ramona Barcellos, a deusa-mãe

No papel de diretora de produção, Ramona tratou a equipe como se fosse uma vasta família que não deveria passar trabalho. Fora as horas dedicadas à organização e logísitca, assim que as filmagens começaram ela se internou a cozinhar ali mesmo, no apartamento que servia de locação, para baratear os custos do curta.

Por Roberto Coutinho (produtor e engenheiro de som): "É muito bom trabalhar com uma mulher como a Ramona! Eficiente, responsável, atenciosa e organizada. Ela consegue manter a seriedade e ao mesmo tempo ser uma pessoa extremamente agradável e querida".
Por Victor Fiúza (assistente de direção): "Uma produtora que eu gostaria imensamente de trabalhar outras muitas vezes, já que ela dosa os atributos necessários para a gerência da produção ao mesmo tempo em que sustenta uma calma e controle reconfortates".
Por Ulisses da Motta Costa (diretor): "Quando a Ramona te olha com aqueles olhos infinitamente azuis e te pergunta 'mas será que vai dar certo?', tudo que tu quer é fazer o teu trabalho direito pra não decepcionar a 'chefa'".

Ana Gusson, a guerreira amazona

Ana era incansável, fosse no cumprimento de seu papel como diretora de arte, seja no cumprimento de qualquer outra tarefa. Quando tinha terminando o seu trabalho, ia imediatamente ajudar outra pessoa. Isso, claro, fora o acréscimo estético que ela deu aos cenários e ao visual do curta como um todo.

Por Roberto: "Se você ainda não conhece a Ana, está perdendo tempo! Mesmo cansada e estressada, ela está sempre com um sorriso no rosto. Não tem como ficar de mau humor ou entediado na presença dela. E para completar, é a melhor diretora de arte com quem já trabalhei!"
Por Ulisses: "Ela tem aquele jeito fofo que só as pessoas sem medo têm: a Ana não tem medo de te abraçar forte quando te encontra - e não tem medo de levantar a voz até pro diretor se achar necessário..." 
Por Maico Silveira (ator): "Uma doce menina que se assusta com qualquer oi".

Suzana Witt, a psiquê

Suzana consegue ser a alma das coisas mesmo quando tem um trabalho rápido para fazer. Não dá bola ao status de ser atriz e envolve-se rapidamente no meio da equipe, exercitando a tranquilidade que ela expressa na tela.

Por Leandro Lefa (ator): "A Suzana tem uma naturalidade invejável, parece ter anos de experiência com câmera. Melhor: parece que nem tinha uma câmera lá, só a Suzana, mandando ver".
Por Daniel Coutinho (publicitário do filme): "A Suzana é uma atriz de muito talento e uma pessoa muito querida. É um prazer trabalhar ao lado dela. Competência dentro do set de filmagem e ótima companhia para um bom papo e boas risadas nos bastidores".

Marina Cardozo, todas as musas em uma

A continuísta de Kassandra (que atuou como assistente de direção quando necessário) sabe fazer qualquer coisa de caráter artístico. Nos intervalos das filmagens, era fácil vê-la pintando num Ipad ou cantarolando. Mesmo na folga, ela continua fazendo arte - mantendo a empolgação sempre.

Por Roberto: "Além de ser uma grande parceira para indiadas, por mais chatas, idiotas e sem-noção que sejam, a Marina é a menina mais polivalente que eu conheço. Cada vez descubro uma nova faceta artística: escritora, bailarina, pintora, musicista, diretora, atriz, gourmet... Existe algo que a Marina não saiba fazer?"
Por Daniel: "Pessoa comprometida com trabalho e que está sempre de bom humor. A Marina é muito espontânea e divertida. Uma companhia muito querida dentro e fora do set de filmagem".

Isabela Boessio e Giulia De Cesero, as ninfas

Se uma risada ecoasse pela locação (e, às vezes, fora dela), todo mundo sabia: só poderiam ser as figurinistas Isabela e Giulia, também responsáveis pela maquiagem. Além dos risos, dedicação: Isabela chegou a "matar" sua prova de direção para estar no set, e Giulia convenceu o namorado a levá-la de carro às pressas para a locação para que todo o figurino estivesse à disposição antes do início da filmagem.

Por Ulisses: "Ter as duas na equipe é uma tranquilidade, sabemos que não teremos que nos preocupar com o figurino porque elas darão jeito em tudo, nem que o mundo esteja caindo. Fora, claro, que elas são lindas e curtem o programa de índio que é fazer um filme".
Por Chico Pereira (compositor): "Elas dão muita risada. Só isso já bastaria para todo mundo gostar delas. Mas, ainda por cima, elas são talentosas".

Renata Stein, a perséfone

Como a deusa da mitologia grega, Renata viveu em dois mundos. Apesar do jeito alegre e doce, não teve medo de mergulhar nas trevas para poder dar vida (e medo e angústia e ira) para a personagem-título de Kassandra, numa entrega que espantou a equipe.

Por Leandro Lefa: "A Renata faz a gente se sentir pequeno. É que a gente olha pra ela e percebe que ela tá pensando um milhão de coisas e parece que no "ação" um universo todo vai se criar pra complementar a atuação dela. Acho que de fato isso acontece".
Por Victor: "Atriz jovem, mas com profissionalismo e devoção ao ofício latentes, revelando uma maturidade precoce, em desenvolvimento e que por consequência, abre grandes espectativas por o que está por vir de seu trabalho". 
Por Chico: "Uma pedrinha preciosa. Um monstrinho como pessoa, no melhor sentido da palavra. Um monstro como atriz, no melhor sentido da palavra. E essas duas Renatas não parecem a mesma pessoa, o que prova o talento dessa guria para a atuação". 
Por Maico: "Menina de poucas palavras quando está trabalhando. Porque quando é a folga..."

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Do elenco: Leandro Lefa


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Ele ficou para o final, mas é importantíssimo: Leandro Lefa faz um dos principais personagens de Kassandra, um bizarro vizinho sem nome que representa uma ameaça à protagonista. No entanto, foi o último ator escalado para o filme.

De acordo com o diretor Ulisses Costa, a dificuldade estava em encontrar alguém que se diferenciasse fisicamente dos outros homens do elenco. "Roger Monteiro, o roteirista, tinha uma ideia de alguém mais velho e possivelmente mais corpulento", lembra ele. "Mas eu tinha medo que se confundisse com a imagem do Homem Grande". 

Ulisses escolheu Leandro Lefa por também ser conhecido de longa data. Ele foi um dos atores de O Gritador, primeiro curta do diretor. A promessa de trabalharem novamente permaneceu e mais de um projeto foi pensado para reatar a parceria, mas nenhum foi para a frente. Pesou o fato também de Lefa já ter experiência no cinema de terror -- participou do quase lendário Porto dos Mortos, um filme de zumbi rodado em Porto Alegre e que permanece inédito no circuito comercial.

A caracterização do personagem precisava ser muito específica. Apesar da agenda apertada do ator, ele conseguia mandar fotos por e-mail para a equipe, dando ideias de figurino, maquiagem, expressão facial e corporal (como na foto abaixo). "Apesar de não termos tido tempo para ensaiar como fizemos com a Renata, por exemplo, a dedicação do Lefa foi essencial para que o personagem estivesse pronto quando precisássemos dele no set", conta o diretor. 

Teste de figurino e maquiagem feito pelo próprio ator e mandado por celular para a equipe.
"Mérito do Uli: com inteligência e sensibilidade, ele sabe dizer exatamente o que quer construir e a coisa flui", diz o ator por sua vez. "A partir do roteiro, bastaram um café e 3 minutos de exercício de improvisação pra eu me sentir plenamente seguro e a vontade com meu personagem e com toda a equipe, sobretudo o restante do elenco".

Café? Sim: nas primeiras cenas em que participou, Lefa precisava parecer imundo. A diretora de arte Ana Gusson sugeriu que uma camiseta tipo regata fosse suja com café, para deixar uma aparência molambenta na fotografia em preto-e-branco. No fim das contas, o ator ficou usando a roupa úmida e com forte cheiro de café por várias horas, o que rendeu dúzias de piadas por parte de Renata Stein.

Sobre trabalhar em mais um filme de terror, Leandro comenta: "busquei criar um cara sem profundidade, impulsionado pelo sexo e que acha divertido ser nojento e causar repulsa. Interessante que em Porto dos Mortos também fiz um cara intelectualmente limitado e que por isso não sabe se portar como indivíduo, mas são personagens completamente distintos".

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

A dificuldade de se trabalhar com sangue

 
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Um elemento cênico deu trabalho a mais para a equipe de Kassandra durante as primeiras filmagens, devido à sua imprevisibilidade: o sangue falso. Parece estranho? Pois é: trabalhar com líquidos foi um trabalho exaustivo, ainda mais quando se usava maiores quantidades no set.

Na segunda-feira, o trabalho foi redobrado: foi necessário uma hora e meia para fazer apenas dois planos de câmera. Num deles, um dos integrantes do elenco precisava ficar com sangue na boca. Entre cada take, a correria era intensa para limpar cenário, figurino e pessoa -- e achar algum recipiente onde se pudesse cuspir parte do sangue.

Mais difícil foi o plano em que o rosto de Kassandra precisava ser respingado com sangue. O diretor Ulisses da Motta Costa se posicionou na frente da protagonista Renata Stein, para lançar pingos com os dedos. No primeiro take, a mão do diretor vazou e apareceu na câmera. Ulisses então se afastou um pouco de Renata e fez o segundo take de um pouco mais longe. 

O diretor lançou vários respingos, que acertaram em inúmeros lugares: no chão, na cortina do cenário e na continuísta Marina Cardozo -- mas nenhuma gota em Renata. A diretora de arte Ana Gusson e o produtor de set Roberto Coutinho se lançaram furiosamente à tarefa de limpar o sangue, enquanto um vencido Ulisses mudava o enquadramento para facilitar a tarefa de jogar pingos na atriz. 

A sorte é que o sangue produzido por Roberto e por Jackson Ritter não manchava...

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

A casa de Kassandra



Estamos a uma semana de começar as filmagens de Kassandra. É uma contagem regressiva onde tudo tem que funcionar como um relógio.

Aproveitando, é hora de apresentar a casa de Kassandra, onde ser passará boa parte das cenas do curta. É um apartamento desocupado em Porto Alegre, no Bairro Moinhos de Vento. Ainda não está transformado de fato na casa da protagonista (na foto acima, a diretora de arte Ana Gusson avaliando a locação --não, não é um fantasma), mas tem o tamanho e as características necessárias para o filme (como o longo corredor na foto abaixo).

Como está desocupado, o local está servindo de quartel-general de elenco e equipe: reuniões e ensaios têm sido feitos ali -- o que auxilia a captar o clima da produção.