Paciente: Sexo feminino. Vinte anos.
Estresse pós-traumático. Alucinações visuais.
Avistamentos de um vulto, o "homem grande".
Cartas de tarô, de origem desconhecida.
Muda.
Mora só.
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terça-feira, 6 de agosto de 2013

Entrevista: Roberto Coutinho, Leandro Lefa e o som em Kassandra


Hora da dupla que fez o áudio de um filme quase mudo se manifestar. Roberto Coutinho (que também é produtor executivo) e Leandro Lefa (que também é ator) acumularam suas funções originais em Kassandra com a edição e mixagem do som.

Parece simples? Não quando 99% do filme teve seu áudio inteiramente criado em estúdio. Confira a entrevista!

Kassandra é um filme quase sem diálogos, baseado no visual. Como fica o papel do som num projeto assim? Vocês utilizaram som direto e depois recriaram elementos sonoros em estúdio? Comentem um pouco o processo do som de maneira geral.

Roberto Coutinho: No momento em que a narrativa não é conduzida pelo diálogo, o som ganha uma importância maior ainda. Cada elemento sonoro teve que ser pensado e discutido detalhadamente para ajudar o espectador no processo de imersão no universo de Kassandra. Como a protagonista transita entre o mundo real e o criado em sua mente, os sons não tem uma morfologia estanque. Alguns elementos se repetem nestes dois mundos, como objetos caindo ou portas batendo, por exemplo. Mas de uma forma onírica, estes sons se baseiam no mundo físico, sofrendo ligeiras distorções criadas pela mente. E isto os torna estranhos, desconfortáveis e até assustadores! 

Acredito que o maior desafio aqui foi recriar estes elementos sonoros com leves distorções psicoacústicas, convidando o espectador a experimentar a confusão de um desligamento parcial do mundo físico, perdendo-se entre o ambiente captado pelos sentidos e aquele criado pela imaginação.

Leandro Lefa: Como o filme não é conduzido por texto, por falas, as imagens - visuais e sonoras - assumem o primeiro plano da atenção do espectador. Com isso em mente, criamos praticamente todo o som do filme em estúdio. Como os sons são gravados individualmente (passos, respirações, cada objeto...), podemos dar a cada um deles uma característica que funcione no sentido criar o universo dos personagens. Esse objetivo ainda é potencializado pela liberdade total de mixar esses sons na proporção necessária. Assim pudemos criar momentos muito silenciosos de Kassandra, sozinha em seu grande apartamento, e momentos de sons abruptos, ríspidos, que invadem a tranquilidade da personagem - para exemplificar com um dos elementos propostos por Ulisses. Acredito que isso, a música e a montagem de vídeo fazem o filme fluir muito bem.

Leandro, você atuou e recebeu o convite para trabalhar no som depois. Você já tinha acumulado estas duas funções em outros trabalhos, certo? Qual a diferença que você vê em Kassandra em relação a estes projetos, nestas duas áreas?

Lefa: Já fiz isso outras vezes, como no longa Porto dos Mortos ou na websérie Desconectados, mas em Kassandra minha participação no som teve uma proporção maior. Eu sou artista de foley e editor de som, mas estive presente na mixagem do Roberto. Ele, claro, esteve presente em tudo no som e trabalhamos colaborando muito um com o outro o tempo todo. E acho que foi a primeira vez que atuei sem saber que ia trabalhar no som do filme.

O que vocês usaram de inusitado para criar sons no estúdio (os chamados foleys) durante a pós-produção do curta?

Lefa: Ruídos de sala ou foley (nome em inglês, em uma homenagem ao seu criador, Jack Foley), são sons gravados em estúdio e adicionados à banda sonora do filme na pós-produção. Em Kassandra, algumas das poucas falas vêm do som direto. Os demais sons são criados no estúdio.

A maioria deles é feita de maneira bem óbvia. Passos por exemplo: são passos. E o telefone tocando é um telefone tocando.

Mas alguns dos óbvios são divertidos: uma pessoa despencando em cima de um sofá, é uma pessoa despencando em cima de um sofá.

Tem alguns curiosos: o som do passarinho batendo asas na gaiola, é o som de feixes de elástico sendo agitados. Já as patas no poleiro, são baquetas do tipo vassourinha, de nylon, tocando outras baquetas, convencionais. 

Mas com certeza o mais engraçado é o som da brisa que entra pela porta do apartamento: somos eu e o Chico Pereira, compositor da trilha musical, fazendo um “dueto vocal” de som de vento. A execução é no mínimo cômica, mas embora seja usado com muita sutileza, o resultado é muito eficiente. 

Roberto, você também trabalhou com Chico Pereira na trilha sonora. Qual a importância de ter feito essa ponte direta entre o trabalho do som e o da música?

Roberto: É sempre muito prazeroso trabalhar com o Chico na trilha sonora. Ele consegue fazer a leitura dos conceitos no filme e criar um universo musical que complementa muito bem a narrativa. Uma qualidade que vejo em sua composição é que ele não fica na região de conforto do instrumento que domina, no caso a guitarra, ou dos estilos musicais que conhece mais profundamente. A cada novo trabalho, começamos fazendo uma pesquisa de instrumentos, timbres e estilos mais adequados. Depois, o Chico compõe os temas e então trabalhamos em cima disto para criar a música. 

Explique para nós o que é music sound design.

Music sound design é um termo contemporâneo que descende de um conceito antigo. A ideia básica do sound design é criar ou "desenhar" sonoridades novas através sons criados eletronicamente ou utilizando objetos reais de forma não convencional. Isto sempre foi muito explorado no cinema, principalmente em filmes de ficção científica, onde se inventa um som que não existe, como de uma arma laser ou um disco voador, por exemplo. 

Nos últimos anos, com a onipresença da tecnologia digital na produção musical, o conceito de sound design se ampliou e entranhou-se na música também. O uso de instrumentos eletrônicos nos anos 60 e 70 evoluiu para a música contemporânea, permitindo utilizar todo e qualquer som, produzido pelo mais diferente processo imaginável e amparado pela tecnologia digital. Estes timbres são "desenhados" a partir de elementos diversos, como sintetizadores ou sons orgânicos manipulados. Music Sound Design é o nome dado a este trabalho de criar timbres e efeitos sonoros para utilização como matéria-prima em uma composição musical.

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Ouça a trilha sonora de Kassandra!

O compositor Chico Pereira disponibilizou no seu Soundcloud boa parte das músicas que ele escreveu para Kassandra.

Os temas disponibilizados são dos principais momentos musicais do filme, incluindo o belo tema principal da personagem. Sugestão do compositor: ouvir com as luzes apagas, num lugar silencioso, com fones de ouvido para captar todos os detalhes.

Ouça abaixo cada uma das faixas (na ordem que aparecem no filme):








Ficha técnica da trilha sonora:

Chico Pereira - Arranjos, Sintetizadores, Music Sound Design, Percussão
Roberto Coutinho - Arranjos Adicionais, Sintetizadores, Music Sound Design
Mariele Giovanaz - Voz
Isadora Raymundo - Violino

Composição: Chico Pereira
Engenharia de Som e Mixagem: Roberto Coutinho
Gravado em Ampli Studio - janeiro e fevereiro de 2013

sexta-feira, 15 de março de 2013

Entrevista: Chico Pereira, compositor

Chico Pereira (à esquerda) gravando a música do filme junto com o engenheiro de som Roberto Coutinho (direita)



Versatilidade é uma das marcas mais visíveis (audíveis?) de Chico Pereira como músico. Ele compõe trilhas sonoras com a mesma facilidade com que faz solos de guitarra ou comanda uma mesa de gravação. 

Compositor, músico e produtor musical, em Kassandra ele teve um árduo trabalho, já que a música começou a ser discutida antes mesmo da primeira versão do roteiro estar pronta. Confira como foi feita a música do curta:

Uma das ideias mais primordiais de Kassandra foi que a trilha sonora fosse diferente, não caindo nos clichês do cinema de suspense e de horror. Como se faz uma trilha assim, sem se apegar aos cânones da música para filmes? 

Chico: Difícil. É muito tentador, não? Tem tanta música boa e bem feita para filmes deste gênero. Me peguei inúmeras vezes, enquanto compunha para Kassandra, homenageando sem querer meus compositores favoritos. É complicado compor para suspense e horror e não "roubar" alguma coisa de Bernard Herrmann, por exemplo. Caras como ele compuseram cânones por algum motivo. E este motivo é que estes compositores são, muitas vezes, a bússola do diretor e do espectador. Este certo poder do compositor de música para filmes é fascinante, ao mesmo tempo em que pode ser uma imensa e assustadora responsabilidade. 

Em certas fases do meu trabalho em Kassandra, precisei me afastar do trabalho por um ou dois dias e "limpar" minha percepção auditiva. Acho que isto me ajudou a chegar no que, acredito, não seja um resultado clichê. Não se trata de escutar e estudar os cânones com atenção e fazer tudo ao contrário. Se trata, sim, de tentar colocar alguns tipos de ideia em diferentes contextos: um timbre diferente, uma linha melodica inesperada, uma pausa onde se esperaria uma percussão.


Por sinal, o filme tem vários planos concebidos desde o início para que a música fosse o destaque. Como você vê a função da música nestes momentos? Como é a relação entre diretor / compositor para chegar a um bom resultado neste tipo de trabalho?

Chico: A música em um filme, mesmo quando está em destaque, está trabalhando para o filme. Isso é a primeira coisa que me vem na cabeça, mesmo que o diretor oriente que o seu trabalho seja o protagonista naquele momento. No caso de Kassandra, o que me fascinou foi a oportunidade de a música ser, literalmente, a voz de uma personagem que não consegue falar. Por isso, tive um cuidado extra ao compor temas e melodias, especialmente para a personagem principal. Como representar uma personagem tão cheia de camadas, tão dúbia? Me ative muito a este tipo de questão.

O papel do diretor em relação ao compositor em um trabalho assim é de um parceria pouco comum. O compositor não conseguiria fazer - falo por mim, principalmente - um trabalho tão focado se o diretor não estivesse quase compondo junto a música do filme. É um trabalho exaustivo, exige muito do psicológico, muito mais do que das habilidades musicais propriamente ditas. O apoio e a orientação do Ulisses foram essenciais neste caso.


Antes mesmo do curta começar a ser filmado, você já estava envolvido com a produção, fazendo uma seleção de referências musicais para serem ouvidos por elenco e equipe. Além disso, você inclusive estava no set, colocando música enquanto as cenas eram filmadas. Qual a importância do seu envolvimento desde esta etapa inicial?

Chico: Sinceramente, não conheço ainda outro método de trabalho. Em todos os filmes que trabalhei, estive no set, em tempo integral na maioria das vezes. Em Kassandra, eu precisava de algo mais do que ler o roteiro e assistir ao corte final do filme. Como já disse, eram camadas demais para representar com música. Difícil captar isso sem estar lá. Agradeço ao Ulisses pela sugestão e pelo privilégio de ver a atuação assombrosa da Renata in loco.

Ao mesmo tempo, gostaria muito de ter a experiência de trabalhar em um filme sem estar no set, trabalhar com um olhar mais de fora - coisa que deve ser concretizada em breve com um projeto novo que está por vir, Luz Natural.



Mixando os 33 canais de música gravados para Kassandra


Fale um pouco do processo de composição e gravação. Como você criou a música e que programas e instrumentos foram usados nas gravações? Junto com o engenheiro de som Roberto Coutinho, você elaborou uma música experimental durante as cenas de pesadelo do filme. Vocês usaram sons de piano tocados de trás para diante, correto?


Chico: Compus em casa, tudo em MIDI. Tocava as linhas de todos os instrumentos em um controlador - para quem nao conhece, é basicamente um teclado que dispara sons de bibliotecas de timbres que estao no computador. Alguns destes timbres que usei nas minhas demos foram usados - sons sintetizados disfarçados de timbres mais orgânicos, o que era uma das minhas propostas conceituais da música, esta mistura de real e irreal.
 
Porém a maioria dos meus sons originais foram substituídos no Ampli Studio, em um trabalho de pesquisa que fiz com o Roberto Coutinho. Só existem dois elementos totalmente orgânicos na música: a voz da cantora Mariele Giovanaz e o violino de Isadora Raymundo (ambas com performances perfeitas para o que precisávamos). Mas, seguindo o conceito proposto, estes dois elementos foram transformados e processados, para que transparecessem um aspecto mais etéreo e melancólico.
 
A questão dos sons de piano é interessante. Já havíamos gravado algo parecido em outro filme, Ninho dos Pequenos, mas em contexto absolutamente diverso. Toquei diretamente nas cordas do piano de parede que fica no Ampli Studio, usando meus dedos, palheta, escova de limpeza, arco de violino e chave de fenda para tirar diferentes sons e efeitos. Quando cheguei na sala técnica, depois de gravar estes sons, o Roberto havia invertido eles e isto casou muito bem com o clima surrealista das cenas de pesadelo. Ficamos realmente assustados com o resultado alcançado.


O primeiro curta no qual você e Roberto estiveram envolvidos na música, Onírico, é de 2003, e desde então vocês trabalharam juntos em várias ocasiões, inclusive em todos os curtas dirigidos por Ulisses da Motta Costa (O Gritador, Ninho dos Pequenos e o vídeo pedagógico Cecília e a Guerra dos Farrapos). Como é esta parceria?


Chico: O Roberto e o irmão dele, Daniel, são meus amigos mais antigos. Nos conhecemos há mais de vinte anos. Tocamos em bandas juntos, gravamos juntos e ainda convivemos bastante nas horas de folga. Então, nos conhecemos muito bem, o que facilita demais o nosso trabalho. Tenho orgulho de dizer que nunca precisamos brigar para fazer alguns belos trabalhos, não só nos filmes, mas também na publicidade e em outros trabalhos musicais. Além disso, graças a este cara consigo hoje gravar minhas músicas em casa, por exemplo. A maioria do que sei da parte mais técnica na área do som e de gravações, aprendi observando ele trabalhar. E o Roberto tem a calma e a concentraçao pra captar muitas coisas que quero fazer e às vezes nao sei como.

Daí, se juntarmos o Ulisses nessa história, "os 3 patetas" complementam seus talentos e conseguimos evoluir muito juntos. Espero que a gente possa seguir sempre nestas parcerias.

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Terminando a trilha sonora




Um dos mais antecipados elementos de Kassandra, a música, está na reta final. Composta por Chico Pereira, a trilha tem sido gravada por ele e pelo engenheiro de som Roberto Coutinho desde janeiro, no Ampli Studio. Nesta última semana, foram gravados os últimos instrumentos que faltavam: voz e violino.

A maior parte dos temas musicais foram gravados e reproduzidos em sintetizadores variados; além disso, Chico tocou alguns trechos de piano e, junto com Roberto, gravou algumas experimentações percussivas. Estes takes foram invertidos para reforçar os aspectos psicológicos e surreais do filme.

Mas era consenso que a trilha de Kassandra precisava de mais elementos orgânicos, e por isso Chico resolveu inserir uma voz e um violino -- ambos executados por mulheres. A voz ficou a cargo de Mariele Giovanaz (acima), e Isadora Raymundo gravou o violino (abaixo). Nos dois casos, elas fizeram a melodia do tema principal do filme para momentos distintos da projeção, além de sons experimentais.


Agora, a trilha está na fase de edição e mixagem. Em breve, poderá ser ouvida aqui no blog. Aguarde!

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Mágica na trilha sonora


Olá, aqui o diretor Ulisses da Motta Costa de novo. Vim dividir com vocês uma história curiosa que aconteceu ontem, dia 31 de janeiro de 2013, na gravação da trilha sonora de Kassandra.



Pensando hoje, um dia depois, acho que ontem eu vi um dos melhores mais fantásticos de criação artística  que vi desde quando comecei a trabalhar com cinema. E envolve o gênio musical do Chico Machado Pereira (compositor) e do Roberto Coutinho (engenheiro de som).

Sério, foi extraordinário.

Estava então acompanhando uma sessão de gravação da trilha. Boa parte da música já tinha sido gravada para as cenas mais cruciais. Faltava, contudo, alguma coisa mais sólida para as sequências de pesadelo -- inicialmente, usaríamos uma série de infrassons. Música mesmo, só nas cenas passadas na "realidade".

E, para essas cenas de realidade, uma das ideias do Chico era fazer alguns efeitos musicais usando as cordas de um piano dentro da sua caixa acústica, para complementar o arranjo do que já foi gravado. Em palavras simples: o Roberto desmontou o sistema de martelos do piano que há no Ampli Studio e o Chico poderia tocar diretamente nas cordas. Já tínhamos usado essa ideia (de outra maneira, com outro conceito) em outro curta, Ninho dos Pequenos (foto acima - veja o filme aqui).

Chico sentou no piano e começou a testar possibilidades de som -- que são quase infinitas, já que as cordas ficam ressoando por tempo indeterminado, a frequência de cada uma se misturando à outra. E ele começou a brincar. Sem estar gravando nada valendo, nada pensado para o filme. Apenas brincando de tocar as cordas do piano com uma palheta de guitarra. 

A "recreação" durou uns minutos, até ele parar e dizer: "Pronto, fiz música concreta".

Eu estava no estúdio neste momento. Saí dele e entrei na técnica. E eis que noto que o Roberto tinha gravado a "brincadeira" do Chico. Eles já tinham planejado de usar sons de piano invertidos para criar alguns climas mais etéreos, e por isso o Roberto inverteu toda a "música concreta" que o Chico tinha feito e, talvez sem pensar (pensou?), deu play junto com a cena de pesadelo que abre o filme.

O resultado foi assombroso. Não: assustador é a palavra. Em todos os sentidos. 

A loucurada de notas e sons invertidos se sobrepondo fez sentido não só com a ação dos planos, mas fechou até com os cortes da montagem -- naquele tipo de sincronia (sinergia?) que só os Deuses do Cinema proporcionam aos seus devotos. Não só as notas, mas os ruídos que surgiram do nada, como manifestações fantasmagóricas que nos fez questionar de onde diabos tinham saído.

Nós três ficamos abobados. E sentenciamos em conjunto: tínhamos a música para as cenas do pesadelo. Sem querer. Sem planejar. 

A partir daí, foi um festival de experimentação. Tocar as cordas do piano com um arco de violoncelo. Tocá-las com uma chave de fenda. Tocá-las com uma escovinha de limpar unhas. Cada nova tentativa, ao ser invertida, criava música de outra dimensão.

Gurizada, cês são foda.

domingo, 20 de janeiro de 2013

A voz que faltava em Kassandra

Kassandra recebeu nesta semana um reforço no elenco. É a atriz Ingrid Bonini, que foi chamada para fazer a misteriosa voz que fala com a protagonista por telefone -- ou, como se descreve no roteiro, a Voz ao Telefone. 

Ingrid Bonini contracena com o filme já montado
Inicialmente, quem faria esta voz seria Suzana Witt, que também faz o papel da prostituta que aparece rapidamente no filme. Incialmente, este acúmulo de funções era possível porque o roteiro planejava apenas uma fala para a garota de programa. Contudo, durante as filmagens Suzana improvisou alguns diálogos que permaneceram na montagem -- e, atualmente, a equipe de som formada por Roberto Coutinho e Leandro Lefa achou que a mesma voz em dois personagens poderia soar estranho, por mais que a atriz fizesse entonações diferentes.

Com a aprovação da própria Suzana, o diretor Ulisses da Motta Costa convidou Ingrid para então emprestar seu timbre grave e sedoso ao filme. Eles trabalharam recentemente no curta experimental Luz Natural, que será finalizado após o término de Kassandra. Junto com o terapeuta, interpretado por Maico Silveira, a Voz ao Telefone é o único personagem com falas em destaque na narrativa, o que representava um desafio a mais para a atriz: criar um interpretaçao vocal de um dia para o outro, e sem contracenar com ninguém a não ser com as imagens já filmadas há um ano atrás. 

A gravação foi feita num estúdio improvisado pelo engenheiro de som Roberto Coutinho dentro do próprio apartamento onde Kassandra foi rodado. Por mais que o resto do elenco não estivesse junto, manteve-se a tradição de levar todos os atores para dentro da casa da nossa heroína. 

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Finalizando Kassandra

Terminar um filme é sempre um processo delicado -- normalmente mais demorado que o desejado e que precisa ser trabalhado em várias frentes simultâneas. Com Kassandra não é diferente, claro. E damos um tempo nas entrevistas com elenco e equipe para falar um pouco sobre o atual estágio de desenvolvimento do nosso filme:

Montagem: Os cortes do filme foram feitos pelo premiado e requisitado Alfredo Barros. Por conta de seu envolvimento na campanha eleitoral em Porto Alegre, ele só pôde se dedicar à edição a partir de outubro. Em encontros semanais com o diretor Ulisses da Motta Costa, Alfredo encerrou a montagem no dia 18 de dezembro de 2012 (na foto abaixo, os dois após o término dos trabalhos).

Ulisses da Motta Costa (esq) e Alfredo Barros terminando a montagem

O filme foi majoritariamente montado na ilha de edição da Atama Filmes, em Porto Alegre. No total, Kassandra teve sete cortes (são oito, na verdade, mas o último tem de diferente apenas tempo a mais para os créditos). O principal desafio era dar ritmo ao vasto material filmado (cerca de 150 planos diferentes), de forma que funcionasse em termos de drama e suspense, e fazer as adaptações necessárias na narrativa (incluindo a remoção de elementos que atravancavam o desenvolvimento e a compreensão do filme). Um dos cortes chegou a ter quase meia hora de duração; agora, Kassandra tem pouco mais de 21 minutos de duração, sem os créditos finais.

Som: Desde o início do projeto, sabia-se que o som seria um dos trabalhos mais exaustivos em Kassandra. Afinal de contas, o filme quase não tem diálogos e todos os ruídos e sons precisam ser produzidos do zero. Para a tarefa, o engenheiro de som Roberto Coutinho e Leandro Lefa (um dos atores do filme que também trabalha como foley artist) têm passado os primeiros dias de janeiro dentro do Ampli Studio, em São Leopoldo, deixando a criatividade fluir. 

A primeira etapa, a gravação dos foleys (os sons cotidianos produzidos pelos personagens, como passos, por exemplo) está quase concluída. Pode parecer fácil, mas achar o som correto para cada situação é sempre um desafio -- e os pés descalços de Kassandra (para ficar apenas nos passos) requerem sons sutilmente diferentes para cada cena. A segunda etapa, a gravação de ADRs (sigla em inglês para "substituição de diálogos", ou seja, os sons de fala e respiração dos atores) começa na semana que vem, junto com a edição de som, e envolvem todo o elenco do filme. 

Música: O compositor Chico Pereira há meses coleciona referências e grava ideias para a trilha de Kassandra. Inicialmente, ele fará demos com sons sintetizados e em arranjos simples (processo atualmente em andamento). Estas músicas preliminares serão colocadas no filme para ver quais funcionam e quais precisam ser melhoradas.

A partir daí, começa a se registrar a trilha valendo. Esta demanda começará ainda em janeiro, para estar pronta em fevereiro. As sessões serão gravadas também no Ampli Studio, em São Leopoldo. Falaremos mais detalhadamente sobre trilha sonora em posts futuros.

Finalização: Os mais novos participantes da equipe de Kassandra vêm para fazer um delicado trabalho: corrigir a luz e colocar, finalmente, a imagem do filme em preto-e-branco (os planos foram registrados em cores). A colorista Lígia Tiemi Sumi, da Galo de Briga Filmes, terá este encargo: fazer a marcação de luz do curta inteiro e, a partir daí, ressaltar os contrastes entre as áreas escuras e claras de cada take. O desafio é o mesmo que a fotografia, direção de arte e figurino tiveram que enfrentar anteriormente: pensar não em termos de cor, mas apenas em termos de luz. 

Com tudo isso pronto, o que falta? Juntar todos estes elementos. E Kassandra terá nascido.


domingo, 29 de julho de 2012

Um carioca em Kassandra


Victor Hugo Fiuza viveu uma experiência curiosa em Kassandra. Estudante de cinema na PUC-RJ e carioca da gema, foi convidado pelo diretor Ulisses da Motta Costa para vir ao Rio Grande do Sul ser assistente de direção. Ambos se conheceram no Festival de Gramado em 2009, quando fizeram parte do Júri Popular.

Além de ter trabalhado como primeiro assistente de direção durante as filmagens, Victor também assumiu a direção de fotografia adicional na terceira diária, devido a compromissos profissionais de Pablo Chasseraux -- o que só aumentou a resposabilidade e a importância dele dentro da equipe.

A seguir, as impressões do próprio Victor nos dias em que passou filmando em terras gaúchas. 


A Experiência de fazer Kassandra


Quando meu avião decolou de Porto Alegre, sentido Rio de Janeiro, a minha sensação era de deixar um território especialmente familiar para mim. Da janela, eu não via só uma paisagem que se afastava, perdendo sua definição; via elementos tão aleatórios quanto o chimarrão, uma cerveja Polar e a expressão “Bah”, agora tão próximos de mim, se afastando. Via lugares e principalmente, pessoas. Esse é um dos estranhos poderes do cinema: te permitir entrar em um lugar sem nenhuma fronteira do tempo (e sua duração), com uma intensidade muitas vezes fora de controle. O cinema é uma fábrica de laços. 

Sou do tipo de pessoa que acredita que uma câmera cinematográfica capta muito mais que aquilo que é encenado diante dela. Ela é capaz de captar seu entorno; a atmosfera que a envolve. Não creio que apenas os atores construam cada plano do filme; acho que dentro de cada imagem, estão as aspirações e sentimentos de toda uma equipe de pessoas. Nesse sentido, estou quase convicto em dizer que Kassandra será um filme invariavelmente especial, posto que o que se conseguiu construir em termos de relações humanas em direção e em torno do filme, foi de uma beleza realmente artística. 

Tudo isso não se trata apenas de uma competência técnica dos membros da equipe e do brilhante elenco, mas principalmente da capacidade de doação e de relacionamento interpessoal que envolveu o filme. Se ao descobrir que teríamos um número acima da média de planos por dia (geralmente são 15; fizemos mais que o dobro disso diariamente) e que teria bons motivos pra me preocupar (já que isso tornaria a filmagem muito mais difícil e complexa, além de arriscada, e meu trabalho envolve diretamente a gerência dessas questões no set), foi somente essa condição de equipe e elenco que permitiu a concretização de Kassandra de uma maneira profundamente eficaz. Isso não é tão comum, seja em curtas, longas ou na TV. 



Mérito do poder invejável de decisão e controle do diretor Ulisses da Motta Costa, que sempre soube como conduzir não só aquilo que deveria se apresentar diante da câmera (ou seja, a encenação do filme), mas também o grupo que estava por detrás dela; a agilidade nunca comprometedora da fotografia de Pablo Chasserraux e sua equipe, sempre acalcando resultados surpreendentes; Ramona Barcellos e Roberto Coutinho (produção), por simplesmente terem cuidado de tudo e de todos nós; Ana Gusson, a diretora de arte, que torna impossível um set não ser agradável – além de estar, mesmo com todos os cenários prontos, sempre por perto; à Marina Cardozo, muito mais que uma continuísta; ao elenco, nunca menos que preparado e excepcional (Kassandra conta realmente com grandes atores – e eu gostaria de fazer uma menção especial à Renata Stein, a Kassandra do título, uma atriz jovem assustadoramente madura e talentosa); em suma, graças a todos. 

Acho que as pessoas podem esperar de Kassandra um filme que, além de cumprir seus méritos cinematográficos por si só, também fale sobre um tipo de cinema importante de ser feito e que deve ser valorizado, inclusive remetendo, regionalismos à parte, ao próprio cinema gaúcho (seja o de outrora, o do agora ou o do porvir). 

Da minha parte, fica uma certa saudade e uma vontade de novas produções no Rio Grande do Sul. Principalmente se for para trabalhar com pessoas como essas que fizeram e fazem Kassandra. 

Obrigado. 

Victor Hugo Fiuza (primeiro assistente de direção)

PS: Gostaria de agradecer especialmente ao eletricista Jô, pela ajuda especial que ele deu a mim no nosso terceiro dia de filmagens.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Kassandra - Nossos Agradecimentos

É mais do que na hora de agradecer às pessoas responsáveis pelo sucesso da nossa campanha de arrecadação coletiva: vocês que ajudaram.  

Nada menos que 135 pessoas contribuíram com Kassandra, através do site Catarse.me ou diretamente com a gente. O número de apoiadores que acreditaram no nosso trabalho é mais importante do que o valor arrecadado: mostra que tem gente que acredita no projeto e em nós.

Como disse o diretor Ulisses da Motta Costa:  "Eu não era o único a espiar a cada meia hora a página do Catarse, preocupado que pudesse não dar certo... Somos homens de pouca fé. Nossos amigos, contudo, não são. Eles acreditaram na gente. Agora, o único objetivo da minha vida é não decepcioná-los. Vamos terminar essa bagaça!"

Primeiro, um agradecimento super especial para os apoiadores que nos doaram o valor máximo e se tornaram Produtores Associados de Kassandra, com direito a nome nos créditos principais!

Camila Barcelos
Fábio Guizzardi
Luciane da Motta Costa
Márcia Bohn Gusson

A todos que acreditaram em nós e doaram, além de terem divulgado, o nosso filme - sim, "nosso":  de todas essas pessoas também! Somos eternamente gratos a cada uma delas. :)

Chico Pereira - Compositor

Adriana Ferraz
Adriana Renata Barcelos
Alexandre Selliach
Aline Geib
Amelize Mattos
Ana Carolina Kanitz
Ana Paula Lopes
Angela Lawisch Dorfey
André Conti Silva
Andrea Vanessa Jungbluth
Andy Renmei
Bárbara Swarowsky
Bruna Klassmann
Bruna Köche
Bruno Steffen
Camila Kunkel
Caren Suzana
Carmen Pereira
Carolina Wingert
Caroline Conter
Carlos Porto
Cássio Vargas 
Catarina Corbellini Gusson
Chaiane Bitelo
Cibele Berghahn
Claudino José Etges
Clovis Oyarzabal
Cristina Salib

Ramona Barcellos - Produtora
 Daniel Machado Pereira
Daniela Danieli
Deb Xavier
Denise Thomas
Douglas Michaelsen
Eduardo Conter
Eduardo Ferreira
Eduarda Schuastcer
Fabrizio Ridel
Farlei Heinen
Felipe Fito
Fernando De Cesero
Fernando Nabinger
Flávia Falcão
Gabriel Ferreira
Gabriel Klaser
Gerusa Wasun
Gibran Sirena
Gloria Pinto
Guilherme Benvegnu
Guilherme Cunha
Guilherme Portella
Gustavo Moreira
Henrique Abel
Henrique Scherer
Hilton Junior


Suzana Witt - Atriz
Iara Ungarelli  
Irení Pulla
Jamile Hallan
Janaína Ferreira
Jean Schmith e Tiago Silveira
Jéssica Pulla 
João Felício Gusson
João Ricardo Bittencourt
Jorge Feldens
Juliana Bock
Juliana Wingert
Kat Draugelis
Kátia Salib
Léia Stein 
Liege Ávila
Lili Amaral
Liziane e Vinícius Barros
Loraci Maria Wathier Kich
Luana Flôres
Lucas Bertolini Pizzo
Lucas Finkler
Lucas Luz
Lucia e Décio Berghahn
Luciano Bargmann
Luciano Lamb
Luciano Marquetto
Luciano Martins
Lucinara Linck

Roberto Coutinho - Produtor e Engenheiro de Som
Maria Cristina Franck
Maria Toaldo Machado
Mary Sandra Carlotto
Méle Dornelas
Miguel Presser da Silva
Mônica Marques
 Neori José Gusson
Nicole Kleemann
Nilva Terezinha Gusson Etges
Oliver Reinis
Ory Laux
Priscila Mendes
Rafael Ribs
Raquel Peruzzo e Robson Barcarolo
Rica Retamal
Rogério Rodrigues
Rogério Theisen
Ronaldo Schirmer 

Ana Gusson - Diretora de Arte
Sheila e Gus Antonello
Thais Fernandes
Thaís Lima e Rafael Klaser
Thiago Maciel e Jordão Maciel
Uri Blankfeld
Valmor Burdzinski
Valquíria Ritter
Vandré Brancão
Vânia Medianeira Flores Costa
Veronica Born
Verônica Ribeiro
Verônica Stein
Xaiane Pires
Xixa Kayser

E os Alunos da Oficina Cine, Áudio e Vídeo do Colégio Sinodal:
Alex Souza
Amanda Garcias
Ana Copetti
Henrique Souza
Higor Rodrigues
João Pedro Boufleur
Júlio Schröder
Paulo Mezzomo
Victória Freire

Renata Stein - Atriz


Para finalizar, estas palavras do assistente de direção Victor Fiúza resumem a importância do apoio de todos vocês:

"Quando Kassandra atinge a meta do Catarse, não se trata de uma conquista meramente financeira, no sentido de um êxito numa alternativa da produção cinematográfica. Significa uma valorização compartilhada do cinema - valorização essa necessária, e finalmente interdisciplinar: não é só o próprio meio do cinema que se auto-apoia, mas é todo um meio cultural e social. No fundo, não é só a equipe de Kassandra que ganha a possibilidade de finalizar um trabalho (trabalho vital, diga-se de passagem), mas tanto quanto ela, ganham também todos aqueles que apoiaram ou até mesmo não, pois há um esforço coletivo para a existência de um cinema pertinente. Ponto para nós.

Fazendo ou não parte do cinema, todos estão dentro".

You can also see the english version of this post! 

segunda-feira, 12 de março de 2012

Making of - 7 - A Saga Épica do Slider


Lembram-se das Listas de Produção de Jackson Ritter? Uma das tarefas do produtor de set era elaborar um slider, equipamento que serve para fazer pequenos movimentos de câmera. De acordo com ele, a tarefa estava cumprida. Será?

Jackson e Roberto Coutinho (produtor e engenheiro de som) se puseram à tarefa de fazer o tal slider, usando um pouco de madeira, um tanto de borracha, algum ferro-velho e muita falta de noção. 

O resultado desta verdadeira saga pode ser vista no vídeo abaixo, da sua concepção até o clímax, onde o slider é posto à prova pelo diretor de fotografia Pablo Chasseraux já nas filmagens.

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quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

O filme dentro do filme

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Um simples detalhe do roteiro de Kassandra acabou criando um monstro totalmente novo e de proporções únicas. Está lá no roteiro de Roger Monteiro, na cena 7: o vizinho, personagem de Leandro Lefa, está "em frente de uma televisão ultrapassada que exibe um filme pornográfico de gosto duvidoso".

Ao invés de simplesmente ocultar a televisão ou de usar um vídeo erótico qualquer, o diretor Ulisses da Motta Costa resolveu filmar algumas cenas eróticas -- todas soft, mudando um pouco o conceito original, sem sexo.

"Como referência, comecei a pensar numa pornochanchada nacional do final dos anos 70, início dos anos 80", conta ele "Até porque não dava para colocar ninguém em situação embaraçosa, mas sim deixar tudo num clima de diversão. Por isso, convidei uma amiga de longa data, a Elena Meneghetti, que na faculdade de publicidade fez um trabalho vestida de Tiazinha. Ela é despachada e super bem-humorada, perfeita para o que precisávamos".

Frame "roubado" do material já produzido para o filme dentro do filme
As cenas a serem usadas em Kassandra foram rodadas em pouco mais de duas horas na casa da própria protagonista, na distante Zona Sul de Porto Alegre. Maico Silveira fez uma participação relâmpago como um homem que é seduzido por Elena. A quantidade de diversão nesta filmagem foi tal que a diretora de produção Ramona Barcellos ligou para ver se o trabalho estava ok e tudo que ouviu foram sonoras gargalhadas.

A equipe foi improvisada: além de Ulisses dirigindo, o produtor Roberto Coutinho fez a direção de fotografia, o publicitário Daniel Coutinho foi produtor de set, o músico Chico Pereira montou o vídeo. A única em sua função foi a figurinista Giulia De Cesero, que também fez direção de arte.

Não demorou muito para o que era apenas uma cena rápida virasse um "projeto maior": um trailer falso de uma pornochanchada passada em Porto Alegre, aos moldes daqueles vistos no projeto Grindhouse. Nomes provisórios como "Deu Pra Ti, Zona Sul" ou "A Desinibida do Lami" pipocaram entre a equipe. Não só isso: até pseudônimos artísticos estão sendo inventados, para deixar num clima mais setentista -- fora ideias de mais cenas e personagens.

"Entendi porque o pessoal fazia pornochanchadas naquela época: é muito divertido", revela Roberto Coutinho. "É um desafio ter que fazer algo propositalmente ruim", reforça Ulisses. "Por isso a equipe improvisada foi essencial para não obtermos um resultado estético". Chico Pereira, responsável por montar a pequena "pérola", entendeu essa dificuldade. "Estava montando direitinho as cenas quando eu pensei: não, tenho que desaprender o que eu sei", conta ele.

Novas cenas serão feitas no intervalo das filmagens de Kassandra. Aguardem!

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Seleção no Fundo de Cultura de São Léo


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Ontem à noite foram divulgados os vencedores do Fundo Municipal de Cultura (FMC) da cidade de São Leopoldo, em sessão no Teatro Municipal. Trinta e dois projetos foram inscritos e 27 foram analisados pela Comissão de Avaliação e Seleção (CAS - foto acima), responsável por apontar quais destas iniciativas dividiriam entre si o valor total de R$ 150 mil disponibilizado pela Secretaria Municipal de Cultura.

No fim, 13 projetos foram selecionados (seis de música, dois de teatro, dois de audiovisual, um de literatura, um de artes plásticas e um de fotografia). E Kassandra não só foi um deles, como também ficou em primeiro lugar na classificação geral. Cada um dos dez membros da CAS deram notas aos projetos, numa escala de 1 a 22. O projeto de Kassandra (redigido, orçado e calculado pelos produtores Ramona Barcellos e Roberto Coutinho) totalizou 185 pontos.

O valor pedido junto ao FMC é cerca de 30% do orçamento total do filme. A partir daí, a produção se empenhará em obter o restante do valor junto a outras fontes. Uma captação via crowdfunding está sendo elaborada.

Parabéns a todos os projetos contemplados e parabéns pela Comissão de Avaliação e Seleção pela condução transparente e crítica de todo o processo.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Making of Kassandra - 4 - Tarô

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Ansioso por ver mais vídeos de making of? Enquanto organizamos o material registrado durante as filmagens e pré-produção, segue um tira-gosto: um teste de fotografia em preto-e-branco com o tarô mitológico (que não foi usado) -- com o diretor Ulisses da Motta Costa e o produtor Roberto Coutinho falando ao fundo sobre uma das locações do filme...


Para saber mais sobre o tarô em Kassandra, dê uma olhada neste texto.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

A dificuldade de se trabalhar com sangue

 
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Um elemento cênico deu trabalho a mais para a equipe de Kassandra durante as primeiras filmagens, devido à sua imprevisibilidade: o sangue falso. Parece estranho? Pois é: trabalhar com líquidos foi um trabalho exaustivo, ainda mais quando se usava maiores quantidades no set.

Na segunda-feira, o trabalho foi redobrado: foi necessário uma hora e meia para fazer apenas dois planos de câmera. Num deles, um dos integrantes do elenco precisava ficar com sangue na boca. Entre cada take, a correria era intensa para limpar cenário, figurino e pessoa -- e achar algum recipiente onde se pudesse cuspir parte do sangue.

Mais difícil foi o plano em que o rosto de Kassandra precisava ser respingado com sangue. O diretor Ulisses da Motta Costa se posicionou na frente da protagonista Renata Stein, para lançar pingos com os dedos. No primeiro take, a mão do diretor vazou e apareceu na câmera. Ulisses então se afastou um pouco de Renata e fez o segundo take de um pouco mais longe. 

O diretor lançou vários respingos, que acertaram em inúmeros lugares: no chão, na cortina do cenário e na continuísta Marina Cardozo -- mas nenhuma gota em Renata. A diretora de arte Ana Gusson e o produtor de set Roberto Coutinho se lançaram furiosamente à tarefa de limpar o sangue, enquanto um vencido Ulisses mudava o enquadramento para facilitar a tarefa de jogar pingos na atriz. 

A sorte é que o sangue produzido por Roberto e por Jackson Ritter não manchava...

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

As imagens de Kassandra - 1

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Fim da primeira parte das filmagens! Um aperitivo de imagens feitas por Daniel Coutinho:


"Estica mais, Renata. Isso, agora mais pra baixo".

Maico Silveira sorrindo para ganhar simpatia
O triste velório do produtor Roberto Coutinho.
Suzana Witt quer que VOCÊ assista ao filme.
O vento dos deuses.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

A última lista de produção de Jackson Ritter


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Para grande infelicidade dos que acompanham o blog, o produtor de set Jackson Ritter está finalizando seus trabalhos em Kassandra. Confiram sua lista final (e vejam aqui a primeira, a segunda e a terceira parte):

1 - Sangue falso: OK!
2 - Passarinho: Minha mulher não liberou o Galato, o periquito com as cores do Grêmio. Vamos comprar os passarinhos;
3 - Baratas: A informação de que o éter (o que eu usaria para dopá-las) tem venda controlada pelo Exército parece ter assustado a produção e as baratas ficaram de fora. Uma lástima;
4 - Slider: OK!

O cetro do cargo vai para Roberto Coutinho. Mas o espírito permace:

1 - Seringa. Nota: pegar a maior seringa existente no mercado;
2 - Punhal para cravar no peito. Nota: afiar o disco de corte;
3 - Vidro cênico. Obs Preliminares: A) A solução gruda em absolutamente qualquer coisa, inclusive na forma onde é resfriada. Ignoro se é um motivo químico, físico ou quântico.  B) Minha empregada se cortou com um caco, o que pode querer dizer que não está funcionando. C) Estou usando açúcar e glicose de milho. Se não funcionar como vidro, pelo menos já posso começar a fazer pirulitos.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Making of Kassandra - 2 - Muito sangue



O novo vídeo de making of de Kassandra mostra os testes de várias possibilidades de sangue falso para usos diferentes no filme. Os testes estão sendo feitos pelo produtor de set Jackson Ritter (lembram da sua lista de produção?) e por Roberto Coutinho (que é o engenheiro de som, mas gosta mesmo é de inventar coisas).

Confira também o primeiro vídeo de making of de Kassandra!

Ah, sim: a atuação do produtor de set está fantástica: