Paciente: Sexo feminino. Vinte anos.
Estresse pós-traumático. Alucinações visuais.
Avistamentos de um vulto, o "homem grande".
Cartas de tarô, de origem desconhecida.
Muda.
Mora só.
Mostrando postagens com marcador elenco. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador elenco. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Elenco e equipe: todas as entrevistas

No alto: Ulisses da Motta Costa, Roger Monteiro, Suzana Witt, Ana Gusson; No meio: Luis Franke, Leandro Lefa, Giulia De Cesero e Isabela Boessio; Embaixo: Alfredo Barros, Maico Silveira, Roberto Coutinho, Chico Pereira. No centro: Renata Stein


Confiram aqui as entrevistas com os membros de elenco e equipe de Kassandra e entenda melhor o trabalho de cada um deles:

Ulisses da Motta Costa, diretor: "Os filmes que tu cria são uma espécie de auto-purificação".

Renata Stein, "Kassandra": "Uma coisa que eu não queria fazer era atuar em um filme de terror".

Roger Monteiro, roteirista: "Mas aconteceu de o diretor ser um tremendo mentiroso".

Luis Franke, "Homem Grande": "Os desafios nos fazem crescer".

Leandro Lefa, "Vizinho" e Som: "Podiam me convidar pra fazer um vendedor de casquinha que eu topava".

Alfredo Barros, Montador: "Na verdade, foi muito mais divertido do que eu imaginava".

Maico Silveira, "Terapeuta": "Isso é uma das coisas difíceis de ser um ator habituado ao palco".

Suzana Witt, "Prostituta": "Queria atuar em um dos 'nossos' -- dá pra chamar de nossos? -- filmes".

Ana Gusson, diretora de arte: "Confesso que duvidei no início, achei que fosse brincadeira".

Chico Pereira, música: "A música é, literalmente, a voz de uma personagem que não consegue falar".

Isabela Boessio, figurino e maquiagem: "Kassandra tem, sim, um teor sexual".

Giulia De Cesero, figurino e maquiagem: "Os makes devem aos halloweens que já passei".

Roberto Coutinho, som e produção: "Os sons não têm uma morfologia estanque". 


segunda-feira, 17 de junho de 2013

Entrevista: Renata Stein, Kassandra em pessoa



Enfim, a entrevista com a atriz que deu vida para Kassandra, Renata Stein. Este é o primeiro curta da jovem atriz (antes, ela tinha feito um clipe e o piloto de uma websérie). Apesar da pouca idade experiência e idade (tinha19 quando começou a ensaiar para Kassandra), Renata carrega o espectador para dentro do filme.

O que mais te impressionou no filme? O conceito, o roteiro, a produção, a direção, a fotografia?

Pergunta difícil essa. Posso só dizer que me apaixonei por fazer parte do curta-metragem e da equipe de Kassandra?


Mas pelo quê você se apaixonou no projeto?

Pela dedicação e alegria da equipe de produção, pela parceria e a organização da direção, pela magia que é a fotografia preto e branco, que deixa tudo tão bonito, por poder dar vida a um roteiro tão cheio de mistérios e experienciar a personagem Kassandra.

O diretor Ulisses da Motta Costa disse que você foi a primeira pessoa que ele convidou para o filme. O que você achou de ser a protagonista de um filme de terror?


Achei irônico, muito irônico. Quando estava a sós com meus pensamentos eu sempre pensava que, como atriz, uma das coisas que eu não iria querer fazer era atuar em um filme de terror. E lá veio o Ulisses com a proposta do filme. Sou uma pessoa bem medrosa para certas coisas, não achei divertida a proposta. Só aceitei por três motivos: era o Ulisses dirigindo, a equipe e o elenco eu sabia que iriam ser muito bacanas e porque eu gosto muito de atuar.

Kassandra é um papel denso e bastante complexo, com várias camadas. Onde você buscou inspiração para compor a personagem, com todas as diferentes reações que ela precisava mostrar?


Eu não diria inspiração não, porque inspiração me remete a algo divino. Eu diria que foram muitos encontros, discussões, ensaios no apartamento onde seria o set e trabalho em grupo. Foi o trabalho durante alguns bons dias que me ajudou a conseguir criar Kassandra. Foi a minha confiança na equipe e a confiança da equipe em mim. E eu ainda acho que ela não foi criada 100%. Depois das gravações fico pensando o quanto ainda eu poderia ter feito. Não é inspiração não, é trabalho e entrega total antes e depois do “ação”.

O que foi mais difícil na hora de atuar? Foi o fato de que a personagem é muda e, portanto você não tinha o suporte da voz para poder atuar?


Sei que essa parece ser a parte mais difícil, mas eu sempre gostei da ideia de ter que atuar com a potência total no corpo e nos olhos. É claro, isso é difícil, mas é maravilhoso, ainda mais porque a câmera pode capturar os mínimos detalhes. E falar, acreditem, é bem complicado também. O mais difícil foi a solidão do set entre as mudanças de planos. Cada pessoa da equipe está focada em sua função para que tudo ocorra bem, e como na maioria das vezes eu era a única atriz, me sentia um pouco sozinha. Toda a vez que o Ulisses falava “corta” e todos começavam a se organizar para o outro plano, eu tinha que tentar me manter o mais concentrada possível para não perder o corpo, o olhar, a atmosfera que tinha se criado. Ah, é bem difícil.

Você passou por um processo de preparação bastante intenso para os moldes um curta-metragem, com exercícios, leitura de roteiro, material de referência para ler e ouvir. O quanto estas atividades ajudaram você? Alguns exercícios vocês repetiam no set, certo?


Estes exercícios foram essenciais. Poder trocar com a equipe, com o elenco, é muito produtivo e me deixou mais segura e a vontade para ir descobrindo “as camadas de Kassandra”, e de toda a sua história. Sim, nos dias das gravações repetimos os exercícios físicos por serem exercícios que dão voz ao corpo, já que era essa a parte que precisava ser muito forte na atuação para fazer Kassandra.

Que tipos de exercício vocês fizeram para ajudar na concepção do personagem? Você não podia falar durante estas atividades, certo? Como foi essa sensação?

Nós tivemos vários momentos, como reunião com todo o elenco conversando sobre a história de Kassandra, ouvindo a opnião dos atores e o diretor nos dando alguns materiais de referência para leitura ou para assistir. Outro momento foi a leitura do roteiro e mais conversas, onde o diretor me interrogou sobre algumas questões como do que eu tinha medo, o que me dava nojo, entre outras. A partir daí, passamos para a parte prática de exercíos para cliar a atmosfera de medo de Kassandra. Trabalhamos eu e o Maico com exercícios em que ele tentava me tocar e eu tinha que repelir e fugir, e outro que ficávamos percorrendo com o nosso corpo os espaços vazios do colega. Para mim, o primeiro foi bem bom e surgiram efeitos importantes para a concepção de cena e dos personagens. Outro exercício, que foi feito só comigo, e que foi importante, apesar de me deixar muito nervosa, foi lidar com o desconhecido, que para mim no caso era o escuro. Eu ficava deitada no sofa no escuro com as costas vulneráveis, o diretor falava e fazia ruídos e às vezes, o que era pior, simplesmente deixava que o silêncio me consumisse e me deixasse totalmente nervosa. É, eu tenho medo do escuro, hehehe.

Não falar era extremamente ruim, porque muitas vezes surgiam situações em que eu queria falar para não ter medo, gritar, xingar, e sabia que eu tinha que ficar quieta para experimentar essa sensação e não sair do jogo para a construção de uma personagem muda. Com certeza, não falar me incomodou muito nos ensaios e principalmente nas cenas que me deixavam assustada. Apesar de ter tido uma consequência boa, que foi anotar quase tudo que eu pensava ou sentia.



Kassandra conseguiu parte dos seus recursos através de financiamento coletivo. Você acompanhou o processo da campanha? Qual foi a sensação a ver que vocês tinham atingido a meta?


Desde que lançamos no site Catarse o nosso vídeo já deixei na barra de favoritos o link e diariamente eu olhava para ver como estava indo, e fui divulgando para algumas pessoas. Porém, na última semana eu comecei a me dar conta que não estávamos progredindo muito bem, então comecei a mandar e-mail para a minha família, amigos, amigos da família e pedindo para divulgarem para quem pudesse. E campanha no facebook direto também, é claro. Mandava mensagens para o Ulisses, feliz com o progresso dos últimos dias e, ao mesmo tempo, com medo de que não iríamos conseguir. Era frustrante pensar que poderia não dar certo. A sensação de atingir a meta foi quase igual a procurar seu nome no listão do vestibular e ver que esta lá. É muito bom.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Entrevista: Suzana Witt, coadjuvante de luxo

Suzana Witt e o diretor Ulisses da Motta Costa se conheceram primeiramente como aluna e professor, na oficina de cinema que existe na escola em que a atriz cursou o Ensino Médio. A inclinação pelas artes, o talento e a força de vontade chamaram a atenção de Ulisses, que chamou-a para ser assistente de direção um ano depois dela sair da escola, no curta Ninho dos Pequenos. Desde então, ela tem atuado nesta função em outros trabalhos da Ampli Produtora, e foi "promovida" ao posto de atriz em Kassandra.

E de cara ela teria que fazer dois papeis: um usando apenas a voz (a mulher que telefona para Kassandra) e outro usando apenas o corpo (uma prostituta que acompanha o asqueroso vizinho que assedia a protagonista). No fim das contas, o resultado saiu um pouco diferente do imaginado. Leiam na entrevista:


Você faz um papel pequeno em Kassandra, praticamente uma coadjuvante de luxo. No entanto, você acompanhou boa parte do processo de pré-produção. Mesmo não aparecendo tanto no filme, ainda assim é importante acompanhar o seu desenvolvimento?

Suzana: "Coadjuvante de luxo" é ótimo! Hahaha. Eu concordo com essa denominação, porque acho que é bem isso... A figura da prostituta aparece pra incrementar a personagem do vizinho que o Leandro Lefa faz.  A prostituta e a regata suja de café são, na minha opinião, essenciais para o vizinho! 

Sobre acompanhar a pré-produção, sim; Para mim, especialmente no caso de Kassandra, foi importante acompanhar a equipe antes das gravações. Digo isso porque, além dos encontros facilitarem o entendimento de todo o roteiro -- que acredito que toda a equipe tenha que ter, independentemente de cargo que desempenhe na produção --, pude também conhecer o pessoal "novo" da equipe e sentir como seria estar do outro lado das câmeras, sendo gravada por gente que eu já conhecia. Por já ter trabalhado com vários dos integrantes da equipe de Kassandra anteriormente, porém fazendo assistência de direção, estava curiosa para ver como seria estar atuando em um dos "nossos" -- dá pra chamar de nossos? -- filmes. Ver todo mundo antes e estar com os outros atores tornou a coisa toda mais confortável. 

Entre a equipe, havia ex-colegas suas de escola: as figurinistas Isabela Boessio e Giulia De Cesero e a continuísta Marina Cardozo. Como é este reecontro num outro universo? O que muda?

Suzana: O reencontro é muito bom. A Isa e a Giulia eu não via fazia quase um ano, porque elas tinham ido pra Inglaterra fazer intercâmbio e eu ainda não tinha visto elas na volta. Mas tudo é muito diferente! Acho que por mais fatores do que apenas o ambiente e as funções que a gente tava desempenhando, mas com certeza esse é um dos motivos.

A Marina, que não era minha colega na escola, foi das três gurias a que eu mais vi depois de me formar, na verdade! Porque a gente se viu muito no Clarice/Tom, que fizemos no ano anterior*. Acho que a gente inclusive conversa mais agora do que na época da escola, porque estamos sempre nas tuas produções. Descobri várias identificações com a Marina depois dos trabalhos que fizemos juntas! Talvez a gente já tivesse todas essas coisas em comum na época da escola, mas aí cada uma tinha "sua turma", literalmente, sabe? O que eu acho mais legal da Marina é que o riso dela tem a capacidade de me deixar muito a vontade!

Ver a Isa e a Giulia também foi muito bacana; as gurias tão muito profissionais. Elas sempre foram as gurias mais estilosas da turma na escola, e o gosto por moda virou mesmo profissão. Aí, ao mesmo tempo, foi engraçado... a Isa é minha amiga de infância e adolescência, e as duas eram minhas amigas e companheiras de festas no ensino médio! Durante as gravações, a gente conseguiu conversar um pouco, mas no geral estávamos desempenhando -- lindamente, diga-se de passagem -- nossos papéis (risos). As relações são mais distantes do que nas festas e nas brincadeiras de Barbie, por exemplo... mas ao mesmo tempo o carinho continua, e dá pra sentir isso. No geral, acho que rever as gurias nas gravações fez com que eu me sentisse a vontade... e feliz.

Você inicialmente apareceria como a prostituta, que não teria falas, e gravaria os diálogos de uma pessoa que fala com Kassandra pelo telefone. Porém, você e Leandro Lefa acabaram improvisando diálogos na cena com a prostituta e outra atriz teve que gravar a voz no telefone. Conte como surgiu o improviso e como aconteceu esta substituição.

Suzana: Eu conheci o Lefa no dia da gravação, se não me engano. Se não tô louca, ele já me conheceu vestida com o figurino da prosti, até porque lembro que depois da gravação coloquei minha roupa mesmo, tirei a maquiagem e aí ele disse "Nossa, é muito diferente" (risos). Mesmo assim, a improvisação não teve muito mistério: quando o diretor nos pediu para improvisar, disse "combinem o preço de alguma coisa, algo assim"; foi o que a gente fez, e revendo a cena agora acho que deu super certo!

Com isso de a prostituta ter falas, achamos melhor que outra pessoa fizesse a a voz do telefone. A convidada para esse papel foi a Ingrid  Bonini. Com a Ingrid nós gravamos outro curta, o Luz Natural, em novembro do ano passado. Acho que é uma boa ela ter feito a voz do telefone por dois motivos: primeiro, não confundir com a minha voz (a dela é bem diferente da minha!); segundo, porque pelo que conhecemos da voz dela em Luz Natural, acho que ela vai conseguir dar um tom grave e pesado ao que é dito no telefone, o que vai ficar beeeem legal.

*Piloto de web série desenvolvido pela mesma equipe de Kassandra

domingo, 20 de janeiro de 2013

A voz que faltava em Kassandra

Kassandra recebeu nesta semana um reforço no elenco. É a atriz Ingrid Bonini, que foi chamada para fazer a misteriosa voz que fala com a protagonista por telefone -- ou, como se descreve no roteiro, a Voz ao Telefone. 

Ingrid Bonini contracena com o filme já montado
Inicialmente, quem faria esta voz seria Suzana Witt, que também faz o papel da prostituta que aparece rapidamente no filme. Incialmente, este acúmulo de funções era possível porque o roteiro planejava apenas uma fala para a garota de programa. Contudo, durante as filmagens Suzana improvisou alguns diálogos que permaneceram na montagem -- e, atualmente, a equipe de som formada por Roberto Coutinho e Leandro Lefa achou que a mesma voz em dois personagens poderia soar estranho, por mais que a atriz fizesse entonações diferentes.

Com a aprovação da própria Suzana, o diretor Ulisses da Motta Costa convidou Ingrid para então emprestar seu timbre grave e sedoso ao filme. Eles trabalharam recentemente no curta experimental Luz Natural, que será finalizado após o término de Kassandra. Junto com o terapeuta, interpretado por Maico Silveira, a Voz ao Telefone é o único personagem com falas em destaque na narrativa, o que representava um desafio a mais para a atriz: criar um interpretaçao vocal de um dia para o outro, e sem contracenar com ninguém a não ser com as imagens já filmadas há um ano atrás. 

A gravação foi feita num estúdio improvisado pelo engenheiro de som Roberto Coutinho dentro do próprio apartamento onde Kassandra foi rodado. Por mais que o resto do elenco não estivesse junto, manteve-se a tradição de levar todos os atores para dentro da casa da nossa heroína. 

sábado, 29 de dezembro de 2012

Entrevista: Maico Silveira, o terapeuta

Maico Silveira, em Kassandra, faz o terapeuta que visita a personagem-título. É, a bem dizer, o único personagem a falar de fato no filme.

Ator especializado nos palcos, mas com vários trabalhos em audiovisual, Maico (assim como Leandro Lefa) trabalhou com boa parte da equipe em O Gritador e também em Luz Natural, projeto de curta experimental iniciado pelo diretor Ulisses da Motta Costa enquanto Kassandra está sendo finalizado. 


Você é basicamente o único integrante do elenco a ter falas. Como é a responsabilidade de ser a voz num filme que é, a bem dizer, mudo?

Maico: A responsabilidade é grande. Se o filme foi concebido com poucas falas, postas na boca de um único personagem, significa que estas palavras são importantes e foram pensadas com exatidão para cada momento onde aparecem. Por isso conversei muito com o diretor sobre as intenções dessas falas, para encontrarmos a justa medida desse jogo de revelar/esconder que a palavra dita nos proporciona.

Como você avalia o processo de preparação do elenco antes da filmagem? Para um padrão de um curta-metragem, você acha que foi o suficiente ou não se costuma fazer isso neste tipo de trabalho?

Maico: Foi um período de preparação que, apesar de curto, foi muito esclarecedor para o processo. Eu adoro trabalhar com preparação anterior, acho que este período agiliza o momento da gravação, dando um entendimento maior ao ator, que pode trabalhar com mais clareza de intenções na hora do “ação”. Ter um tempo de preparação é ótimo, sendo um curta ou um longa-metragem, pois isso dá armas para o ator usar na hora da gravação.

Como um ator que costuma trabalhar mais no palco, o que você leva ou quer fazer de diferente quando vai para o set? O que você tentou fazer de diferente ou novo em Kassandra?

Maico: Eu tentei não fazer nada em Kassandra. Isso é uma das coisas difíceis de ser um ator habituado ao palco. Tenho tentado, no meu trabalho com o cinema, entender que não é preciso querer atuar, ou mostrar o que está por trás da atuação. O mais difícil é deixar a câmera entrar no nosso íntimo e captar o que é necessário para o personagem.

Você conhecia Leandro Lefa e Luis Franke anteriormente, e é o seu segundo trabalho com o diretor Ulisses. Já Renata Stein você conheceu durante os ensaios. Como você avalia estas parcerias antigas e contracenar com uma atriz nova no contexto do filme?

Maico: Estamos evoluindo juntos, e é muito bom quando temos a possibilidade de acompanhar o trabalho dos colegas e percebemos essa evolução, sobretudo quando somos atores com formação e história em comum nos palcos. Tanto no entendimento da atuação (no caso do Lefa ou do Luis), quanto no que diz respeito à maneira como conduzir um trabalho (no caso do Ulisses), percebe-se que muitas coisas foram entendidas e assimiladas ao longo dos últimos anos. Conhecer a Renata, por sua vez, foi um presente: ela me ensinou muito durante o processo. Ela tem uma energia espontânea e descontraída, necessárias não apenas para a Kassandra, mas para qualquer ator que queira trabalhar com cinema. Por isso vê-la trabalhando, colocando toda sua energia alegre, jovial e descontraída no trabalho, foi uma ótima maneira de refletir sobre nosso trabalho e alimentar o próprio processo.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Entrevista: Leandro Lefa, o vizinho

Leandro Lefa, antes de fazer Kassandra, já tinha uma larga experiência em TV e em cinema, tendo atuado em inúmeros curtas e também em longas -- fora, claro, no teatro. Ele já havia trabalhado com boa parte da equipe em O Gritador (2006), também dirigido por Ulisses da Motta Costa (assista aqui). 

Além de atuar, Lefa também está trabalhando no som de Kassandra, como folley artist. Confira a entrevista com o ator:

Alfredo Barros, o montador de Kassandra, considera você um dos melhores atores gaúchos para cinema. Você realmente tem este gosto especial de atuar para a câmera, mesmo que a formação de atores no Rio Grande do Sul seja orientada para o teatro?

Lefa: O Alfredo é muito lisonjeiro, mas acontece que meu trabalho depende muito do dele, assim que dividimos qualquer mérito. Sim, me relaciono muito melhor com a câmera e me identifico mais com a linguagem do cinema. Tenho muita dificuldade no teatro. E é uma coisa minha, porque de fato não tive uma formação voltada pra cinema (até porque não há, aqui). Começo a acreditar nas pessoas que dizem que eu sou do contra (risos).
Você já fez outros trabalhos de terror, como em Porto dos Mortos, e no teatro está vivendo o protagonista do Linguiceiro da Rua do Arvoredo, uma lenda urbana de Porto Alegre. Em Kassandra, seu personagem também vive num contexto sombrio. O que há nestes personagens repulsivos que te atrai a atenção?

Lefa: A bem da verdade, nesses três trabalhos fui convidado por pessoas de quem gosto. Poderiam ter me convidado pra fazer um vendedor de casquinha que eu teria topado. Mas o interesse pelos personagens vem na medida em que eles ajudam a compor a história e o universo do filme. No caso de Kassandra, por exemplo, o personagem é um tanto raso, mas é por isso que funciona dentro do filme. Ele contrasta com Kassandra, dando dimensão pro universo dela e mais complexidade à trama.
Do elementos que existem em Kassandra, qual é o que mais te chama a atenção como artista?

Lefa: Justamente, a trama e o universo dos personagens são alguns dos elementos que mais me fascinam no cinema. E em Kassandra eles estão muito presentes, pelo roteiro e pelas atuações. E isso é evidenciado pela fotografia. Enfim, é um conjunto harmônico. No teatro, um ator pode 'salvar a peça'. No cinema, ele pode se destacar. Se o filme funciona é mérito da equipe (onde se inclui o elenco), com destaque pro diretor, que faz todo mundo trabalhar no mesmo filme.
Como é refazer a parceria com a equipe com a qual você fez O Gritador? O que há de novo entre aquele trabalho e Kassandra?

Lefa: É muito bom por serem pessoas formidáveis, mas isso eu já sabia. É ótimo ver como todos cresceram. Os seis anos trouxeram experiência e agregaram outros bons profissionais. Me pergunta se eu quero fazer parte do próximo filme (risos).

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Entrevista: Luis Franke, o Homem Grande

Luis Franke ou, simplesmente, Luisão. A sua presença cênica forte e voz marcante (e seu grande talento) lhe renderam trabalhos nos palcos, nos microfones (ele locutor também), nas telas de TV, em produções publicitárias e no cinema -- está em O Tempo e o Vento, de Jayme Monjardim, que estreia em agosto de 2013. Além disso, Franke já tem dois prêmios Açorianos de Teatro em casa. Em Kassandra, ele faz a enigmática e assustadora figura chamada apenas de "Homem Grande". 

Confiram o que este homem de grande talento têm a dizer:



Luis, você é um ator que tem emendado trabalho atrás de trabalho para televisão, publicidade, teatro e cinema. Por que fazer um curta-metragem independente e como arranjar tempo para fazê-lo?

Luis: Os curtas, além da experiência, me dão muito prazer. A relação ator, diretor, assistentes, câmera, som, iluminação, cenografia é pura magia quando acontece em harmonia, e pra isso a gente sempre arruma tempo.

Você já recebeu dois prêmios Açorianos de Teatro. O próprio Ulisses lhe disse que era louco de dar a um ator premiado um papel que não tem falas. Não lhe incomoda em Kassandra você não puder usar a sua voz, que é uma das suas marcas registradas, e ter que atuar apenas com o corpo e com o rosto?

Luis: Na verdade eu é que sou grato ao Ulisses por ter me dado a oportunidade de fugir um pouco da minha “zona de conforto”. Os desafios nos fazem crescer.

O quem lhe chamou mais a atenção no projeto de Kassandra? Em suma, onde que o curta conquistou o seu interesse e despertou sua vontade de participar dele?

Luis: Desde o início das minhas tratativas com o Ulisses, me chamou a atenção a sua paixão, a sua vontade de realizar o projeto. Quando nos encontramos pessoalmente, vi isso no brilho do olho dele. Ele sabia o que queria. Talvez não soubesse ainda por onde ir, e abriu esse espaço para os atores construírem juntos este caminho, mas sabia onde queria chegar, e isso já era meio caminho andado. 

Eu já havia recebido um prêmio de atuação por outro trabalho orientado pelo Ulisses há alguns anos*, então sabia que estava em boas mãos. No elenco, o privilégio de dividir a cena com os talentosíssimos e queridos amigos Maico Silveira e Leandro Lefa, e a impactante Renata, que ainda não conhecia. E finalmente pelo roteiro instigante e misterioso, que nos conduz pelo imaginário entre a realidade e a ilusão, a sanidade e a loucura, a verdade e a mentira, a confiança e a traição...e por aí vai.

* Pelo curta De Cartas de Café, realizado em 2008 por alunos da Oficina de Cine do Colégio Sinodal de São Leopoldo. Em 2010, o filme concorreu no Festival de Vídeo Estudantil de Guaíba e levou os prêmios de 2o lugar em Curta de Ficção e de Ator Coadjuvante para Luis Franke. Esta oficina é ministrada por Ulisses desde 2006 e alguns dos membros do elenco e da equipe de Kassandra cursavam-na naquela ocasião: a atriz Suzana Witt, a assistente de direção Marina Cardozo, e as figurinistas Giulia De Cesero e Isabela Boessio -- que, por sinal, foi quem dirigiu Franke no curta.

domingo, 29 de julho de 2012

Um carioca em Kassandra


Victor Hugo Fiuza viveu uma experiência curiosa em Kassandra. Estudante de cinema na PUC-RJ e carioca da gema, foi convidado pelo diretor Ulisses da Motta Costa para vir ao Rio Grande do Sul ser assistente de direção. Ambos se conheceram no Festival de Gramado em 2009, quando fizeram parte do Júri Popular.

Além de ter trabalhado como primeiro assistente de direção durante as filmagens, Victor também assumiu a direção de fotografia adicional na terceira diária, devido a compromissos profissionais de Pablo Chasseraux -- o que só aumentou a resposabilidade e a importância dele dentro da equipe.

A seguir, as impressões do próprio Victor nos dias em que passou filmando em terras gaúchas. 


A Experiência de fazer Kassandra


Quando meu avião decolou de Porto Alegre, sentido Rio de Janeiro, a minha sensação era de deixar um território especialmente familiar para mim. Da janela, eu não via só uma paisagem que se afastava, perdendo sua definição; via elementos tão aleatórios quanto o chimarrão, uma cerveja Polar e a expressão “Bah”, agora tão próximos de mim, se afastando. Via lugares e principalmente, pessoas. Esse é um dos estranhos poderes do cinema: te permitir entrar em um lugar sem nenhuma fronteira do tempo (e sua duração), com uma intensidade muitas vezes fora de controle. O cinema é uma fábrica de laços. 

Sou do tipo de pessoa que acredita que uma câmera cinematográfica capta muito mais que aquilo que é encenado diante dela. Ela é capaz de captar seu entorno; a atmosfera que a envolve. Não creio que apenas os atores construam cada plano do filme; acho que dentro de cada imagem, estão as aspirações e sentimentos de toda uma equipe de pessoas. Nesse sentido, estou quase convicto em dizer que Kassandra será um filme invariavelmente especial, posto que o que se conseguiu construir em termos de relações humanas em direção e em torno do filme, foi de uma beleza realmente artística. 

Tudo isso não se trata apenas de uma competência técnica dos membros da equipe e do brilhante elenco, mas principalmente da capacidade de doação e de relacionamento interpessoal que envolveu o filme. Se ao descobrir que teríamos um número acima da média de planos por dia (geralmente são 15; fizemos mais que o dobro disso diariamente) e que teria bons motivos pra me preocupar (já que isso tornaria a filmagem muito mais difícil e complexa, além de arriscada, e meu trabalho envolve diretamente a gerência dessas questões no set), foi somente essa condição de equipe e elenco que permitiu a concretização de Kassandra de uma maneira profundamente eficaz. Isso não é tão comum, seja em curtas, longas ou na TV. 



Mérito do poder invejável de decisão e controle do diretor Ulisses da Motta Costa, que sempre soube como conduzir não só aquilo que deveria se apresentar diante da câmera (ou seja, a encenação do filme), mas também o grupo que estava por detrás dela; a agilidade nunca comprometedora da fotografia de Pablo Chasserraux e sua equipe, sempre acalcando resultados surpreendentes; Ramona Barcellos e Roberto Coutinho (produção), por simplesmente terem cuidado de tudo e de todos nós; Ana Gusson, a diretora de arte, que torna impossível um set não ser agradável – além de estar, mesmo com todos os cenários prontos, sempre por perto; à Marina Cardozo, muito mais que uma continuísta; ao elenco, nunca menos que preparado e excepcional (Kassandra conta realmente com grandes atores – e eu gostaria de fazer uma menção especial à Renata Stein, a Kassandra do título, uma atriz jovem assustadoramente madura e talentosa); em suma, graças a todos. 

Acho que as pessoas podem esperar de Kassandra um filme que, além de cumprir seus méritos cinematográficos por si só, também fale sobre um tipo de cinema importante de ser feito e que deve ser valorizado, inclusive remetendo, regionalismos à parte, ao próprio cinema gaúcho (seja o de outrora, o do agora ou o do porvir). 

Da minha parte, fica uma certa saudade e uma vontade de novas produções no Rio Grande do Sul. Principalmente se for para trabalhar com pessoas como essas que fizeram e fazem Kassandra. 

Obrigado. 

Victor Hugo Fiuza (primeiro assistente de direção)

PS: Gostaria de agradecer especialmente ao eletricista Jô, pela ajuda especial que ele deu a mim no nosso terceiro dia de filmagens.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

As imagens de Kassandra - 4

Viu a nova leva de fotos dos bastidores do curta? Então aqui vai mais algumas!

Fotos por Daniel Coutinho. Veja ainda mais fotos aqui, aqui e aqui.

You can also see the english version of this post!


Leandro Lefa e o diretor Ulisses passando uma cena
Uma cortina falsa para um plano subjetivo
Renata Stein e a boneca Blá-Blá
Imagem fantasmagórica no monitor
Leandro Lefa "entrando" no personagem



segunda-feira, 25 de junho de 2012

As imagens de Kassandra - 3

Enquanto as novidades não chegam, revelamos mais algumas fotos para vocês. Esperamos que gostem!

Fotos por Daniel Coutinho. Você pode ver a primeira parte aqui e a segunda parte aqui.

You can also see the english version of this post! 

 
Renata Stein e a câmera, uma relação de amor
Leandro Lefa, o vizinho asqueroso
Pablo Chasseraux (diretor de fotografia) e Ulisses Costa (diretor)
O "filme dentro do filme"
"Corta. Mais sangue"
 

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Preparando o elenco de Kassandra

Texto escrito pelo diretor Ulisses da Motta Costa sobre a preparação dos atores em Kassandra.

Ajude Kassandra a virar realidade! Participe e divulgue o nosso crowdfunding!!! 

A preparação de elenco virou coisa seríssima no Brasil. Há quem discorde ou concorde, há quem acha essencial, há quem defenda que isso tira a autonomia do diretor. Mas o certo é que ajudou a moldar a imagem atual do cinema nacional: atuações ao mesmo tempo naturais e viscerais.

Como Kassandra é um projeto pequeno, eu mesmo resolvi fazer junto com os atores um esboço de preparação de elenco (não é de longe a minha especialidade). O trabalho foi dividido basicamente em três partes (com os vídeos publicados anteriormente em outros posts ilustrando):


A - Ler e debater o roteiro:

Fazer leituras de roteiro e debater com os atores quais as impressões e compreensões que eles tiveram acerca do material é algo que eu sempre faço. Gosto de saber como eles enxergam as motivações e as ações do personagens (acima, uma leitura com Renata Stein, Maico Silveira e Suzana Witt).

Isso, não raro, muda detalhes do roteiro: não só as falas (descobrimos se realmente funcionam durante as leituras), como também características dos personagens. Por exemplo: no roteiro, havia menção de que o pulso de Kassandra tinha cicatrizes de tentativa de suicídio. Para Renata Stein, contudo, se a personagem tivesse tentado se matar, ela certamente conseguiria. No momento em que ela trouxe esta interpretação, pareceu fazer todo o sentido ela não ter as cicatrizes. Por conta da leitura que a atriz teve da sua personagem, um dos seus traços físicos foi modificado. 

A maneira como os atores captam o subtexto do roteiro é essencial também para saber o quanto que ele funciona. E é interessante ver como cada artista procura seu foco: na reunião vista no vídeo abaixo, as preocupações de Maico Silveira e de Luis Franke são diferentes: o primeiro quer entender melhor a protagonista, enquanto o segundo procura uma resposta mais clara para os elementos subjetivos da trama:


B - Preparação de atores

Nunca usei antes uma preparação de atores que envolvesse exercícios e trabalhos específicos para criar sensações e sentimentos nos atores. Mas em Kassandra achei que poderíamos fazer isso de forma intensa, especialmente para preparar Renata Stein para as várias camadas da personagem. No vídeo abaixo, um exercício de aquecimento em que ela e Maico Silveira não podiam se encostar.

Um dos nossos trabalhos desenvolvia reações ao medo: Renata tinha que ficar deitada num sofá no escuro (os ensaios aconteceram na locação, o que nos ajudou), com o rosto virado em direção ao encosto e as costas desprotegidas. Enquanto isso, eu caminhava lentamente em torno dela. Ela não poderia se mexer ou gritar: apenas mexer duas bolinhas de yin-yang nas mãos quando a tensão ficasse insuportável.

No início, cada estalido do chão de parquê desencadeava o tilintar das bolinhas na mão de Renata. Num dado momento, porém fiquei em silêncio por alguns minutos -- até que a própria ausência de som  fosse mais angustiante do que qualquer ruído.

Um exercício que usamos em vários momentos (inclusive minutos antes de filmar) foi sugerido por Maico: Renata não podia deixar que outra pessoa tocasse nela. Alguém tinha que tentar encostar nela com as mãos, as pernas e mesmo com o corpo. O que começava quase engraçado aos poucos virava uma espiral de desespero, em que a atriz tentava escapar do toque a qualquer preço.

O bom deste exercício é que podíamos mudar a pessoa que tentava tocar Renata (até mesmo eu fui um dos "agressores") conforme a situação -- foi particularmente dramático quando ela fez esta rotina com Leandro Lefa, poucos minutos antes de gravarmos uma cena em que o personagem dele tenta impedir Kassandra de passar por uma escadaria.

Com o mesmo Lefa elaboramos outra atividade: como seu personagem é uma ameaça a Kassandra, achei interessante eles trocarem de papeis e ela tentar subjugá-lo. A "brincadeira" era assim: Leandro ficava sentado no chão e tentava levantar, enquanto Renata impedia-o. Achei o exercício começaria leve, intensificando-se gradualmente. Que nada: ambos já tinham introjetado seus personagens de tal forma que se atracaram quase em luta corporal assim que eu disse "podem começar". 


C - Ensaios

Num certo ponto da pré-produção, os atores já conheciam muito bem o roteiro. Porém, o ensaio de pelo menos algumas das cenas era essencial para que começássemos a ver o ritmo interno delas, como seria a marcação do elenco e mesmo se os enquadramentos funcionariam.

É interessante ver o quanto que o resultado final da cena é diferente do que era no início dos ensaios em termos de atuação. Num primeiro momento, os atores ainda não estão totalmente confortáveis com o personagem. Por isso, abrimos espaço para improvisos e para ideias tolas -- num dos ensaios, pedi para que o elenco atuasse como se Kassandra fosse uma comédia, ao notar que o ritmo tinha se engessado num formato muito truncado. O resultado deu certo: limpou o excesso de reverência e pudemos voltar a algo mais contemplativo e ainda assim mais fluido.

No vídeo abaixo, a mostra de que o improviso funciona: o celular de Renata tocou  durante um ensaio. Ela, porém, não podia sair do personagem -- ou seja, não podia falar. Seu companheiro de elenco acompanhou o espírito e manteve-se no personagem durante o imprevisto.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Making of Kassandra - 6 - Mistérios


You can also read the Kassandra's English Version!

No novo vídeo de making of de Kassandra, os debates do elenco a respeito do roteiro -- abordando especialmente os aspectos de mistério presentes na história. Luis Franke, em especial, traça algumas teorias sobre eles (como podemos ver na foto acima). 

Confira aí!

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Do elenco: Leandro Lefa


Hi! You can also read the Kassandra's English Version!

Ele ficou para o final, mas é importantíssimo: Leandro Lefa faz um dos principais personagens de Kassandra, um bizarro vizinho sem nome que representa uma ameaça à protagonista. No entanto, foi o último ator escalado para o filme.

De acordo com o diretor Ulisses Costa, a dificuldade estava em encontrar alguém que se diferenciasse fisicamente dos outros homens do elenco. "Roger Monteiro, o roteirista, tinha uma ideia de alguém mais velho e possivelmente mais corpulento", lembra ele. "Mas eu tinha medo que se confundisse com a imagem do Homem Grande". 

Ulisses escolheu Leandro Lefa por também ser conhecido de longa data. Ele foi um dos atores de O Gritador, primeiro curta do diretor. A promessa de trabalharem novamente permaneceu e mais de um projeto foi pensado para reatar a parceria, mas nenhum foi para a frente. Pesou o fato também de Lefa já ter experiência no cinema de terror -- participou do quase lendário Porto dos Mortos, um filme de zumbi rodado em Porto Alegre e que permanece inédito no circuito comercial.

A caracterização do personagem precisava ser muito específica. Apesar da agenda apertada do ator, ele conseguia mandar fotos por e-mail para a equipe, dando ideias de figurino, maquiagem, expressão facial e corporal (como na foto abaixo). "Apesar de não termos tido tempo para ensaiar como fizemos com a Renata, por exemplo, a dedicação do Lefa foi essencial para que o personagem estivesse pronto quando precisássemos dele no set", conta o diretor. 

Teste de figurino e maquiagem feito pelo próprio ator e mandado por celular para a equipe.
"Mérito do Uli: com inteligência e sensibilidade, ele sabe dizer exatamente o que quer construir e a coisa flui", diz o ator por sua vez. "A partir do roteiro, bastaram um café e 3 minutos de exercício de improvisação pra eu me sentir plenamente seguro e a vontade com meu personagem e com toda a equipe, sobretudo o restante do elenco".

Café? Sim: nas primeiras cenas em que participou, Lefa precisava parecer imundo. A diretora de arte Ana Gusson sugeriu que uma camiseta tipo regata fosse suja com café, para deixar uma aparência molambenta na fotografia em preto-e-branco. No fim das contas, o ator ficou usando a roupa úmida e com forte cheiro de café por várias horas, o que rendeu dúzias de piadas por parte de Renata Stein.

Sobre trabalhar em mais um filme de terror, Leandro comenta: "busquei criar um cara sem profundidade, impulsionado pelo sexo e que acha divertido ser nojento e causar repulsa. Interessante que em Porto dos Mortos também fiz um cara intelectualmente limitado e que por isso não sabe se portar como indivíduo, mas são personagens completamente distintos".