Paciente: Sexo feminino. Vinte anos.
Estresse pós-traumático. Alucinações visuais.
Avistamentos de um vulto, o "homem grande".
Cartas de tarô, de origem desconhecida.
Muda.
Mora só.
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quarta-feira, 31 de julho de 2013

Ouça a trilha sonora de Kassandra!

O compositor Chico Pereira disponibilizou no seu Soundcloud boa parte das músicas que ele escreveu para Kassandra.

Os temas disponibilizados são dos principais momentos musicais do filme, incluindo o belo tema principal da personagem. Sugestão do compositor: ouvir com as luzes apagas, num lugar silencioso, com fones de ouvido para captar todos os detalhes.

Ouça abaixo cada uma das faixas (na ordem que aparecem no filme):








Ficha técnica da trilha sonora:

Chico Pereira - Arranjos, Sintetizadores, Music Sound Design, Percussão
Roberto Coutinho - Arranjos Adicionais, Sintetizadores, Music Sound Design
Mariele Giovanaz - Voz
Isadora Raymundo - Violino

Composição: Chico Pereira
Engenharia de Som e Mixagem: Roberto Coutinho
Gravado em Ampli Studio - janeiro e fevereiro de 2013

sexta-feira, 15 de março de 2013

Entrevista: Chico Pereira, compositor

Chico Pereira (à esquerda) gravando a música do filme junto com o engenheiro de som Roberto Coutinho (direita)



Versatilidade é uma das marcas mais visíveis (audíveis?) de Chico Pereira como músico. Ele compõe trilhas sonoras com a mesma facilidade com que faz solos de guitarra ou comanda uma mesa de gravação. 

Compositor, músico e produtor musical, em Kassandra ele teve um árduo trabalho, já que a sica começou a ser discutida antes mesmo da primeira versão do roteiro estar pronta. Confira como foi feita a música do curta:

Uma das ideias mais primordiais de Kassandra foi que a trilha sonora fosse diferente, não caindo nos clichês do cinema de suspense e de horror. Como se faz uma trilha assim, sem se apegar aos cânones da música para filmes? 

Chico: Difícil. É muito tentador, não? Tem tanta música boa e bem feita para filmes deste gênero. Me peguei inúmeras vezes, enquanto compunha para Kassandra, homenageando sem querer meus compositores favoritos. É complicado compor para suspense e horror e não "roubar" alguma coisa de Bernard Herrmann, por exemplo. Caras como ele compuseram cânones por algum motivo. E este motivo é que estes compositores são, muitas vezes, a bússola do diretor e do espectador. Este certo poder do compositor de música para filmes é fascinante, ao mesmo tempo em que pode ser uma imensa e assustadora responsabilidade. 

Em certas fases do meu trabalho em Kassandra, precisei me afastar do trabalho por um ou dois dias e "limpar" minha percepção auditiva. Acho que isto me ajudou a chegar no que, acredito, não seja um resultado clichê. Não se trata de escutar e estudar os cânones com atenção e fazer tudo ao contrário. Se trata, sim, de tentar colocar alguns tipos de ideia em diferentes contextos: um timbre diferente, uma linha melodica inesperada, uma pausa onde se esperaria uma percussão.


Por sinal, o filme tem vários planos concebidos desde o início para que a música fosse o destaque. Como você vê a função da música nestes momentos? Como é a relação entre diretor / compositor para chegar a um bom resultado neste tipo de trabalho?

Chico: A música em um filme, mesmo quando está em destaque, está trabalhando para o filme. Isso é a primeira coisa que me vem na cabeça, mesmo que o diretor oriente que o seu trabalho seja o protagonista naquele momento. No caso de Kassandra, o que me fascinou foi a oportunidade de a música ser, literalmente, a voz de uma personagem que não consegue falar. Por isso, tive um cuidado extra ao compor temas e melodias, especialmente para a personagem principal. Como representar uma personagem tão cheia de camadas, tão dúbia? Me ative muito a este tipo de questão.

O papel do diretor em relação ao compositor em um trabalho assim é de um parceria pouco comum. O compositor não conseguiria fazer - falo por mim, principalmente - um trabalho tão focado se o diretor não estivesse quase compondo junto a música do filme. É um trabalho exaustivo, exige muito do psicológico, muito mais do que das habilidades musicais propriamente ditas. O apoio e a orientação do Ulisses foram essenciais neste caso.


Antes mesmo do curta começar a ser filmado, você já estava envolvido com a produção, fazendo uma seleção de referências musicais para serem ouvidos por elenco e equipe. Além disso, você inclusive estava no set, colocando música enquanto as cenas eram filmadas. Qual a importância do seu envolvimento desde esta etapa inicial?

Chico: Sinceramente, não conheço ainda outro método de trabalho. Em todos os filmes que trabalhei, estive no set, em tempo integral na maioria das vezes. Em Kassandra, eu precisava de algo mais do que ler o roteiro e assistir ao corte final do filme. Como já disse, eram camadas demais para representar com música. Difícil captar isso sem estar lá. Agradeço ao Ulisses pela sugestão e pelo privilégio de ver a atuação assombrosa da Renata in loco.

Ao mesmo tempo, gostaria muito de ter a experiência de trabalhar em um filme sem estar no set, trabalhar com um olhar mais de fora - coisa que deve ser concretizada em breve com um projeto novo que está por vir, Luz Natural.



Mixando os 33 canais de música gravados para Kassandra


Fale um pouco do processo de composição e gravação. Como você criou a música e que programas e instrumentos foram usados nas gravações? Junto com o engenheiro de som Roberto Coutinho, você elaborou uma música experimental durante as cenas de pesadelo do filme. Vocês usaram sons de piano tocados de trás para diante, correto?


Chico: Compus em casa, tudo em MIDI. Tocava as linhas de todos os instrumentos em um controlador - para quem nao conhece, é basicamente um teclado que dispara sons de bibliotecas de timbres que estao no computador. Alguns destes timbres que usei nas minhas demos foram usados - sons sintetizados disfarçados de timbres mais orgânicos, o que era uma das minhas propostas conceituais da música, esta mistura de real e irreal.
 
Porém a maioria dos meus sons originais foram substituídos no Ampli Studio, em um trabalho de pesquisa que fiz com o Roberto Coutinho. Só existem dois elementos totalmente orgânicos na música: a voz da cantora Mariele Giovanaz e o violino de Isadora Raymundo (ambas com performances perfeitas para o que precisávamos). Mas, seguindo o conceito proposto, estes dois elementos foram transformados e processados, para que transparecessem um aspecto mais etéreo e melancólico.
 
A questão dos sons de piano é interessante. Já havíamos gravado algo parecido em outro filme, Ninho dos Pequenos, mas em contexto absolutamente diverso. Toquei diretamente nas cordas do piano de parede que fica no Ampli Studio, usando meus dedos, palheta, escova de limpeza, arco de violino e chave de fenda para tirar diferentes sons e efeitos. Quando cheguei na sala técnica, depois de gravar estes sons, o Roberto havia invertido eles e isto casou muito bem com o clima surrealista das cenas de pesadelo. Ficamos realmente assustados com o resultado alcançado.


O primeiro curta no qual você e Roberto estiveram envolvidos na música, Onírico, é de 2003, e desde então vocês trabalharam juntos em várias ocasiões, inclusive em todos os curtas dirigidos por Ulisses da Motta Costa (O Gritador, Ninho dos Pequenos e o vídeo pedagógico Cecília e a Guerra dos Farrapos). Como é esta parceria?


Chico: O Roberto e o irmão dele, Daniel, são meus amigos mais antigos. Nos conhecemos há mais de vinte anos. Tocamos em bandas juntos, gravamos juntos e ainda convivemos bastante nas horas de folga. Então, nos conhecemos muito bem, o que facilita demais o nosso trabalho. Tenho orgulho de dizer que nunca precisamos brigar para fazer alguns belos trabalhos, não só nos filmes, mas também na publicidade e em outros trabalhos musicais. Além disso, graças a este cara consigo hoje gravar minhas músicas em casa, por exemplo. A maioria do que sei da parte mais técnica na área do som e de gravações, aprendi observando ele trabalhar. E o Roberto tem a calma e a concentraçao pra captar muitas coisas que quero fazer e às vezes nao sei como.

Daí, se juntarmos o Ulisses nessa história, "os 3 patetas" complementam seus talentos e conseguimos evoluir muito juntos. Espero que a gente possa seguir sempre nestas parcerias.

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Terminando a trilha sonora




Um dos mais antecipados elementos de Kassandra, a música, está na reta final. Composta por Chico Pereira, a trilha tem sido gravada por ele e pelo engenheiro de som Roberto Coutinho desde janeiro, no Ampli Studio. Nesta última semana, foram gravados os últimos instrumentos que faltavam: voz e violino.

A maior parte dos temas musicais foram gravados e reproduzidos em sintetizadores variados; além disso, Chico tocou alguns trechos de piano e, junto com Roberto, gravou algumas experimentações percussivas. Estes takes foram invertidos para reforçar os aspectos psicológicos e surreais do filme.

Mas era consenso que a trilha de Kassandra precisava de mais elementos orgânicos, e por isso Chico resolveu inserir uma voz e um violino -- ambos executados por mulheres. A voz ficou a cargo de Mariele Giovanaz (acima), e Isadora Raymundo gravou o violino (abaixo). Nos dois casos, elas fizeram a melodia do tema principal do filme para momentos distintos da projeção, além de sons experimentais.


Agora, a trilha está na fase de edição e mixagem. Em breve, poderá ser ouvida aqui no blog. Aguarde!

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Mágica na trilha sonora


Olá, aqui o diretor Ulisses da Motta Costa de novo. Vim dividir com vocês uma história curiosa que aconteceu ontem, dia 31 de janeiro de 2013, na gravação da trilha sonora de Kassandra.



Pensando hoje, um dia depois, acho que ontem eu vi um dos melhores mais fantásticos de criação artística  que vi desde quando comecei a trabalhar com cinema. E envolve o gênio musical do Chico Machado Pereira (compositor) e do Roberto Coutinho (engenheiro de som).

Sério, foi extraordinário.

Estava então acompanhando uma sessão de gravação da trilha. Boa parte da música já tinha sido gravada para as cenas mais cruciais. Faltava, contudo, alguma coisa mais sólida para as sequências de pesadelo -- inicialmente, usaríamos uma série de infrassons. Música mesmo, só nas cenas passadas na "realidade".

E, para essas cenas de realidade, uma das ideias do Chico era fazer alguns efeitos musicais usando as cordas de um piano dentro da sua caixa acústica, para complementar o arranjo do que já foi gravado. Em palavras simples: o Roberto desmontou o sistema de martelos do piano que há no Ampli Studio e o Chico poderia tocar diretamente nas cordas. Já tínhamos usado essa ideia (de outra maneira, com outro conceito) em outro curta, Ninho dos Pequenos (foto acima - veja o filme aqui).

Chico sentou no piano e começou a testar possibilidades de som -- que são quase infinitas, já que as cordas ficam ressoando por tempo indeterminado, a frequência de cada uma se misturando à outra. E ele começou a brincar. Sem estar gravando nada valendo, nada pensado para o filme. Apenas brincando de tocar as cordas do piano com uma palheta de guitarra. 

A "recreação" durou uns minutos, até ele parar e dizer: "Pronto, fiz música concreta".

Eu estava no estúdio neste momento. Saí dele e entrei na técnica. E eis que noto que o Roberto tinha gravado a "brincadeira" do Chico. Eles já tinham planejado de usar sons de piano invertidos para criar alguns climas mais etéreos, e por isso o Roberto inverteu toda a "música concreta" que o Chico tinha feito e, talvez sem pensar (pensou?), deu play junto com a cena de pesadelo que abre o filme.

O resultado foi assombroso. Não: assustador é a palavra. Em todos os sentidos. 

A loucurada de notas e sons invertidos se sobrepondo fez sentido não só com a ação dos planos, mas fechou até com os cortes da montagem -- naquele tipo de sincronia (sinergia?) que só os Deuses do Cinema proporcionam aos seus devotos. Não só as notas, mas os ruídos que surgiram do nada, como manifestações fantasmagóricas que nos fez questionar de onde diabos tinham saído.

Nós três ficamos abobados. E sentenciamos em conjunto: tínhamos a música para as cenas do pesadelo. Sem querer. Sem planejar. 

A partir daí, foi um festival de experimentação. Tocar as cordas do piano com um arco de violoncelo. Tocá-las com uma chave de fenda. Tocá-las com uma escovinha de limpar unhas. Cada nova tentativa, ao ser invertida, criava música de outra dimensão.

Gurizada, cês são foda.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Finalizando Kassandra

Terminar um filme é sempre um processo delicado -- normalmente mais demorado que o desejado e que precisa ser trabalhado em várias frentes simultâneas. Com Kassandra não é diferente, claro. E damos um tempo nas entrevistas com elenco e equipe para falar um pouco sobre o atual estágio de desenvolvimento do nosso filme:

Montagem: Os cortes do filme foram feitos pelo premiado e requisitado Alfredo Barros. Por conta de seu envolvimento na campanha eleitoral em Porto Alegre, ele só pôde se dedicar à edição a partir de outubro. Em encontros semanais com o diretor Ulisses da Motta Costa, Alfredo encerrou a montagem no dia 18 de dezembro de 2012 (na foto abaixo, os dois após o término dos trabalhos).

Ulisses da Motta Costa (esq) e Alfredo Barros terminando a montagem

O filme foi majoritariamente montado na ilha de edição da Atama Filmes, em Porto Alegre. No total, Kassandra teve sete cortes (são oito, na verdade, mas o último tem de diferente apenas tempo a mais para os créditos). O principal desafio era dar ritmo ao vasto material filmado (cerca de 150 planos diferentes), de forma que funcionasse em termos de drama e suspense, e fazer as adaptações necessárias na narrativa (incluindo a remoção de elementos que atravancavam o desenvolvimento e a compreensão do filme). Um dos cortes chegou a ter quase meia hora de duração; agora, Kassandra tem pouco mais de 21 minutos de duração, sem os créditos finais.

Som: Desde o início do projeto, sabia-se que o som seria um dos trabalhos mais exaustivos em Kassandra. Afinal de contas, o filme quase não tem diálogos e todos os ruídos e sons precisam ser produzidos do zero. Para a tarefa, o engenheiro de som Roberto Coutinho e Leandro Lefa (um dos atores do filme que também trabalha como foley artist) têm passado os primeiros dias de janeiro dentro do Ampli Studio, em São Leopoldo, deixando a criatividade fluir. 

A primeira etapa, a gravação dos foleys (os sons cotidianos produzidos pelos personagens, como passos, por exemplo) está quase concluída. Pode parecer fácil, mas achar o som correto para cada situação é sempre um desafio -- e os pés descalços de Kassandra (para ficar apenas nos passos) requerem sons sutilmente diferentes para cada cena. A segunda etapa, a gravação de ADRs (sigla em inglês para "substituição de diálogos", ou seja, os sons de fala e respiração dos atores) começa na semana que vem, junto com a edição de som, e envolvem todo o elenco do filme. 

Música: O compositor Chico Pereira há meses coleciona referências e grava ideias para a trilha de Kassandra. Inicialmente, ele fará demos com sons sintetizados e em arranjos simples (processo atualmente em andamento). Estas músicas preliminares serão colocadas no filme para ver quais funcionam e quais precisam ser melhoradas.

A partir daí, começa a se registrar a trilha valendo. Esta demanda começará ainda em janeiro, para estar pronta em fevereiro. As sessões serão gravadas também no Ampli Studio, em São Leopoldo. Falaremos mais detalhadamente sobre trilha sonora em posts futuros.

Finalização: Os mais novos participantes da equipe de Kassandra vêm para fazer um delicado trabalho: corrigir a luz e colocar, finalmente, a imagem do filme em preto-e-branco (os planos foram registrados em cores). A colorista Lígia Tiemi Sumi, da Galo de Briga Filmes, terá este encargo: fazer a marcação de luz do curta inteiro e, a partir daí, ressaltar os contrastes entre as áreas escuras e claras de cada take. O desafio é o mesmo que a fotografia, direção de arte e figurino tiveram que enfrentar anteriormente: pensar não em termos de cor, mas apenas em termos de luz. 

Com tudo isso pronto, o que falta? Juntar todos estes elementos. E Kassandra terá nascido.


quinta-feira, 15 de março de 2012

Música no set

Havia uma certeza sólida ainda nas primeiras conversas sobre Kassandra, antes mesmo de Roger Monteiro apresentar a primeira versão do roteiro: as filmagens teria música ambiente. 

O filme teria poucos diálogos e a maioria da sua sonorização acontecerá na pós-produção, o que permitia a presença de música no set sem atrapalhar no som ambiente. A ideia foi bem recebida pela equipe como um todo, mas especialmente pelo compositor Chico Pereira (foto), que fez um playlist para rodar não só enquanto as cenas eram feitas, mas também nos intervalos. Renata Stein igualmente apreciou a ideia: pôde escolher as próprias músicas para as cenas mais emotivas, auxiliando a sua atuação. 

Abaixo, dois exemplos das músicas tocadas nas primeiras filmagens de Kassandra. A primeira é uma peça de Phillip Glass, uma das referências coletadas por Chico, e a segunda é o tema do filme Réquiem Por Um Sonho, composta por Clint Mansell e que Renata escolheu para tocar repetidamente em alguns momentos da filmagem: