Paciente: Sexo feminino. Vinte anos.
Estresse pós-traumático. Alucinações visuais.
Avistamentos de um vulto, o "homem grande".
Cartas de tarô, de origem desconhecida.
Muda.
Mora só.
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sexta-feira, 8 de março de 2013

Todas as mulheres de Kassandra



Ano passado, nós já tínhamos rendido merecidas homenagens às mulheres maravilhosas que se dedicaram intensamente à realização de Kassandra. Porém, desde então, o time feminino aumentou -- e nunca é demais lembramos do envolvimento de pessoas tão incríveis neste projeto.

Até porque este filme trata de mulheres, tem uma mulher como sua heroína e, como eu comentei nestes dois textos, há algo de intrinsecamente feminino na narrativa de terror/horror -- uma vingança sobre os verdadeiros terrores do mundo masculino? Enfim, não vem ao caso.

A primeira pessoa convidada para o curta foi uma mulher, a própria Renata Stein, protagonista do filme; as últimas também foram mulheres: as musicistas Isadora Raymundo e Mariele Giovanaz, que deram a Kassandra a voz que a personagem não tinha. Um círculo tão perfeito que parece até que pensamos nisso.

Tenho as melhores memórias de cada uma das gurias do filme. Da Renata são inúmeras, mas gosto da nossa primeira conversa, ela comendo um cheescake e dizendo para mim: "Eu vou pensar, Uli, mas na verdade eu já topei". Da Ramona Barcellos, nossa "chefa", eu lembro de pensar que não haveria ogro que não tremesse na frente daqueles olhos praticamente sem fim de tão azuis. 

Depois vieram o grupo de ex-alunas minhas, todas meninas talentosíssimas de espírito único: a Giulia De Cesero da risada incontida, a Isabela Boessio dos olhos verdes imensos, a Marina Cardozo incansável que não arredava o pé do set por motivo nenhum do mundo. Marina, aliás, que proferiu ao final da segunda diária um "Eu amo muito essa equipe", resumindo o ambiente das filmagens. E a Suzana Witt, talvez a atriz mais generosa que eu conheci, nunca dizendo não quando chamada para dar jeito em abacaxis nos nossos projetos (mesmo quando não atua).

A menos de um mês antes de começarmos a rodar, completa a equipe a infalível Ana Gusson -- que, entre formatura e a finalização do seu próprio curta, conseguiu se dedicar a Kassandra de corpo e alma (invejo essa capacidade, juro). Para as filmagens, ajuda extra da linda Cristina Salib (que aceitou fazer claquete numa diária apenas porque gosta de nós) e da minha amiga de velha data, Elena Meneghetti, que topou a proposta indecente de estrelar o "filme dentro do filme" com um desprendimento que ninguém acreditava possível.

E, nos últimos meses, uma constelação de artistas incríveis e seus instrumentos divinos: a musa Ingrid Bonini e sua voz linda; a Mariele com seu canto perfeito; a Isadora e seu violino melancólico; a Lígia Tiemi Sumi e seus inacreditáveis brinquedos tecnológicos que estão transformando a imagem de Kassandra no sonho em preto-e-branco mais lindo que eu já tive. 

Hoje, o dia não é para dar parabéns a vocês; hoje é o dia de agradecer por tudo que vocês têm feito por este filme. Sem vocês, seríamos um bando de homens perdidos, achando que sabem o que estão fazendo (e rezando para não dar nada errado).

Então... Obrigado, gurias. Cês são foda!

Ulisses da Motta Costa

Legenda da foto: No alto, da esq. para a dir: Cristina Salib (claquete), Isadora Raymundo (violino), Giulia De Cesero (figurino), Ramona Barcellos (produtora), Ana Gusson (diretora de arte), Isabela Boessio (figurino).
Embaixo, da esq. para a dir: Mariele Giovanaz (voz), Marina Cardozo (2a assistente de direção), Lígia Tiemi Sumi (finalização de imagem), Suzana Witt (atriz), Ingrid Bonini (atriz), Elena Meneghetti (estrela do "filme dentro do filme")
Ao centro: Renata Stein (atriz)

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Entrevista: Suzana Witt, coadjuvante de luxo

Suzana Witt e o diretor Ulisses da Motta Costa se conheceram primeiramente como aluna e professor, na oficina de cinema que existe na escola em que a atriz cursou o Ensino Médio. A inclinação pelas artes, o talento e a força de vontade chamaram a atenção de Ulisses, que chamou-a para ser assistente de direção um ano depois dela sair da escola, no curta Ninho dos Pequenos. Desde então, ela tem atuado nesta função em outros trabalhos da Ampli Produtora, e foi "promovida" ao posto de atriz em Kassandra.

E de cara ela teria que fazer dois papeis: um usando apenas a voz (a mulher que telefona para Kassandra) e outro usando apenas o corpo (uma prostituta que acompanha o asqueroso vizinho que assedia a protagonista). No fim das contas, o resultado saiu um pouco diferente do imaginado. Leiam na entrevista:


Você faz um papel pequeno em Kassandra, praticamente uma coadjuvante de luxo. No entanto, você acompanhou boa parte do processo de pré-produção. Mesmo não aparecendo tanto no filme, ainda assim é importante acompanhar o seu desenvolvimento?

Suzana: "Coadjuvante de luxo" é ótimo! Hahaha. Eu concordo com essa denominação, porque acho que é bem isso... A figura da prostituta aparece pra incrementar a personagem do vizinho que o Leandro Lefa faz.  A prostituta e a regata suja de café são, na minha opinião, essenciais para o vizinho! 

Sobre acompanhar a pré-produção, sim; Para mim, especialmente no caso de Kassandra, foi importante acompanhar a equipe antes das gravações. Digo isso porque, além dos encontros facilitarem o entendimento de todo o roteiro -- que acredito que toda a equipe tenha que ter, independentemente de cargo que desempenhe na produção --, pude também conhecer o pessoal "novo" da equipe e sentir como seria estar do outro lado das câmeras, sendo gravada por gente que eu já conhecia. Por já ter trabalhado com vários dos integrantes da equipe de Kassandra anteriormente, porém fazendo assistência de direção, estava curiosa para ver como seria estar atuando em um dos "nossos" -- dá pra chamar de nossos? -- filmes. Ver todo mundo antes e estar com os outros atores tornou a coisa toda mais confortável. 

Entre a equipe, havia ex-colegas suas de escola: as figurinistas Isabela Boessio e Giulia De Cesero e a continuísta Marina Cardozo. Como é este reecontro num outro universo? O que muda?

Suzana: O reencontro é muito bom. A Isa e a Giulia eu não via fazia quase um ano, porque elas tinham ido pra Inglaterra fazer intercâmbio e eu ainda não tinha visto elas na volta. Mas tudo é muito diferente! Acho que por mais fatores do que apenas o ambiente e as funções que a gente tava desempenhando, mas com certeza esse é um dos motivos.

A Marina, que não era minha colega na escola, foi das três gurias a que eu mais vi depois de me formar, na verdade! Porque a gente se viu muito no Clarice/Tom, que fizemos no ano anterior*. Acho que a gente inclusive conversa mais agora do que na época da escola, porque estamos sempre nas tuas produções. Descobri várias identificações com a Marina depois dos trabalhos que fizemos juntas! Talvez a gente já tivesse todas essas coisas em comum na época da escola, mas aí cada uma tinha "sua turma", literalmente, sabe? O que eu acho mais legal da Marina é que o riso dela tem a capacidade de me deixar muito a vontade!

Ver a Isa e a Giulia também foi muito bacana; as gurias tão muito profissionais. Elas sempre foram as gurias mais estilosas da turma na escola, e o gosto por moda virou mesmo profissão. Aí, ao mesmo tempo, foi engraçado... a Isa é minha amiga de infância e adolescência, e as duas eram minhas amigas e companheiras de festas no ensino médio! Durante as gravações, a gente conseguiu conversar um pouco, mas no geral estávamos desempenhando -- lindamente, diga-se de passagem -- nossos papéis (risos). As relações são mais distantes do que nas festas e nas brincadeiras de Barbie, por exemplo... mas ao mesmo tempo o carinho continua, e dá pra sentir isso. No geral, acho que rever as gurias nas gravações fez com que eu me sentisse a vontade... e feliz.

Você inicialmente apareceria como a prostituta, que não teria falas, e gravaria os diálogos de uma pessoa que fala com Kassandra pelo telefone. Porém, você e Leandro Lefa acabaram improvisando diálogos na cena com a prostituta e outra atriz teve que gravar a voz no telefone. Conte como surgiu o improviso e como aconteceu esta substituição.

Suzana: Eu conheci o Lefa no dia da gravação, se não me engano. Se não tô louca, ele já me conheceu vestida com o figurino da prosti, até porque lembro que depois da gravação coloquei minha roupa mesmo, tirei a maquiagem e aí ele disse "Nossa, é muito diferente" (risos). Mesmo assim, a improvisação não teve muito mistério: quando o diretor nos pediu para improvisar, disse "combinem o preço de alguma coisa, algo assim"; foi o que a gente fez, e revendo a cena agora acho que deu super certo!

Com isso de a prostituta ter falas, achamos melhor que outra pessoa fizesse a a voz do telefone. A convidada para esse papel foi a Ingrid  Bonini. Com a Ingrid nós gravamos outro curta, o Luz Natural, em novembro do ano passado. Acho que é uma boa ela ter feito a voz do telefone por dois motivos: primeiro, não confundir com a minha voz (a dela é bem diferente da minha!); segundo, porque pelo que conhecemos da voz dela em Luz Natural, acho que ela vai conseguir dar um tom grave e pesado ao que é dito no telefone, o que vai ficar beeeem legal.

*Piloto de web série desenvolvido pela mesma equipe de Kassandra

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Entrevista: Giulia de Cesero e Isabela Boessio, figurinistas

O figurino e a maquiangem de Kassandra foram feitos a quatro mãos. No caso, as mãos de duas estudantes de moda: Isabela Boessio (na foto, à esquerda) e Giulia De Cesero.

A dupla era responsável pelo visual dos personagens e tinha a missão de deixá-los marcantes, já que eles não podem ser identificados pela sua voz (quase nenhum deles fala). Além disso, outro desafio na caracterização era a ausência de cores. Confira como foi o trabalho das duas:


Isabela, comente como foi a concepção visual de cada um dos personagens do filme. Como foram feitas as escolhas das cores, das peças, o que cada figurino deveria passar? Conte como foi o processo.

Isabela: O desafio na realização do figurino foi o fato de o filme ser em preto e branco. Não precisamos pensar em combinações de diferentes cores, mas, sim, no contraste entre elas! Aconteceu, inclusive, de escolhermos uma blusa azul marinho pensando que fosse se transformar em preto, mas que acabou parecendo mais viva ainda!

Começando por Kassandra: optamos por uma camisola lisa, como se fosse de hospital, mesmo, para que ela usasse durante todo o filme. Como a personagem é apática e sua última preocupação é a roupa que veste, seu figurino deveria representar esse desleixo. Apesar disso, Kassandra tem, sim, um “teor” sexual. Ajustamos levemente a cintura e diminuímos o comprimento da camisola para que as formas de seu corpo tivessem espaço na cena. Escolhemos uma cor bem clara para contrastar com seu cabelo castanho escuro.

O terapeuta ganhou um visual mais certinho; camisas abotoadas e para dentro da calça, cinto, sapatos. Ele precisava de uma aparência limpa, clara, que passasse segurança, cuidado e preocupação para com a sua paciente.

O figurino do Homem Grande foi o mais simples de fazer! Moletom, calça e botinas, todos pretos e mal cuidados (para não usar a palavra “trapos”). Em compensação, nos focamos na maquiagem para deixá-lo bastante obscuro (pele clara contrastando com olheiras profundas, rugas marcadas...).

O vizinho de Kassandra foi, certamente, o mais divertido. Look cafajeste/bagaceiro: camisa velha, aberta e suada, cueca branca e velha, meias. Cabelo e pele oleosos para deixar a figura um pouquinho mais repugnante.

Fizemos a prostituta ser do tipo que se produz, que está com tudo em cima. Vestido tomara que caia curto, mas não obsceno, botas de cano curto e salto alto, muitos acessórios, batom vermelho (que no filme aparece como um cinza chumbo) e delineador bem marcado.

Da esq para dir: Kassandra, o terapeuta, o Homem Grande, o vizinho, a prostituta

Giulia, além de figurinistas, você e Isabela acumularm a função de maquiadoras. Como foi a concepção da maquiagem para cada personagem?

Giulia: Os makes feitos nas personagens devem agradecimentos aos Halloweens que já passei (risos)! Não que o filme tenha ligação com isso, mas o fato de ele ser preto e branco fez com trabalhássemos com tons muito claros e tons muito escuros. Optamos por um rosto bem claro, puxando para o branco, e detalhes em preto e marrom. Achávamos que seria difícil encontrarmos um make que se encaixasse com Kassandra, mas o roteiro e toda a produção estava bem clara e definida que todo mundo conseguiu entrar no clima e tudo fechou perfeitamente.

Vocês estudam moda, mas elaborar um figurino, especialmente para um filme sem cores, deve ser bastante diferente de criar looks para o "mundo real", por assim dizer. Qual a dificuldade de transitar da moda para o figurino de um filme?

Isabela: Na vida real, nem sempre temos um estilo super definido e limitado. Conforme o nosso humor, a ocasião, as nossas vontades, escolhemos vestir cores e tipos diferentes de roupa. Todas essas oscilações representam o que somos e o que queremos transmitir aos outros, certo? Trabalhando com o figurino de uma personagem, as características desta devem estar muito bem definidas para que o espectador capte a mensagem correta. Se houver muita variação, a mensagem pode se tornar confusa. Além disso, um figurino que segue fiel ao que precisa representar no decorrer das cenas fortalece os papéis do filme e facilita uma identificação por parte do espectador com as personagens. No caso de Kassandra, não tivemos o recurso "cor" para agregar significado às roupas, portanto a responsabilidade caiu toda em cima das modelagens, acessórios, detalhes, estilos das peças e maquiagem. E na atuação dos nossos talentosos atores, claro!

Qual a importância para estudantes de moda participarem de uma produção audiovisual trabalhando no figurino?

Giulia: É uma experiência incrível, pois muito se aprende sobre isso na prática. Há muitos "não faça" quando o assunto é filmar roupas, como, por exemplo, não use listras muito próximas, mas cada caso é um caso. No caso de Kassandra, envolvia todo um tema, toda uma atmosfera que eu nunca tinha pensado antes, foi um desafio achar os figurinos certos para cada personagem, um desafio bem bom!

quarta-feira, 7 de março de 2012

As Mulheres de Kassandra

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Oito de março é o Dia Internacional da Mulher. Isso pede uma homenagem às meninas que estão trabalhando em Kassandra.

Ramona Barcellos, a deusa-mãe

No papel de diretora de produção, Ramona tratou a equipe como se fosse uma vasta família que não deveria passar trabalho. Fora as horas dedicadas à organização e logísitca, assim que as filmagens começaram ela se internou a cozinhar ali mesmo, no apartamento que servia de locação, para baratear os custos do curta.

Por Roberto Coutinho (produtor e engenheiro de som): "É muito bom trabalhar com uma mulher como a Ramona! Eficiente, responsável, atenciosa e organizada. Ela consegue manter a seriedade e ao mesmo tempo ser uma pessoa extremamente agradável e querida".
Por Victor Fiúza (assistente de direção): "Uma produtora que eu gostaria imensamente de trabalhar outras muitas vezes, já que ela dosa os atributos necessários para a gerência da produção ao mesmo tempo em que sustenta uma calma e controle reconfortates".
Por Ulisses da Motta Costa (diretor): "Quando a Ramona te olha com aqueles olhos infinitamente azuis e te pergunta 'mas será que vai dar certo?', tudo que tu quer é fazer o teu trabalho direito pra não decepcionar a 'chefa'".

Ana Gusson, a guerreira amazona

Ana era incansável, fosse no cumprimento de seu papel como diretora de arte, seja no cumprimento de qualquer outra tarefa. Quando tinha terminando o seu trabalho, ia imediatamente ajudar outra pessoa. Isso, claro, fora o acréscimo estético que ela deu aos cenários e ao visual do curta como um todo.

Por Roberto: "Se você ainda não conhece a Ana, está perdendo tempo! Mesmo cansada e estressada, ela está sempre com um sorriso no rosto. Não tem como ficar de mau humor ou entediado na presença dela. E para completar, é a melhor diretora de arte com quem já trabalhei!"
Por Ulisses: "Ela tem aquele jeito fofo que só as pessoas sem medo têm: a Ana não tem medo de te abraçar forte quando te encontra - e não tem medo de levantar a voz até pro diretor se achar necessário..." 
Por Maico Silveira (ator): "Uma doce menina que se assusta com qualquer oi".

Suzana Witt, a psiquê

Suzana consegue ser a alma das coisas mesmo quando tem um trabalho rápido para fazer. Não dá bola ao status de ser atriz e envolve-se rapidamente no meio da equipe, exercitando a tranquilidade que ela expressa na tela.

Por Leandro Lefa (ator): "A Suzana tem uma naturalidade invejável, parece ter anos de experiência com câmera. Melhor: parece que nem tinha uma câmera lá, só a Suzana, mandando ver".
Por Daniel Coutinho (publicitário do filme): "A Suzana é uma atriz de muito talento e uma pessoa muito querida. É um prazer trabalhar ao lado dela. Competência dentro do set de filmagem e ótima companhia para um bom papo e boas risadas nos bastidores".

Marina Cardozo, todas as musas em uma

A continuísta de Kassandra (que atuou como assistente de direção quando necessário) sabe fazer qualquer coisa de caráter artístico. Nos intervalos das filmagens, era fácil vê-la pintando num Ipad ou cantarolando. Mesmo na folga, ela continua fazendo arte - mantendo a empolgação sempre.

Por Roberto: "Além de ser uma grande parceira para indiadas, por mais chatas, idiotas e sem-noção que sejam, a Marina é a menina mais polivalente que eu conheço. Cada vez descubro uma nova faceta artística: escritora, bailarina, pintora, musicista, diretora, atriz, gourmet... Existe algo que a Marina não saiba fazer?"
Por Daniel: "Pessoa comprometida com trabalho e que está sempre de bom humor. A Marina é muito espontânea e divertida. Uma companhia muito querida dentro e fora do set de filmagem".

Isabela Boessio e Giulia De Cesero, as ninfas

Se uma risada ecoasse pela locação (e, às vezes, fora dela), todo mundo sabia: só poderiam ser as figurinistas Isabela e Giulia, também responsáveis pela maquiagem. Além dos risos, dedicação: Isabela chegou a "matar" sua prova de direção para estar no set, e Giulia convenceu o namorado a levá-la de carro às pressas para a locação para que todo o figurino estivesse à disposição antes do início da filmagem.

Por Ulisses: "Ter as duas na equipe é uma tranquilidade, sabemos que não teremos que nos preocupar com o figurino porque elas darão jeito em tudo, nem que o mundo esteja caindo. Fora, claro, que elas são lindas e curtem o programa de índio que é fazer um filme".
Por Chico Pereira (compositor): "Elas dão muita risada. Só isso já bastaria para todo mundo gostar delas. Mas, ainda por cima, elas são talentosas".

Renata Stein, a perséfone

Como a deusa da mitologia grega, Renata viveu em dois mundos. Apesar do jeito alegre e doce, não teve medo de mergulhar nas trevas para poder dar vida (e medo e angústia e ira) para a personagem-título de Kassandra, numa entrega que espantou a equipe.

Por Leandro Lefa: "A Renata faz a gente se sentir pequeno. É que a gente olha pra ela e percebe que ela tá pensando um milhão de coisas e parece que no "ação" um universo todo vai se criar pra complementar a atuação dela. Acho que de fato isso acontece".
Por Victor: "Atriz jovem, mas com profissionalismo e devoção ao ofício latentes, revelando uma maturidade precoce, em desenvolvimento e que por consequência, abre grandes espectativas por o que está por vir de seu trabalho". 
Por Chico: "Uma pedrinha preciosa. Um monstrinho como pessoa, no melhor sentido da palavra. Um monstro como atriz, no melhor sentido da palavra. E essas duas Renatas não parecem a mesma pessoa, o que prova o talento dessa guria para a atuação". 
Por Maico: "Menina de poucas palavras quando está trabalhando. Porque quando é a folga..."

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

O filme dentro do filme

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Um simples detalhe do roteiro de Kassandra acabou criando um monstro totalmente novo e de proporções únicas. Está lá no roteiro de Roger Monteiro, na cena 7: o vizinho, personagem de Leandro Lefa, está "em frente de uma televisão ultrapassada que exibe um filme pornográfico de gosto duvidoso".

Ao invés de simplesmente ocultar a televisão ou de usar um vídeo erótico qualquer, o diretor Ulisses da Motta Costa resolveu filmar algumas cenas eróticas -- todas soft, mudando um pouco o conceito original, sem sexo.

"Como referência, comecei a pensar numa pornochanchada nacional do final dos anos 70, início dos anos 80", conta ele "Até porque não dava para colocar ninguém em situação embaraçosa, mas sim deixar tudo num clima de diversão. Por isso, convidei uma amiga de longa data, a Elena Meneghetti, que na faculdade de publicidade fez um trabalho vestida de Tiazinha. Ela é despachada e super bem-humorada, perfeita para o que precisávamos".

Frame "roubado" do material já produzido para o filme dentro do filme
As cenas a serem usadas em Kassandra foram rodadas em pouco mais de duas horas na casa da própria protagonista, na distante Zona Sul de Porto Alegre. Maico Silveira fez uma participação relâmpago como um homem que é seduzido por Elena. A quantidade de diversão nesta filmagem foi tal que a diretora de produção Ramona Barcellos ligou para ver se o trabalho estava ok e tudo que ouviu foram sonoras gargalhadas.

A equipe foi improvisada: além de Ulisses dirigindo, o produtor Roberto Coutinho fez a direção de fotografia, o publicitário Daniel Coutinho foi produtor de set, o músico Chico Pereira montou o vídeo. A única em sua função foi a figurinista Giulia De Cesero, que também fez direção de arte.

Não demorou muito para o que era apenas uma cena rápida virasse um "projeto maior": um trailer falso de uma pornochanchada passada em Porto Alegre, aos moldes daqueles vistos no projeto Grindhouse. Nomes provisórios como "Deu Pra Ti, Zona Sul" ou "A Desinibida do Lami" pipocaram entre a equipe. Não só isso: até pseudônimos artísticos estão sendo inventados, para deixar num clima mais setentista -- fora ideias de mais cenas e personagens.

"Entendi porque o pessoal fazia pornochanchadas naquela época: é muito divertido", revela Roberto Coutinho. "É um desafio ter que fazer algo propositalmente ruim", reforça Ulisses. "Por isso a equipe improvisada foi essencial para não obtermos um resultado estético". Chico Pereira, responsável por montar a pequena "pérola", entendeu essa dificuldade. "Estava montando direitinho as cenas quando eu pensei: não, tenho que desaprender o que eu sei", conta ele.

Novas cenas serão feitas no intervalo das filmagens de Kassandra. Aguardem!

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Do elenco: Suzana Witt


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Renata Stein não é a única mulher no elenco de Kassandra. Ela é acompanhada por Suzana Witt, que faz nada menos que duas participações diferentes no filme.

Não é coincidência o fato das duas serem colegas de faculdade, no Departamento de Artes Dramáticas da UFRGS. Suzana já trabalhou como assistente de direção em duas produções dirigidas por Ulisses da Motta Costa, o curta Ninho dos Pequenos e o projeto de seriado Clarice/Tom. Para este último, Suzana convidou Renata para um teste de elenco em janeiro do ano passado. Renata fez teste para dois personagens e foi selecionada para um dos papeis principais -- conhecendo assim o diretor e parte da equipe que mais tarde fariam Kassandra.

De assistente de direção e produtora de elenco, Suzana foi promovida a atriz: "Nos trabalhos anteriores com o Ulisses eu estava acostumada a trabalhar atrás das câmeras", ela conta. "Em Kassandra foi diferente, mas nem tanto! No fim, equipe e elenco são um só grupo". Uma curiosidade: ela foi colega de escola das duas figurinistas de Kassandra, Giulia De Cesero e Isabela Boessio. A diversão das três foi pensar num figurino para uma prostituta (um dos papeis de Suzana).

Esta personagem tem uma aparição muito rápida, porém complicada. Suzana não teve tempo de ensaiar com Leandro Lefa, seu parceiro de cena, e as indicações de diálogo no roteiro eram vagas. Ambos os atores e o diretor Ulisses pensaram na hora da filmagem em como fazer o casal ter uma "discussão em termos chulos". 

No primeiro take, ambos vinham em direção à câmera, Leandro Lefa murmurando algo. Ao que Suzana responde com um sonoro:

- Ah, querido, assim é bem mais caro!

A equipe teve que segurar o riso até o "corta". "No dia em que eu participei, me diverti, como sempre costuma acontecer quando trabalho com essa gente! Confio muito no trabalho que foi (e está sendo) feito, e aguardo ansiosa para ver como ficou!", complementa a atriz.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Filmando em preto-e-branco


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A fotografia em preto-e-branco sempre foi uma das ideias fundamentais na criação de Kassandra. Desde sempre se imaginou o filme sem cores. A imagem tinha que ser pensanda em termos de claro e escuro. Portanto, as decisões da fotografia, da arte, do figurino e da maquiagem precisam ser diferentes do normal.

O diretor de fotografia do projeto é Pablo Chasseraux (foto abaixo), um dos mais requisitados profissionais no Rio Grande do Sul, com dúzias de projetos de publicidade, TV e cinema -- uma amostra de seu trabalho pode ser vista aqui. Ele está usando uma Cannon 5D e, na verdade, está gravando as imagens coloridas, para depois o preto-e-branco ser aplicado na pós-produção. Contudo, as cenas são monitoradas sem cores. É preciso ver se os contrastes de claro e escuro estão funcionando e se a imagem não está excessivamente cheia de cinzas.

Como  a preocupação era se as áreas do enqudramento estavam claras ou escuras, o diretor de fotografia passou a não se importar com a temperatura de cor. Ou seja, alguns planos tem luzes frias e quentes misturadas. Se vistas em cores, parecem uma baderna. Mas no preto-e-branco criam um efeito extraordinário. Cauteloso com o carnaval de cores que apareciam na câmera, mais de uma vez Pablo perguntou ao diretor Ulisses da Motta Costa:

- Tem certeza que vai ser em preto-e-branco, né? Porque tem uma luz roxa aqui.


As figurinistas Isabela Boessio e Giulia De Cesero também tiveram suas questões para resolver. Um dos personagens, por exemplo, precisava usar uma camisa escura em dado momento. Elas conseguiram uma camisa azul-marinho, esperando que ela desse o resultado esperado. Na hora de rodar, a supresa: o azul virou um insípido cinza-claro diante da câmera. Uma rápida correria e uma camisa preta do publicitário do filme, Daniel Coutinho, resolveu o problema.