Paciente: Sexo feminino. Vinte anos.
Estresse pós-traumático. Alucinações visuais.
Avistamentos de um vulto, o "homem grande".
Cartas de tarô, de origem desconhecida.
Muda.
Mora só.
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domingo, 3 de março de 2013

E se Kassandra fosse em cores?

A colorista Lígia Tiemi Sumi fez uma experiência, quase sem querer, durante o processo transformação dos planos de Kassandra em preto-e-branco. Em dado momento do trabalho, o software aplicou uma correção baseada numa memória de outro trabalho. 

E o resultado, ao invés de deixar a cena em preto-e-branco, transformou suas cores em algo etéreo. Se Kassandra fosse em cores, poderia ser assim:



Mas não se preocupem: não será colorido. Porque o preto-e-branco elaborado na fotografia de Pablo Chasseraux é ainda mais belo. Aguardem, em breve colocaremos alguns stills já finalizados.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Mágica na trilha sonora


Olá, aqui o diretor Ulisses da Motta Costa de novo. Vim dividir com vocês uma história curiosa que aconteceu ontem, dia 31 de janeiro de 2013, na gravação da trilha sonora de Kassandra.



Pensando hoje, um dia depois, acho que ontem eu vi um dos melhores mais fantásticos de criação artística  que vi desde quando comecei a trabalhar com cinema. E envolve o gênio musical do Chico Machado Pereira (compositor) e do Roberto Coutinho (engenheiro de som).

Sério, foi extraordinário.

Estava então acompanhando uma sessão de gravação da trilha. Boa parte da música já tinha sido gravada para as cenas mais cruciais. Faltava, contudo, alguma coisa mais sólida para as sequências de pesadelo -- inicialmente, usaríamos uma série de infrassons. Música mesmo, só nas cenas passadas na "realidade".

E, para essas cenas de realidade, uma das ideias do Chico era fazer alguns efeitos musicais usando as cordas de um piano dentro da sua caixa acústica, para complementar o arranjo do que já foi gravado. Em palavras simples: o Roberto desmontou o sistema de martelos do piano que há no Ampli Studio e o Chico poderia tocar diretamente nas cordas. Já tínhamos usado essa ideia (de outra maneira, com outro conceito) em outro curta, Ninho dos Pequenos (foto acima - veja o filme aqui).

Chico sentou no piano e começou a testar possibilidades de som -- que são quase infinitas, já que as cordas ficam ressoando por tempo indeterminado, a frequência de cada uma se misturando à outra. E ele começou a brincar. Sem estar gravando nada valendo, nada pensado para o filme. Apenas brincando de tocar as cordas do piano com uma palheta de guitarra. 

A "recreação" durou uns minutos, até ele parar e dizer: "Pronto, fiz música concreta".

Eu estava no estúdio neste momento. Saí dele e entrei na técnica. E eis que noto que o Roberto tinha gravado a "brincadeira" do Chico. Eles já tinham planejado de usar sons de piano invertidos para criar alguns climas mais etéreos, e por isso o Roberto inverteu toda a "música concreta" que o Chico tinha feito e, talvez sem pensar (pensou?), deu play junto com a cena de pesadelo que abre o filme.

O resultado foi assombroso. Não: assustador é a palavra. Em todos os sentidos. 

A loucurada de notas e sons invertidos se sobrepondo fez sentido não só com a ação dos planos, mas fechou até com os cortes da montagem -- naquele tipo de sincronia (sinergia?) que só os Deuses do Cinema proporcionam aos seus devotos. Não só as notas, mas os ruídos que surgiram do nada, como manifestações fantasmagóricas que nos fez questionar de onde diabos tinham saído.

Nós três ficamos abobados. E sentenciamos em conjunto: tínhamos a música para as cenas do pesadelo. Sem querer. Sem planejar. 

A partir daí, foi um festival de experimentação. Tocar as cordas do piano com um arco de violoncelo. Tocá-las com uma chave de fenda. Tocá-las com uma escovinha de limpar unhas. Cada nova tentativa, ao ser invertida, criava música de outra dimensão.

Gurizada, cês são foda.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Os efeitos visuais em Kassandra


A equipe de finalização de Kassandra acaba de ganhar mais um reforço. O artista de CGI Carlos Porto entrou no projeto para fazer correções e melhorias digitais, incluindo máscaras para ocultar objetos indesejados e elementos pontuais em computação gráfica.




Inicialmente, não havia efeitos visuais planejados para o filme. Tudo seria feito na frente da câmera. Porém, ao final do processo de montagem, surgiu a necessidade de se apagar alguns elementos que apareciam em cena e usar uma CGI sutil para dar mais dramaticidade às cenas. 

Carlos Porto é um velho conhecido da equipe de Kassandra. Ele dirigiu e escreveu em parceria com Ulisses da Motta Costa o curta-metragem O Gritador, onde trabalharam também os atores Leandro Lefa e Maico Silveira, além do músico Chico Pereira, do engenheiro de som Roberto Coutinho e do produtor de set Jackson Ritter. Na foto acima, Ulisses e Carlos (à direita) dirigindo o filme em São José dos Ausentes, região nordeste do Rio Grande do Sul, em 2005. 

Por sinal, O Gritador (veja aqui) foi um curta repleto de efeitos visuais e composições digitais, boa parte deles produzidas pelo próprio Carlos. Abaixo, dois vídeos de composição de cena que mostram o trabalho nas cenas do filme:

Composição de cena: Werner Schunemman, Nydia Gutiérrez e o cavalo
- Composição de cena: Leandro Lefa e as bolas de fogo

E aqui, uma foto que reproduz o passo-a-passo do primeiro vídeo:

1. A cena bruta  - 2. O recorte do fundo e a aplicação do preto-e-branco
3. Inserindo o cenário desenhado a mão - 4. Colocando o cavalo em CGI
5. Aplicando uma sela real sobre o cavalo - 6. A imagem pronta, com filtro sépia

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Finalizando Kassandra

Terminar um filme é sempre um processo delicado -- normalmente mais demorado que o desejado e que precisa ser trabalhado em várias frentes simultâneas. Com Kassandra não é diferente, claro. E damos um tempo nas entrevistas com elenco e equipe para falar um pouco sobre o atual estágio de desenvolvimento do nosso filme:

Montagem: Os cortes do filme foram feitos pelo premiado e requisitado Alfredo Barros. Por conta de seu envolvimento na campanha eleitoral em Porto Alegre, ele só pôde se dedicar à edição a partir de outubro. Em encontros semanais com o diretor Ulisses da Motta Costa, Alfredo encerrou a montagem no dia 18 de dezembro de 2012 (na foto abaixo, os dois após o término dos trabalhos).

Ulisses da Motta Costa (esq) e Alfredo Barros terminando a montagem

O filme foi majoritariamente montado na ilha de edição da Atama Filmes, em Porto Alegre. No total, Kassandra teve sete cortes (são oito, na verdade, mas o último tem de diferente apenas tempo a mais para os créditos). O principal desafio era dar ritmo ao vasto material filmado (cerca de 150 planos diferentes), de forma que funcionasse em termos de drama e suspense, e fazer as adaptações necessárias na narrativa (incluindo a remoção de elementos que atravancavam o desenvolvimento e a compreensão do filme). Um dos cortes chegou a ter quase meia hora de duração; agora, Kassandra tem pouco mais de 21 minutos de duração, sem os créditos finais.

Som: Desde o início do projeto, sabia-se que o som seria um dos trabalhos mais exaustivos em Kassandra. Afinal de contas, o filme quase não tem diálogos e todos os ruídos e sons precisam ser produzidos do zero. Para a tarefa, o engenheiro de som Roberto Coutinho e Leandro Lefa (um dos atores do filme que também trabalha como foley artist) têm passado os primeiros dias de janeiro dentro do Ampli Studio, em São Leopoldo, deixando a criatividade fluir. 

A primeira etapa, a gravação dos foleys (os sons cotidianos produzidos pelos personagens, como passos, por exemplo) está quase concluída. Pode parecer fácil, mas achar o som correto para cada situação é sempre um desafio -- e os pés descalços de Kassandra (para ficar apenas nos passos) requerem sons sutilmente diferentes para cada cena. A segunda etapa, a gravação de ADRs (sigla em inglês para "substituição de diálogos", ou seja, os sons de fala e respiração dos atores) começa na semana que vem, junto com a edição de som, e envolvem todo o elenco do filme. 

Música: O compositor Chico Pereira há meses coleciona referências e grava ideias para a trilha de Kassandra. Inicialmente, ele fará demos com sons sintetizados e em arranjos simples (processo atualmente em andamento). Estas músicas preliminares serão colocadas no filme para ver quais funcionam e quais precisam ser melhoradas.

A partir daí, começa a se registrar a trilha valendo. Esta demanda começará ainda em janeiro, para estar pronta em fevereiro. As sessões serão gravadas também no Ampli Studio, em São Leopoldo. Falaremos mais detalhadamente sobre trilha sonora em posts futuros.

Finalização: Os mais novos participantes da equipe de Kassandra vêm para fazer um delicado trabalho: corrigir a luz e colocar, finalmente, a imagem do filme em preto-e-branco (os planos foram registrados em cores). A colorista Lígia Tiemi Sumi, da Galo de Briga Filmes, terá este encargo: fazer a marcação de luz do curta inteiro e, a partir daí, ressaltar os contrastes entre as áreas escuras e claras de cada take. O desafio é o mesmo que a fotografia, direção de arte e figurino tiveram que enfrentar anteriormente: pensar não em termos de cor, mas apenas em termos de luz. 

Com tudo isso pronto, o que falta? Juntar todos estes elementos. E Kassandra terá nascido.