Paciente: Sexo feminino. Vinte anos.
Estresse pós-traumático. Alucinações visuais.
Avistamentos de um vulto, o "homem grande".
Cartas de tarô, de origem desconhecida.
Muda.
Mora só.

domingo, 20 de janeiro de 2013

A voz que faltava em Kassandra

Kassandra recebeu nesta semana um reforço no elenco. É a atriz Ingrid Bonini, que foi chamada para fazer a misteriosa voz que fala com a protagonista por telefone -- ou, como se descreve no roteiro, a Voz ao Telefone. 

Ingrid Bonini contracena com o filme já montado
Inicialmente, quem faria esta voz seria Suzana Witt, que também faz o papel da prostituta que aparece rapidamente no filme. Incialmente, este acúmulo de funções era possível porque o roteiro planejava apenas uma fala para a garota de programa. Contudo, durante as filmagens Suzana improvisou alguns diálogos que permaneceram na montagem -- e, atualmente, a equipe de som formada por Roberto Coutinho e Leandro Lefa achou que a mesma voz em dois personagens poderia soar estranho, por mais que a atriz fizesse entonações diferentes.

Com a aprovação da própria Suzana, o diretor Ulisses da Motta Costa convidou Ingrid para então emprestar seu timbre grave e sedoso ao filme. Eles trabalharam recentemente no curta experimental Luz Natural, que será finalizado após o término de Kassandra. Junto com o terapeuta, interpretado por Maico Silveira, a Voz ao Telefone é o único personagem com falas em destaque na narrativa, o que representava um desafio a mais para a atriz: criar um interpretaçao vocal de um dia para o outro, e sem contracenar com ninguém a não ser com as imagens já filmadas há um ano atrás. 

A gravação foi feita num estúdio improvisado pelo engenheiro de som Roberto Coutinho dentro do próprio apartamento onde Kassandra foi rodado. Por mais que o resto do elenco não estivesse junto, manteve-se a tradição de levar todos os atores para dentro da casa da nossa heroína. 

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Camisetas para Kassandra

Galera que lê o blog, essa aqui é para quem ajudou no crowdfunding de Kassandra!

Este é o modelo da camiseta oficial do curta, que será distribuído não só para elenco e equipe, mas também para quem ajudou no finaciamento coletivo com valores acima de R$ 120,00. O design da camiseta é do publicitário Daniel Coutinho. 

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Finalizando Kassandra

Terminar um filme é sempre um processo delicado -- normalmente mais demorado que o desejado e que precisa ser trabalhado em várias frentes simultâneas. Com Kassandra não é diferente, claro. E damos um tempo nas entrevistas com elenco e equipe para falar um pouco sobre o atual estágio de desenvolvimento do nosso filme:

Montagem: Os cortes do filme foram feitos pelo premiado e requisitado Alfredo Barros. Por conta de seu envolvimento na campanha eleitoral em Porto Alegre, ele só pôde se dedicar à edição a partir de outubro. Em encontros semanais com o diretor Ulisses da Motta Costa, Alfredo encerrou a montagem no dia 18 de dezembro de 2012 (na foto abaixo, os dois após o término dos trabalhos).

Ulisses da Motta Costa (esq) e Alfredo Barros terminando a montagem

O filme foi majoritariamente montado na ilha de edição da Atama Filmes, em Porto Alegre. No total, Kassandra teve sete cortes (são oito, na verdade, mas o último tem de diferente apenas tempo a mais para os créditos). O principal desafio era dar ritmo ao vasto material filmado (cerca de 150 planos diferentes), de forma que funcionasse em termos de drama e suspense, e fazer as adaptações necessárias na narrativa (incluindo a remoção de elementos que atravancavam o desenvolvimento e a compreensão do filme). Um dos cortes chegou a ter quase meia hora de duração; agora, Kassandra tem pouco mais de 21 minutos de duração, sem os créditos finais.

Som: Desde o início do projeto, sabia-se que o som seria um dos trabalhos mais exaustivos em Kassandra. Afinal de contas, o filme quase não tem diálogos e todos os ruídos e sons precisam ser produzidos do zero. Para a tarefa, o engenheiro de som Roberto Coutinho e Leandro Lefa (um dos atores do filme que também trabalha como foley artist) têm passado os primeiros dias de janeiro dentro do Ampli Studio, em São Leopoldo, deixando a criatividade fluir. 

A primeira etapa, a gravação dos foleys (os sons cotidianos produzidos pelos personagens, como passos, por exemplo) está quase concluída. Pode parecer fácil, mas achar o som correto para cada situação é sempre um desafio -- e os pés descalços de Kassandra (para ficar apenas nos passos) requerem sons sutilmente diferentes para cada cena. A segunda etapa, a gravação de ADRs (sigla em inglês para "substituição de diálogos", ou seja, os sons de fala e respiração dos atores) começa na semana que vem, junto com a edição de som, e envolvem todo o elenco do filme. 

Música: O compositor Chico Pereira há meses coleciona referências e grava ideias para a trilha de Kassandra. Inicialmente, ele fará demos com sons sintetizados e em arranjos simples (processo atualmente em andamento). Estas músicas preliminares serão colocadas no filme para ver quais funcionam e quais precisam ser melhoradas.

A partir daí, começa a se registrar a trilha valendo. Esta demanda começará ainda em janeiro, para estar pronta em fevereiro. As sessões serão gravadas também no Ampli Studio, em São Leopoldo. Falaremos mais detalhadamente sobre trilha sonora em posts futuros.

Finalização: Os mais novos participantes da equipe de Kassandra vêm para fazer um delicado trabalho: corrigir a luz e colocar, finalmente, a imagem do filme em preto-e-branco (os planos foram registrados em cores). A colorista Lígia Tiemi Sumi, da Galo de Briga Filmes, terá este encargo: fazer a marcação de luz do curta inteiro e, a partir daí, ressaltar os contrastes entre as áreas escuras e claras de cada take. O desafio é o mesmo que a fotografia, direção de arte e figurino tiveram que enfrentar anteriormente: pensar não em termos de cor, mas apenas em termos de luz. 

Com tudo isso pronto, o que falta? Juntar todos estes elementos. E Kassandra terá nascido.


segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Entrevista: Giulia de Cesero e Isabela Boessio, figurinistas

O figurino e a maquiangem de Kassandra foram feitos a quatro mãos. No caso, as mãos de duas estudantes de moda: Isabela Boessio (na foto, à esquerda) e Giulia De Cesero.

A dupla era responsável pelo visual dos personagens e tinha a missão de deixá-los marcantes, já que eles não podem ser identificados pela sua voz (quase nenhum deles fala). Além disso, outro desafio na caracterização era a ausência de cores. Confira como foi o trabalho das duas:


Isabela, comente como foi a concepção visual de cada um dos personagens do filme. Como foram feitas as escolhas das cores, das peças, o que cada figurino deveria passar? Conte como foi o processo.

Isabela: O desafio na realização do figurino foi o fato de o filme ser em preto e branco. Não precisamos pensar em combinações de diferentes cores, mas, sim, no contraste entre elas! Aconteceu, inclusive, de escolhermos uma blusa azul marinho pensando que fosse se transformar em preto, mas que acabou parecendo mais viva ainda!

Começando por Kassandra: optamos por uma camisola lisa, como se fosse de hospital, mesmo, para que ela usasse durante todo o filme. Como a personagem é apática e sua última preocupação é a roupa que veste, seu figurino deveria representar esse desleixo. Apesar disso, Kassandra tem, sim, um “teor” sexual. Ajustamos levemente a cintura e diminuímos o comprimento da camisola para que as formas de seu corpo tivessem espaço na cena. Escolhemos uma cor bem clara para contrastar com seu cabelo castanho escuro.

O terapeuta ganhou um visual mais certinho; camisas abotoadas e para dentro da calça, cinto, sapatos. Ele precisava de uma aparência limpa, clara, que passasse segurança, cuidado e preocupação para com a sua paciente.

O figurino do Homem Grande foi o mais simples de fazer! Moletom, calça e botinas, todos pretos e mal cuidados (para não usar a palavra “trapos”). Em compensação, nos focamos na maquiagem para deixá-lo bastante obscuro (pele clara contrastando com olheiras profundas, rugas marcadas...).

O vizinho de Kassandra foi, certamente, o mais divertido. Look cafajeste/bagaceiro: camisa velha, aberta e suada, cueca branca e velha, meias. Cabelo e pele oleosos para deixar a figura um pouquinho mais repugnante.

Fizemos a prostituta ser do tipo que se produz, que está com tudo em cima. Vestido tomara que caia curto, mas não obsceno, botas de cano curto e salto alto, muitos acessórios, batom vermelho (que no filme aparece como um cinza chumbo) e delineador bem marcado.

Da esq para dir: Kassandra, o terapeuta, o Homem Grande, o vizinho, a prostituta

Giulia, além de figurinistas, você e Isabela acumularm a função de maquiadoras. Como foi a concepção da maquiagem para cada personagem?

Giulia: Os makes feitos nas personagens devem agradecimentos aos Halloweens que já passei (risos)! Não que o filme tenha ligação com isso, mas o fato de ele ser preto e branco fez com trabalhássemos com tons muito claros e tons muito escuros. Optamos por um rosto bem claro, puxando para o branco, e detalhes em preto e marrom. Achávamos que seria difícil encontrarmos um make que se encaixasse com Kassandra, mas o roteiro e toda a produção estava bem clara e definida que todo mundo conseguiu entrar no clima e tudo fechou perfeitamente.

Vocês estudam moda, mas elaborar um figurino, especialmente para um filme sem cores, deve ser bastante diferente de criar looks para o "mundo real", por assim dizer. Qual a dificuldade de transitar da moda para o figurino de um filme?

Isabela: Na vida real, nem sempre temos um estilo super definido e limitado. Conforme o nosso humor, a ocasião, as nossas vontades, escolhemos vestir cores e tipos diferentes de roupa. Todas essas oscilações representam o que somos e o que queremos transmitir aos outros, certo? Trabalhando com o figurino de uma personagem, as características desta devem estar muito bem definidas para que o espectador capte a mensagem correta. Se houver muita variação, a mensagem pode se tornar confusa. Além disso, um figurino que segue fiel ao que precisa representar no decorrer das cenas fortalece os papéis do filme e facilita uma identificação por parte do espectador com as personagens. No caso de Kassandra, não tivemos o recurso "cor" para agregar significado às roupas, portanto a responsabilidade caiu toda em cima das modelagens, acessórios, detalhes, estilos das peças e maquiagem. E na atuação dos nossos talentosos atores, claro!

Qual a importância para estudantes de moda participarem de uma produção audiovisual trabalhando no figurino?

Giulia: É uma experiência incrível, pois muito se aprende sobre isso na prática. Há muitos "não faça" quando o assunto é filmar roupas, como, por exemplo, não use listras muito próximas, mas cada caso é um caso. No caso de Kassandra, envolvia todo um tema, toda uma atmosfera que eu nunca tinha pensado antes, foi um desafio achar os figurinos certos para cada personagem, um desafio bem bom!

sábado, 29 de dezembro de 2012

Entrevista: Maico Silveira, o terapeuta

Maico Silveira, em Kassandra, faz o terapeuta que visita a personagem-título. É, a bem dizer, o único personagem a falar de fato no filme.

Ator especializado nos palcos, mas com vários trabalhos em audiovisual, Maico (assim como Leandro Lefa) trabalhou com boa parte da equipe em O Gritador e também em Luz Natural, projeto de curta experimental iniciado pelo diretor Ulisses da Motta Costa enquanto Kassandra está sendo finalizado. 


Você é basicamente o único integrante do elenco a ter falas. Como é a responsabilidade de ser a voz num filme que é, a bem dizer, mudo?

Maico: A responsabilidade é grande. Se o filme foi concebido com poucas falas, postas na boca de um único personagem, significa que estas palavras são importantes e foram pensadas com exatidão para cada momento onde aparecem. Por isso conversei muito com o diretor sobre as intenções dessas falas, para encontrarmos a justa medida desse jogo de revelar/esconder que a palavra dita nos proporciona.

Como você avalia o processo de preparação do elenco antes da filmagem? Para um padrão de um curta-metragem, você acha que foi o suficiente ou não se costuma fazer isso neste tipo de trabalho?

Maico: Foi um período de preparação que, apesar de curto, foi muito esclarecedor para o processo. Eu adoro trabalhar com preparação anterior, acho que este período agiliza o momento da gravação, dando um entendimento maior ao ator, que pode trabalhar com mais clareza de intenções na hora do “ação”. Ter um tempo de preparação é ótimo, sendo um curta ou um longa-metragem, pois isso dá armas para o ator usar na hora da gravação.

Como um ator que costuma trabalhar mais no palco, o que você leva ou quer fazer de diferente quando vai para o set? O que você tentou fazer de diferente ou novo em Kassandra?

Maico: Eu tentei não fazer nada em Kassandra. Isso é uma das coisas difíceis de ser um ator habituado ao palco. Tenho tentado, no meu trabalho com o cinema, entender que não é preciso querer atuar, ou mostrar o que está por trás da atuação. O mais difícil é deixar a câmera entrar no nosso íntimo e captar o que é necessário para o personagem.

Você conhecia Leandro Lefa e Luis Franke anteriormente, e é o seu segundo trabalho com o diretor Ulisses. Já Renata Stein você conheceu durante os ensaios. Como você avalia estas parcerias antigas e contracenar com uma atriz nova no contexto do filme?

Maico: Estamos evoluindo juntos, e é muito bom quando temos a possibilidade de acompanhar o trabalho dos colegas e percebemos essa evolução, sobretudo quando somos atores com formação e história em comum nos palcos. Tanto no entendimento da atuação (no caso do Lefa ou do Luis), quanto no que diz respeito à maneira como conduzir um trabalho (no caso do Ulisses), percebe-se que muitas coisas foram entendidas e assimiladas ao longo dos últimos anos. Conhecer a Renata, por sua vez, foi um presente: ela me ensinou muito durante o processo. Ela tem uma energia espontânea e descontraída, necessárias não apenas para a Kassandra, mas para qualquer ator que queira trabalhar com cinema. Por isso vê-la trabalhando, colocando toda sua energia alegre, jovial e descontraída no trabalho, foi uma ótima maneira de refletir sobre nosso trabalho e alimentar o próprio processo.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Entrevista: Leandro Lefa, o vizinho

Leandro Lefa, antes de fazer Kassandra, já tinha uma larga experiência em TV e em cinema, tendo atuado em inúmeros curtas e também em longas -- fora, claro, no teatro. Ele já havia trabalhado com boa parte da equipe em O Gritador (2006), também dirigido por Ulisses da Motta Costa (assista aqui). 

Além de atuar, Lefa também está trabalhando no som de Kassandra, como folley artist. Confira a entrevista com o ator:

Alfredo Barros, o montador de Kassandra, considera você um dos melhores atores gaúchos para cinema. Você realmente tem este gosto especial de atuar para a câmera, mesmo que a formação de atores no Rio Grande do Sul seja orientada para o teatro?

Lefa: O Alfredo é muito lisonjeiro, mas acontece que meu trabalho depende muito do dele, assim que dividimos qualquer mérito. Sim, me relaciono muito melhor com a câmera e me identifico mais com a linguagem do cinema. Tenho muita dificuldade no teatro. E é uma coisa minha, porque de fato não tive uma formação voltada pra cinema (até porque não há, aqui). Começo a acreditar nas pessoas que dizem que eu sou do contra (risos).
Você já fez outros trabalhos de terror, como em Porto dos Mortos, e no teatro está vivendo o protagonista do Linguiceiro da Rua do Arvoredo, uma lenda urbana de Porto Alegre. Em Kassandra, seu personagem também vive num contexto sombrio. O que há nestes personagens repulsivos que te atrai a atenção?

Lefa: A bem da verdade, nesses três trabalhos fui convidado por pessoas de quem gosto. Poderiam ter me convidado pra fazer um vendedor de casquinha que eu teria topado. Mas o interesse pelos personagens vem na medida em que eles ajudam a compor a história e o universo do filme. No caso de Kassandra, por exemplo, o personagem é um tanto raso, mas é por isso que funciona dentro do filme. Ele contrasta com Kassandra, dando dimensão pro universo dela e mais complexidade à trama.
Do elementos que existem em Kassandra, qual é o que mais te chama a atenção como artista?

Lefa: Justamente, a trama e o universo dos personagens são alguns dos elementos que mais me fascinam no cinema. E em Kassandra eles estão muito presentes, pelo roteiro e pelas atuações. E isso é evidenciado pela fotografia. Enfim, é um conjunto harmônico. No teatro, um ator pode 'salvar a peça'. No cinema, ele pode se destacar. Se o filme funciona é mérito da equipe (onde se inclui o elenco), com destaque pro diretor, que faz todo mundo trabalhar no mesmo filme.
Como é refazer a parceria com a equipe com a qual você fez O Gritador? O que há de novo entre aquele trabalho e Kassandra?

Lefa: É muito bom por serem pessoas formidáveis, mas isso eu já sabia. É ótimo ver como todos cresceram. Os seis anos trouxeram experiência e agregaram outros bons profissionais. Me pergunta se eu quero fazer parte do próximo filme (risos).

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Entrevista: Luis Franke, o Homem Grande

Luis Franke ou, simplesmente, Luisão. A sua presença cênica forte e voz marcante (e seu grande talento) lhe renderam trabalhos nos palcos, nos microfones (ele locutor também), nas telas de TV, em produções publicitárias e no cinema -- está em O Tempo e o Vento, de Jayme Monjardim, que estreia em agosto de 2013. Além disso, Franke já tem dois prêmios Açorianos de Teatro em casa. Em Kassandra, ele faz a enigmática e assustadora figura chamada apenas de "Homem Grande". 

Confiram o que este homem de grande talento têm a dizer:



Luis, você é um ator que tem emendado trabalho atrás de trabalho para televisão, publicidade, teatro e cinema. Por que fazer um curta-metragem independente e como arranjar tempo para fazê-lo?

Luis: Os curtas, além da experiência, me dão muito prazer. A relação ator, diretor, assistentes, câmera, som, iluminação, cenografia é pura magia quando acontece em harmonia, e pra isso a gente sempre arruma tempo.

Você já recebeu dois prêmios Açorianos de Teatro. O próprio Ulisses lhe disse que era louco de dar a um ator premiado um papel que não tem falas. Não lhe incomoda em Kassandra você não puder usar a sua voz, que é uma das suas marcas registradas, e ter que atuar apenas com o corpo e com o rosto?

Luis: Na verdade eu é que sou grato ao Ulisses por ter me dado a oportunidade de fugir um pouco da minha “zona de conforto”. Os desafios nos fazem crescer.

O quem lhe chamou mais a atenção no projeto de Kassandra? Em suma, onde que o curta conquistou o seu interesse e despertou sua vontade de participar dele?

Luis: Desde o início das minhas tratativas com o Ulisses, me chamou a atenção a sua paixão, a sua vontade de realizar o projeto. Quando nos encontramos pessoalmente, vi isso no brilho do olho dele. Ele sabia o que queria. Talvez não soubesse ainda por onde ir, e abriu esse espaço para os atores construírem juntos este caminho, mas sabia onde queria chegar, e isso já era meio caminho andado. 

Eu já havia recebido um prêmio de atuação por outro trabalho orientado pelo Ulisses há alguns anos*, então sabia que estava em boas mãos. No elenco, o privilégio de dividir a cena com os talentosíssimos e queridos amigos Maico Silveira e Leandro Lefa, e a impactante Renata, que ainda não conhecia. E finalmente pelo roteiro instigante e misterioso, que nos conduz pelo imaginário entre a realidade e a ilusão, a sanidade e a loucura, a verdade e a mentira, a confiança e a traição...e por aí vai.

* Pelo curta De Cartas de Café, realizado em 2008 por alunos da Oficina de Cine do Colégio Sinodal de São Leopoldo. Em 2010, o filme concorreu no Festival de Vídeo Estudantil de Guaíba e levou os prêmios de 2o lugar em Curta de Ficção e de Ator Coadjuvante para Luis Franke. Esta oficina é ministrada por Ulisses desde 2006 e alguns dos membros do elenco e da equipe de Kassandra cursavam-na naquela ocasião: a atriz Suzana Witt, a assistente de direção Marina Cardozo, e as figurinistas Giulia De Cesero e Isabela Boessio -- que, por sinal, foi quem dirigiu Franke no curta.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Entrevista: Roger Monteiro, roteirista

A partir de hoje, o blog de Kassandra publica entrevistas com elenco e equipe do filme, semanalmente. Trechos destas entrevistas vão constar no material de divulgação, mas aqui elas podem ser lidas na íntegra.

O primeiro a falar é o roteirista Roger Monteiro, que trabalhou em cima do argumento de Ulisses da Motta Costa para criar o texto do curta. Foram três tratamentos do roteiro, que tinha um total de 12 páginas. 

Confira o que tem a dizer o homem das palavras num filme praticamente mudo (e leia aqui as primeiras impressões do próprio Roger sobre o projeto de Kassandra).



O que levou um designer a escrever um roteiro? Como chegaram em você?

Roger: Design, fotografia, literatura, cinema… No fim do dia são apenas ferramentas diferentes para se contar histórias. A faísca que você precisa despertar é a mesma. A conexão que você precisa estabelecer, não muda. E isso se sobrepõe à técnica. Gosto de pensar que esse projeto veio parar nas minhas mãos por uma certa curiosidade mórbida do diretor. Creio que só isso já seja um mérito dos idealizadores de Kassandra: assumir o risco. Não se destila relevância das velhas fórmulas à prova de erros.

Você comentou que recebeu o convite para adaptar o argumento com ceticismo, por achar que inicialmente a proposta da obra estava muito distante do seu universo de interesses. O que no fim das contas Kassandra tinha que a fez se aproximar deste universo?

Roger: Nunca tive qualquer interesse pelo gênero que o senso comum chama terror. Cemitérios indígenas, zumbis e rainhas do grito não fizeram parte do meu imaginário adolescente e não seria supresa se eu confundisse, na rua, Jason com Kruger. Dificilmente eu poderia me ver contribuindo para uma narrativa ambientada nesse universo. Mas aconteceu de o Ulisses da Motta Costa ser um tremendo mentiroso. Por mais que ele queira, Kassandra não trata do terror, ou do horror. A garota na camisola etérea é uma heroína romântica, na acepção mais acadêmica da palavra. Por trás do elemento fantástico não está o grito, mas a solidão. A solidão profunda de uma criança que não se apartou apenas do mundo, mas de si mesma. E com isso eu podia me conectar.

Qual era a sua maior preocupação na hora de elaborar as cenas e os diálogos? Como foi transpôr as ideias do argumento para o formato de roteiro?

Roger: Pode-se imaginar que, em uma estrutura narrativa desse tipo, a maior dificuldade seja a ausência do verbo. É claro que isso é um obstáculo a ser transposto, mas, por outro lado, acaba se tornando uma pedra fundamental para uma estética própria. O silêncio, em Kassandra, não é uma circunstância, ele é uma personagem tão importante quanto qualquer outra. Dar a ele esse caráter e transformá-lo no porta-voz da angústia que desejávamos foi o foco. Se fosse possível tornar o silêncio sufocante, a história se desenvolveria por si só; se não fosse, tudo mais fracassaria.

Você elaborou um roteiro mais literário, com um certo grau de subjetividade na escrita. Isso foi proposital para passar alguma informação mais sutil, ou é uma questão de estilo?

Roger: Uma vez que trata de escolhas, toda escrita é subjetiva, expressa um ponto de vista, uma visão de mundo, a forma como o escritor consegue recombinar as suas referências e projetá-las sobre o tema. Mesmo quando se propõe a ser objetivo, quem escreve ainda está expressando a sua concepção própria de objetividade. Portanto, ser subjetivo é fundamental para o ato criativo, porque implica em comprometer-se. Comprometer-se é acreditar. Quando você não consegue convencer a si mesmo, não consegue convencer o público. E quando não consegue convencer o público, você o perde.

Do que você já viu do material pronto, alguma coisa superou as suas expectativas? 

Roger: Não existe Renata, existe Kassandra.


segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Teaser Trailer de Kassandra!


Filmes quando entram na fase de finalização viram um mistério. O que há de público num set desaparece na ilha de edição. Somem as dúzias de pessoas iluminadas por refletores, com fotos sendo tiradas em profusão, sons altos e dinâmica intensa; o trabalho passa a ser feito por poucos e misteriosos seres enfiados em salas escuras, metodicamente repensando e refazendo cada corte, cada som, cada nota da música. 


Mas, depois de algum tempo de silêncio, o filme começa a emergir. E este é o primeiro vislumbre de Kassandra: um teaser trailer que precede o trailer oficial, que deverá ir ao ar no início do ano que vem. O teaser é só uma prévia: serve para dar mais água na boca e para indicar o clima geral do projeto.

Aproveitem!

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Mais Kassandra na imprensa

Kassandra é um dos projetos citados em matéria da edição 8 do Editorial J (impresso publicado na Famecos) que tratava de casos bem-sucedidos de crowdfunding -- além do curta, são enfocados também o novo CD da banda Apanhador Só e a reforma do Centro Cultural Tony Petzhold, em Porto Alegre.


A reportagem de Constance Laux contém uma entrevista com o diretor do filme, Ulisses da Motta Costa, e pode ser visualizada neste link aqui. É só clicar nas abas da versão virtual da publicação. Boa leitura!